Escrever qualquer coisa sobre os acontecimento deploráveis que vêm dominando a atualidade, seja o caso Bes/Ges, o escândalo da lista de contribuintes Vip, os lapsos e desconhecimentos do nosso primeiro relativamente a obrigações fiscais e contribuições à Segurança Social, reveste-se de tão grande penosidade e desconforto, por tão grande indecência, pela incredulidade dos factos, que só me pergunto: como é possível?
Claro que resulta mais salutar, e até alegre, pelo menos para mim, divulgar a política que nasce da luta de massas, das lutas populares, que não têm notícia que as divulgue, mas que estão aí, são verdadeiras, acontecem. A enérgica greve dos trabalhadores da Administração Pública do passado dia 13, as lutas dos estudantes dos ensinos Básico, Secundário e Superior. A luta dos professores, dos guardas-prisionais, a prometida manifestação de agricultores promovida pela CNA em Braga junto à Agro, e a marcha da juventude trabalhadora que culminará com a manifestação nacional em Lisboa. Realçarei também as jornadas de luta que se avizinham integradas nas comemorações do 41.º aniversário do 25 de Abril e no 125.º aniversário do 1.º de Maio.
Passos, Portas, Maria Luís, todos apadrinhados por Cavaco, não se cansam de falar de um país de «cofres cheios», capaz de aguentar «por muito tempo» uma crise. «Cofres cheios» para pagar aos credores…mas se sobem as taxas de juro…? No entanto, desprezam os 600 mil portugueses lançados na pobreza nos últimos três anos, e os mais de um milhão e 200 mil portugueses votados ao desemprego… e a dívida não para de crescer…e a recessão económica prolonga-se.
O ridículo, não fosse já a campanha eleitoral em curso, está no convite explícito do primeiro-ministro (e de outros membros do Governo), ao regresso dos jovens. Depois de ter impelido para a emigração mais de 400 000 portugueses, o Governo PSD/CDS/TROIKA saca da cartola o VEM e, num ato da melhor prestidigitação, espalha o logro de estar a resolver o drama social da emigração obrigada.
Aqui, em Guidões, a comissão social de freguesia – Núcleo de Guidões organizou uma caminhada solidária. Ao que se leu e viu na comunicação social o Sr. Presidente de junta não gostou da forma como foi organizada e realizada. Disse não ficar bem a caminhada sem passar a Alvarelhos e notou que «…a divisão mantém-se e não pode ser», concluindo pela necessidade de «unir as pessoas». Mas, senhor presidente, uma união implica a existência de amor, amizade, reciprocidade, respeito e igualdade. E sobretudo, e no que ao assunto interessa, é imperiosa a existência de liberdade e democracia. Ora, a união foi forçada, foi imposta pelo PSD/CDS sem qualquer respeito pelas populações. Não houve liberdade de escolha e a democracia escapuliu-se. Repete-se, pela milésima vez, que todos os órgãos autárquicos (verdadeiramente legitimados pelo voto) da antiga freguesia de Guidões foram, por unanimidade, contra a extinção da freguesia. Os Guidoenses também o demonstraram através do abaixo-assinado ou da célebre queima do entrudo chamado Relvas em Fevereiro de 2013. Esta união nasceu desavinda. E é enjeitada.
Claro que o PSD/CDS sabe disso e vai atacando pelos flancos. Por isso, a Câmara Municipal da Trofa mandou retirar uma faixa que se encontrava no centro de Guidões que dizia: «as freguesias são do povo – Guidões sempre». Incomodava?
Também a Direção do Guidões Futebol Clube, ou a sua comissão administrativa, e bem se sabe quem, em termos político-partidários, manda na associação, resolveu ceder às «questões político-partidárias». Houve um patrocinador que ofereceu umas camisolas para que os jogadores utilizassem no aquecimento com os seguintes dizeres: «Devolvam a nossa freguesia – Guidões Sempre». Os jogadores, segundo sei, mostraram interesse, como bons Guidoenses que são, em envergá-las. A Direção do clube, segundo sei, disse não, pois seria fazer política, disse. E proibir? Não é fazer política? É, diria Marcelo Rebelo de Sousa no seu característico jeito. Política partidária, acrescentaria Cavaco. E de apoio à política deste governo PSD/CDS/TROIKA que nos espoliou a freguesia, concluo eu. Não poderá uma associação desportiva defender a sua terra? Não terá mesmo a obrigação de o fazer?
Cenas notáveis de um provincianismo digno do universo queirosiano.