Uma centena de funcionários da empresa têxtil Gamor II Unipessoal Lda. estão em vias de ficar sem emprego. Apesar de ter encomendas, a empresa tem em atraso o ordenado de agosto e os subsídios de natal e de férias.

O que seria, supostamente, um normal regresso ao trabalho após as férias de verão, transformou-se num pesadelo para uma centena de trabalhadores da Gamor.

O braço de ferro entre funcionários e entidade patronal já durava há algum tempo, mas o desfecho para a situação da Gamor pode não ser o aguardado pelos operários.

Esta quarta-feira, 14 de setembro, o patrão deveria ter apresentado a solução definitiva para o futuro da empresa. No entanto, os funcionários que aguardavam, desde manhã cedo, à porta da fábrica viram as suas expectativas saírem goradas, uma vez que os responsáveis da empresa não apareceram.

Esta história já começou a 5 de setembro, quando, ao chegarem à fábrica, os colaboradores se depararam com a luz cortada. Foi-lhes dito que no dia 12 a situação estaria resolvida e os mesmos compareceram na empresa nessa data, mas vieram embora após terem tido uma reunião com o responsável da empresa, António João Leite, que remeteu para quarta-feira a comunicação da solução final para a empresa, o que acabou por não acontecer.

Os trabalhadores da empresa têxtil encontram-se descontentes com esta situação e não conseguem entender como é que a Gamor chegou a este estado. “Nós tínhamos encomendas. Não entendemos porque é que temos o subsídio de Natal, o subsídio de férias e o mês de agosto em atraso”, adiantou Sónia Azevedo, uma das funcionárias.

Por sua vez, o patrão “promete mundos e fundos” e dá esperanças de que tudo será resolvido da melhor maneira. “Prometeu pagar o subsídio de Natal em prestações a partir de janeiro e também o subsídio de férias no dia 19 de agosto, mas até agora não recebemos nada”, salientou com revolta Sónia Azevedo.

 

Esta é uma situação que tem vindo a preocupar as funcionárias que prometem não baixar os braços e reivindicar os seus direitos. “Temos de fazer alguma coisa, temos de saber quais são os nossos direitos e como podemos reaver o nosso dinheiro”, afirmou a funcionária.

A empresa quando esteve nas mãos da antiga gerência “nunca teve problemas”, mas, segundo as mesmas funcionárias, desde que é gerida por António João Leite que tem “vindo a ser destruída”. “Isto é um grupo de mafiosos que vai deixar a empresa na falência e que depois vai para outro local abrir uma nova e destruir mais famílias”, referiu indignado Paulo Guimarães, marido de uma das funcionárias.

Na quarta-feira, junto à empresa sediada em Santiago de Bougado estiveram também representantes do Sindicato Têxtil do Porto, que se reuniram no dia anterior com a administração da Gamor e com a Inspeção Geral do Trabalho. Nessa reunião, a administração da empresa fez saber que “pretende recuperar” a mesma, mas, segundo o sindicato, essa é uma hipótese remota, uma vez que “a empresa

se encontra com grandes dificuldades financeiras e nem sequer consegue pagar o ordenado do mês de agosto aos funcionários”.

A dirigente do sindicato Marlene Correia aconselhou os operários a recorrerem, a partir do dia 20 de setembro, “à lei dos salários em atraso” para darem início ao processo da “suspensão dos seus contratos”. Os colaboradores da empresa parecem ter acatado a sugestão do sindicato e depois de dois dias acampados à porta das instalações da Gamor regressaram a casa com a intenção de suspender o contrato que as mantém vinculadas à fábrica.

Mas ainda há uma esperança para a resolução do problema. Segundo o sindicato, na sexta-feira a administração da empresa vai reunir-se com o IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação) e com o Ministério da Economia para tentar salvar a empresa. Todavia, a sindicalista mostra-se pessimista pois não espera frutos dessa reunião.

Na segunda-feira o NT/TrofaTv tentou ouvir António João Leite e este não prestou declações. Na quarta-feira, não esteve contactável.

Enquanto a situação não é resolvida, os cerca de uma centena de trabalhadores da Gamor continua sem receber os subsídios de natal, de férias e o ordenado referente ao mês de agosto e a única certeza que têm é a incerteza quanto ao futuro.

Certo é que os funcionários regressam à empresa na segunda-feira, 19 de setembro, para saber o resultado da reunião com o IAPMEI e se mesma for inconclusiva ou não se realizar, os funcionários podem seguir para a delegação do sindicato em Santo Tirso a fim tratarem das “cartas de suspensão”.

 

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