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O verão chegou, inicia-se a época balnear e com ela os perigos associados à exposição solar, se não forem tomadas as devidas precauções.

A pele é o maior órgão do corpo humano e responsável pela cobertura e proteção do organismo, por esse motivo requer muitos cuidados. É importante que a pele seja protegida contra os raios nocivos do sol, ultra violeta A (UVA) e ultra violeta B (UVB) para prevenir os danos na saúde da pele, como escaldões, insolações, alergias e intolerâncias ao sol e a longo prazo é responsável pelo envelhecimento precoce da pele e aumenta o risco de cancro da pele.

Nem todos os tipos de pele reagem da mesma maneira aos raios solares, pelo que cada indivíduo tem o seu próprio nível de fotossensibilidade, caraterizada pelo seu fototipo. O fototipo é a qualidade da resposta de uma pessoa à ação dos raios solares e existem 6 fototipos, determinados pela cor do cabelo, presença ou de sardas, tendência de um indivíduo desenvolver queimaduras solares e de se bronzear. Quanto mais baixo for o seu fototipo, mais alto deverá ser o fator de proteção do protetor solar.

Então como escolher um protetor solar?
O protetor solar é um produto cosmético e de higiene corporal que tem a função de reduzir a velocidade dos efeitos do sol absorvidos pela pele, refletindo os raios. O valor do fator de proteção solar (FPS), ao contrário da crença popular, não significa quanto mais forte maior a proteção. Na verdade, ele informa quanto tempo o deixará protegido. Para saber quanto tempo tem de proteção, multiplique os minutos de exposição ao sol que a sua pele demora para queimar quando está sem proteção, pelo número do FPS (por exemplo, se ao fim de 10 min. de exposição solar sem proteção apresenta sinais de queimadura, usando um protetor solar 30, fica protegido durando 300 min.).

Independentemente do tipo de pele, deve-se escolher um fator de proteção solar (FPS) no mínimo de 15, já que segundo a Organização Mundial da Saúde, as loções solares com índice inferior não permitem prevenir o cancro da pele. Para além deste aspeto, também deve ser um protetor solar que proteja a pele dos raios UVB e UVA.

Deve escolher um protetor solar resistente à água, mas não se esqueça que nenhum é realmente impermeável, pelo que deve reaplicá-lo depois de contacto com água. Deve aplicar o protetor solar 30 minutos antes da exposição solar, pois é esse o tempo que demora a surtir efeito e deve aplicá-lo generosamente nas áreas mais vulneráveis e de maior exposição solar. Mas é importante recordar que o uso do protetor solar não lhe permite estar exposto ao sol por tempo ilimitado!

Para além do uso de protetor solar adequado, existem outras precauções a ter em conta:
– Evitar a exposição quando os raios estão mais intensos (entre as 11h e as 16h30); procure um lugar á sombra ou evite de estar o dia todo na praia;
– Usar óculos de sol que ofereçam uma proteção eficaz;
– Beber líquidos com frequência, pois ajuda a hidratar a pele e o corpo. A água é a melhor escolha;
– Usar roupas leves e de cor clara;
– Usar chapéu com abas, que protege a cara e olhos da exposição solar e brilho.

Estas medidas de proteção devem ser mantidas mesmo que: o céu esteja nublado, pois as radiações atravessam as nuvens; permaneça na sombra de um guarda-sol, pois os raios incidem de forma indireta (cuidado com a luz refletida!) e esteja dentro de água.

O bronzeado é uma reação de adaptação, em que a pele se defende contra os ataques do sol. O fato de ter um bronzeado pode proteger um pouco das queimaduras solares, mas não protege do risco de desenvolver cancro da pele a longo prazo, por isso, deve manter as mesmas precauções.

As preocupações com o sol não devem estar presentes só na praia. Em qualquer atividade que exija momentos de exposição solar, o uso de protetor solar é essencial, assim como o uso do chapéu e de roupas claras.

Num adulto saudável, a exposição adequada ao sol é essencial no processo de fixação da vitamina D no organismo. Esta vitamina é essencial para o crescimento e desenvolvimento da estrutura óssea. Mas como já foi referido, o excesso de sol prejudica a saúde da pele, em especial às pessoas mais vulneráveis e às crianças.

A prevenção deve começar logo na infância, pois as crianças passam mais tempo ao ar livre que os adultos, recebendo, em média, três vezes mais raios ultravioletas do que os pais. Por outro lado, a pele das crianças é mais sensível aos raios solares. Até aos 3 anos, a pele é muito fina e permeável, o que a torna muito sensível à desidratação e aumenta o risco de queimaduras solares. Assim, é importante reforçar algumas medidas de prevenção já supracitadas, tais como:
– Não expor os bebés diretamente ao sol, até completarem pelo menos 1 ano de idade;
– Idealmente os mais pequenos devem ir à praia apenas até às 11h e ao fim da tarde;
– Enquanto brincam na areia, as crianças devem usar uma camisola de algodão, chapéu de abas largas e fato de banho;
– Usar sempre um protetor solar com fator de proteção elevado; aplicá-lo 30 minutos antes de ir à praia e reaplicá-lo 2h em 2horas e depois do banho, mesmo que o creme seja resistente à água. Insistir nas zonas do corpo mais expostas;
– Oferecer água frequentemente para evitar a desidratação;
– E ensinar às crianças os cuidados a ter com o sol e a sua importância.
Não esquecer que estes cuidados mantêm-se não só na praia, mas também nas outras atividades ao ar livre.

Aproveitem o Verão, mas tenham os devidos cuidados com a exposição solar. A vossa pele agradece. E não se esqueçam, o importante é Crescer em Segurança!

Enfermeira Sandra Costa e Enfermeira Elsa Silva
ACeS Grande Porto I – Santo Tirso/Trofa