A cegonha-branca está a criar uma colónia em S. Mamede do Coronado. A espécie foi avistada numa palmeira, situada numa quinta na Rua de S. Mamede, e não tem passado despercebida por quem ali passa.

“Estão a ver se avistam as cegonhas?” A pergunta de Deolinda Ferreira à equipa de reportagem d’O Notícias da Trofa sai, em jeito de curiosidade, mas com plena certeza de que a resposta seria afirmativa. Afinal, que outra razão faria duas pessoas, em plena berma da Estrada Nacional 318, em S. Mamede do Coronado, olharem no sentido de um muro de 1,5 metros de altura para alcançarem o cimo de uma palmeira em estado de degradação durante vários minutos? “Olhe que, por esta hora, elas saem e só regressam já a noite caiu”, atirou a mulher, mostrando estar plenamente habilitada das rotinas das novas inquilinas. “Elas estão mais pelo ninho durante a manhã e à tarde até por volta das quatro ou cinco horas. Mas uma delas para muito tempo aninhada, não sei se já está a pôr, e vê-se a outra a puxar-lhe o bico para lhe dar comida”, relatou.

Durante a conversa, e sem sinal das protagonistas, Deolinda conta que viu as cegonhas pela primeira vez “no início de março”, tendo assistido a alguns ritos de acasalamento e “à construção do ninho”, para o qual usaram “lenha de videiras e canos da outra palmeira”. Durante esse período, afirma, “alguns camiões abrandavam para verem as cegonhas a levar as coisas para o ninho”.

“De vez em quando, vejo-as a voar para os lados do mar, não sei se para irem buscar comida, e quando as terras se volvem também vão caçar os ‘bichos’”, referiu, sem deixar de manifestar espanto por ver esta espécie habitar nesta região.

Apesar de ser uma ave, cuja maior parte dos ninhos se encontram a sul do rio Tejo – com maior incidência nos distritos de Beja, Portalegre, Évora, Setúbal e Santarém, nos últimos tempos, a cegonha-branca tem assentado arraiais mais a norte, ao ponto de já “existir uma colónia no Louro”, no concelho de Vila Nova de Famalicão, contou ao NT José Alves, observador de aves.

A existência de um ninho em S. Mamede do Coronado, esclarece, significa que, muito provavelmente, a espécie proliferará por aqueles lados.

Naquele dia, a equipa de reportagem do NT acabou por regressar à redação de mãos a abanar, mas acabaria por ver o esforço recompensado dois dias depois, quando, a conselho de Deolinda Ferreira, voltou a S. Mamede do Coronado, no período da manhã. O prémio, porém, não foi pleno, já que segundo a mamedense, não é apenas um, mas sim três os casais que têm sobrevoado os céus da Vila.