Ao longo dos anos, tem sido reiteradamente assumido por todos que, a autonomia do poder local foi uma das grandes conquistas da revolução de Abril de 1974. 

É indesmentível o contributo das autarquias de freguesia e municipais para o desenvolvimento do nosso país nas  últimas três dezenas de anos. Um dos segredos para este sucesso é, claramente, a proximidade entre eleitos e eleitores que permite tomadas de decisão mais ponderadas, estratégias mais claras e uma fiscalização da população muito próxima e apertada. 

Tive a oportunidade de viver, enquanto Presidente de Junta de S.Martinho de Bougado uma experiência única na empatia e relacionamento entre eleitos e eleitores. Entre 1997 e 1999, as freguesias que viriam a constituir o concelho da Trofa e, nomeadamente, as da cidade, viveram um período de grande exaltação bairrista e de enorme cumplicidade com os seus responsáveis políticos. 

Assembleias de Freguesia com centenas de pessoas, manifestações com milhares de trofenses, nesses momentos demos a Portugal e aos portugueses uma grande lição de intervenção cívica e de defesa dos superiores interesses da nossa terra. 

Esperar-se-ia que aproveitássemos este movimento para, atingida a autonomia política e administrativa, encetarmos um ritmo à gestão autárquica que nos permitisse recuperarmos décadas de atraso no nosso desenvolvimento. 

Infelizmente, não só não o fizemos como conseguimos, ao fim de meia dúzia de anos, quebrar os laços de afectividade e cumplicidade entre autarcas e população – cujo primeiro responsável é o Presidente da Câmara da Trofa! 

As pessoas gostam de ver a sua terra desenvolver-se e apreciam quem lhes fala verdade e não prometa o que não pode cumprir. Certamente que, se boa parte da população trofense, dispusesse de um espaço quinzenal para interpelar o Presidente da Câmara gostaria de colocar questões como: 
 

– É ou não verdade que se está a desenvolver um estudo para localizar os Paços do Concelho no Parque Nossa Senhora das Dores, ao lado da Capela?  
 

– Para quando a aprovação do PDM da Trofa? Há mais de 5 anos está prometido. 
 

– Qual o ponto de situação do Parque das Azenhas? Está no Plano de Actividades Municipal há mais de 6 anos. 
 

– Qual o ponto de situação da Área de Localização Empresarial da Trofa? 
 

– Para quando a ocupação das habitações, prontas há mais de ano e meio, e que continuam desabitadas? 
 

Muitas outras questões poderiam ser colocadas. O importante, no entanto, é que se exige que os responsáveis políticos dêem explicações, assumam responsabilidades, sejam transparentes…. Não me parece que isto esteja a acontecer na nossa terra. 
 
 

                                          João Moura de Sá