Uma Coligação faz-se pela vontade da grande maioria dos militantes e simpatizantes dos partidos e tem dois pressupostos. O primeiro, é que exista um projecto comum a implementar para servir as populações; o segundo é que a soma do conjunto dos votos dos partidos coligados seja pelo menos igual ou até superior à soma que os partidos teriam individualmente. O todo (votos na Coligação) deverá superar a soma das partes (votos nos partidos, individualmente).

A haver uma Coligação PSD/CDS na Trofa, para as eleições autárquicas que vão decorrer este ano, a hipotética Coligação não tem qualquer projecto comum, para além de não somar, mas sim subtrair. Só por ingenuidade política é que alguém pode pensar que os poucos votos do CDS poderão somar aos muitos votos do PSD. Não é verdade! A soma das partes (partidos individualmente) será muito menos que o todo (os votos na Coligação).

A Coligação não soma, subtrai. Subtrai porque muitos eleitores do PSD da Trofa não gostam do CDS da Trofa e como tal não vão votar na Coligação. Subtrai, ainda mais, porque alguns eleitores do CDS da Trofa não gostam do PSD da Trofa e como tal também não vão votar na Coligação. Subtrai ainda mais, porque alguns eleitores da Trofa, que não são de Esquerda, e que não gostam da forma como a Câmara Municipal tem sido gerida, poderiam votar de protesto no CDS, mas como está em Coligação com o PSD então o seu voto de protesto vai para o PS. Subtrai duas vezes.

E o que tem o CDS da Trofa a dar ao PSD? Muito pouco ou nada! Com tanta subtracção quem acredita que vai haver Coligação do PSD com o CDS na Trofa? Só se for o CDS da Trofa para esconder uma possível incapacidade de fazer listas, com candidatos fortes e ganhadores, às diferentes autarquias pois o PSD da Trofa só tem a perder. Ao somar os poucos votos do CDS vai perder muitos mais se não houver Coligação porque não soma todos os votos do CDS da Trofa e os que os que poderá somar, será em muito menor quantidade do que aqueles que vai perder. Assim, não soma pela possível dinâmica da Coligação e também não soma os votos contestatários do PSD e do CDS da Trofa.

E o que tem o CDS da Trofa a ganhar com a hipotética Coligação? Nada! O CDS da Trofa pode reivindicar o que quiser que o PSD nunca colocará um nome do CDS numa possível lista num lugar melhor que o quarto lugar. Mesmo este, nunca o dará e mesmo que o dê, o quarto lugar é igual ao quinto e igual ao décimo quinto. Assim ninguém do CDS será eleito numa lista em Coligação com o PSD. A Coligação, a ser vencedora, só meterá três Vereadores e esses terão de ser do PSD. Mesmo que depois das eleições tenha de ser substituído o segundo ou o terceiro Vereador será sempre substituído por outro do PSD, nem que seja o oitavo ou o décimo quinto. Assim diz a lei e assim terá de ser. Só por pura ingenuidade política, e não só, é que o CDS poderá pensar que o quarto lugar é excelente. Não, não é excelente, é horroroso, pois nunca elegerá ninguém para a Vereação. Nem agora, nem mais tarde. Só não será mau, para alguns, se a estratégia for pessoal ou para esconder a incapacidade para formar listas.

O CDS da Trofa só tem que começar, desde já (e já vai muito tarde), a fazer as suas listas próprias para concorrer a todas as autarquias (Câmara Municipal, Assembleia Municipal e todas as Freguesias) pois há grande probabilidade de não haver Coligação PSD/CDS nas autárquicas da Trofa, porque o PSD da Trofa, em anteriores períodos pré-eleitorais, sempre admitiu que uma Coligação era possível, mas foi sempre com o intuito de fazer com que o CDS adormecesse na feitura das listas e depois, jà perto do final do prazo da entrega das listas, dizia que não era possível a Coligação. Sempre foi assim e assim vai continuar.

E se houver Coligação a quem é que ela vai servir? À vontade da grande maioria dos militantes e simpatizantes dos dois partidos é que não é, de certeza!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

Nota: Este ano, a comemoração do “25 de Abril”, vai ser feitA em forma de protesto, pelo estado calamitoso a que chegou Portugal. A célebre trilogia dos 3 D’s (Descolonizar, Democratizar e Desenvolver) deu lugar ao surgimento de uma nova trilogia de 3 D’s (Desemprego, Desigualdade e Desânimo). Não foi para isto que foi feita a “Revolução dos Cravos”.