entrevista-Slotcar-1

A coletividade trofense tem vivido entre o infortúnio das inundações que têm afetado a Trofa e o sucesso de vários eventos desportivos que tem organizado no concelho. João Pedro Costa, presidente da coletividade, faz um ponto da situação e diz não ser líder de um clube derrotista.

O Notícias da Trofa (NT): Os mais recentes acontecimentos que o Clube Slotcar viveu, um assalto na madrugada do último dia do ano e a inundação no dia 2 de janeiro, causam mazelas e condicionam o futuro da coletividade?
João Pedro Costa (JPC): Sem dúvida que não são situações agradáveis, tanto mais que em março de 2013 já tínhamos conhecido uma situação similar, com uma inundação a danificar por completo o piso inferior onde funciona a modalidade de slotcar. Foram cinco meses de recuperação, um trabalho notável de um conjunto de associados, que culminou numa reinauguração no passado mês de agosto, pelo que, atualmente, já estão em pleno com campeonatos em curso e um calendário de provas bem preenchido. Mas há um ditado que diz que mesmo das piores situações podemos tirar algo de positivo e estou esperançoso que é isso que vai acontecer.

NT: Em concreto, o que é que foi realizado para fazer face a esta situação tão crítica, já que metade da sede ficou sem operacionalidade e as modalidades têm compromissos assumidos?
JPC: Realmente, não há muito tempo para pensar e daí que tenhamos de ser assertivos, a inundação foi na quinta-feira e ainda hoje (sábado) temos na sede do clube uma competição individual da Federação Portuguesa de Bilhar com 32 atletas, sendo alguns dos melhores a nível nacional e como compromissos são compromissos, está tudo pronto para os receber! Foi complicado, pois tivemos de remover algumas tralhas que subiram ao primeiro piso mas, como sempre, esperamos estar à altura para recebermos bem as pessoas no clube. Em termos de slotcar é que as coisas se complicaram um pouco, já que se avizinha a 7ª edição das 24 Horas de Slotcar da Trofa para o dia 17 de janeiro mas, mais uma vez, a direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa esteve à altura e a cedência de instalações desportivas, que estava prevista para o período de 11 a 23 de janeiro, foi antecipada e já está a ser construída uma pista que possibilitará aos nosso pilotos afinar as minimáquinas, não comprometendo, assim, a presença dos pilotos trofenses na prova – foi montada uma autêntica tenda de campanha!

NT: A direção do Clube Slotcar, que tomou posse no início de dezembro, está motivada para as adversidades que se apresentam e tem contado com o apoio dos associados e simpatizantes?
JPC: Este é um clube simpático pelas modalidades com que se apresenta e tem resistido a várias dificuldades. Como ouvi alguém dizer já após este infortúnio “somos como os gatos, temos 7 vidas”. As modalidades são as pessoas que gostam do que fazem, veja, por exemplo, o lançamento da modalidade de veículos antigos em novembro, o resultado foi cerca de cem viaturas, muitas pessoas que passaram um dia memorável e, certamente, não são as mesmas que participaram nas várias Lan-partys organizadas pelos jovens da nossa secção de videojogos.
Enquanto o atleta de slotcar é muito específico e fez da Trofa a capital da modalidade em Portugal, já no bilhar, temos mais de 20 atletas a competir todos os dias da semana, estão sempre em ação! Em suma, os associados e os que gostam do trabalho do Clube aparecem sempre que são convocados, ainda é um Clube à moda antiga que vive do bairrismo, embora um bairrismo do século XXI, mas a verdade é que no próximo dia 17 de março vamos completar já o nosso décimo aniversário!

NT: Certamente não é só de boa vontade que o Clube vive. Como tal, tem sentido apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude, que ao que sei também continuam a fazer parte, bem como dos órgãos autárquicos?
JPC: Desde 2006 que o Instituto Português do Desporto e Juventude reconhece o nosso valor, fazemos com eles um planeamento anual pelo que neste momento estamos em pleno e a encerrar os acordos para 2014. Quanto ao nosso relacionamento com a Câmara Municipal sofremos muito durante os últimos quatro anos, ao ponto de nos últimos dois não ter existido qualquer relação institucional. Temos um orçamento anual de 35 mil euros o que perfez nesses quatro anos uma execução de 140 mil euros e foi-nos atribuído apenas um subsídio de três mil euros dos quais falta receber metade – não nos deixa saudades e, como ouvi dizer, fomos literalmente ostracizados. Enfrentamos adversidades, mas não temos dívidas, o que, nos dias que correm, é uma grande vantagem e como presidente e membro fundador desta coletividade de cariz juvenil sinto que o tamanho dela reflete a dimensão da nossa terra que tenho esperança possa crescer no futuro.

NT: Que mensagem gostaria de deixar para o público em geral e em particular para os trofenses?
JPC: Que apareçam, pois há muito trabalho para repartir, mas acima de tudo que aproveitem o que resta do movimento associativo, porque não acredito que na atual conjuntura apareçam loucos a fundar associações desportivas sem fins lucrativos.

Clube Slotcar recebeu competição de bilhar federada

A prova da primeira divisão do bilhar, disputada em sistema de duplo KO, realizou eliminatórias na tarde de sábado, no Dany-Bar, em Paços de Ferreira e no Clube Slotcar da Trofa, tendo a fase final sido disputada já durante o dia de domingo e apenas na Trofa.

Foi a terceira de seis provas individuais, numa competição disputada por 32 jogadores do distrito do Porto e que visa o apuramento para o Campeonato Nacional. A competição que juntou na final, Bruno Fumega e Eduardo Barros, foi vencida por este último por um expressivo 5-2. Os atletas trofenses Rafael Sampaio e Miguel Alexandre tiveram um bom desempenho, mas foram arredados dos quatro lugares cimeiros.