O Clube Estrelas Aquáticas da Trofa garantiu a subida à 1.ª divisão nacional e, frente ao Fluvial B, conquistou, pela primeira vez, o título da 2.ª divisão nacional.

Depois de ter garantido a subida à 1.ª divisão nacional de polo aquático, o CEAT – Clube Estrelas Aquáticas da Trofa conquistou o título nacional masculino da 2.ª divisão, ao vencer o Fluvial B por 18-9, em encontro da 5.ª jornada, que decorreu na Senhora da Hora, em Matosinhos, a 19 de abril.

Com a bancada bem composta por adeptos trofenses e não só, o CEAT recebeu, no final do jogo, a taça de campeão nacional da 2.ª Divisão e as respetivas medalhas entregues por Jorge Cruz, diretor da Federação Portuguesa de Natação, e Miguel Pires, diretor-técnico nacional. A competição termina no próximo fim de semana com a realização da última jornada, em que o CEAT defronta, pelas 15.30 horas de 26 de abril, o Portinado.

O capitão Diogo Sousa, que foi o melhor marcador da jornada estando em 2.º lugar dos melhores marcadores, afirmou, em exclusivo ao NT e à Trofa Tv, que a equipa vinha “trabalhando para este título, acabando invicta”, acrescentando que “subir de divisão e acabar em primeiro é fruto de muito trabalho e de todo o sacrifício que a equipa teve”. O atleta referiu que esta época foi “sempre complicada”, porque começaram a treinar nas piscinas de Ermesinde e, devido a “problemas extras”, tiveram que trocar de piscina e treinar na Senhora da Hora, agradecendo “ao CDUP (Centro de Desporto da Universidade do Porto) por deixar treinar todos os dias com eles”.

Como principais dificuldades, o capitão elenca o ter que “conciliar a escola, faculdade e o trabalho” com os treinos, agradecendo “muito” ao treinador pelo “sacrifício que faz”, pois “sem ele seria impossível o que acabaram de conseguir”. “Não é um desporto fácil e que tenha visibilidade, que é uma coisa que gostávamos. Os horários são incompatíveis ao da escola e nós temos sempre que fazer sacrifícios extra para poder vir treinar e ainda por cima na distância que é. Por isso, queria agradecer à equipa”, salientou.

O facto de serem “a equipa mais jovem de todos os campeonatos” fez com que se “unissem e trabalhassem todos os dias, com o objetivo de serem cada vez melhores”, sendo para Diogo Sousa, das equipas com “um futuro promissor”.

Também Miguel Gouveia, atleta da Trofa, salientou o facto de ser “difícil” uma equipa da Trofa ter que treinar e jogar em Matosinhos, mas que, para serem campeões, “toda a gente tem que sofrer” e, com “força de vontade e com as vitórias a aparecerem, continuarem a lutar todos para o mesmo objetivo”. “Uma pessoa fazendo o que gosta, faz com que estas adversidades se tornem mais pequenas. Com o esforço de cada um conseguimos sempre o que queremos e isto é a prova viva disso”, mencionou o também trofense Nuno Alexandre.

Sabendo que a “1.ª divisão nacional é sempre muito mais difícil” e que são “uma equipa muito jovem que tem muitos anos para aprender”, Miguel promete que a equipa vai “dar tudo por tudo e ganhar o máximo possível”.

O também trofense João Azevedo contou que foi “com muito esforço” que se conquistou o título e a subida à 1.ª divisão nacional, aliado ao treino “todos os dias com sacrifício, com orgulho” e com o treinador Paulo Borges. João tem “esperança” que a comunidade reconheça o que fizeram, bem como a modalidade de polo aquático, mas, segundo o próprio, “o historial nega-lhes sempre isso”. “Temos vontade de trabalhar e acho que a Trofa devia reconhecer isso: estamos a colocar o nome da terra ao mais alto nível”, acrescentou.

Grande espírito de grupo e apoio dos pais foram o segredo para o título

“Muito melhor do que estávamos à espera”. Foi desta forma que Paulo Borges, treinador da equipa sénior masculina do CEAT, fez um balanço da época, que culminou com a subida à 1.ª divisão nacional e a conquista do título de campeões da 2.ª divisão nacional. O segredo para estas conquistas é, segundo o próprio, “a grande força de vontade de crescer, um grande espírito de sacrifício e o enorme contributo, gosto e vontade dos próprios pais”. “Não é fácil, para quem está no 12.º ano, no 1.º ano da faculdade ou a trabalhar, chegar todos os dias às 23.30 horas e ter aulas no dia seguinte às 8 horas, para além de toda a dificuldade monetária e o de fazer todos os dias 50 quilómetros. Só com uma grande vontade de querer evoluir e de querer crescer foi possível formar um grupo muito forte e muito unido e uma verdadeira família, que permitiu chegar aqui”, adiantou.

O técnico recordou que começou a época com “um grupo extremamente heterogéneo”, onde “ninguém se conhecia, com apenas um terço ou um quarto de jogadores com experiência no campeonato nacional de seniores”. Apesar de ter “algumas expectativas”, Paulo Borges sabia que o ano de estreia da equipa sénior no campeonato nacional seria “extremamente complicado”. Contudo, a primeira volta terminou “só com vitórias” e a segunda volta, onde esperavam que “as dificuldades fossem maiores”, tem sido marcada com “resultados mais desnivelados, o que demonstrou a forte evolução coletiva” da equipa.

A par deste campeonato, a equipa sénior está a disputar a Taça de Portugal, apesar de ter perdido “o jogo dentro de água”. Mas, como houve “uma situação irregular do adversário”, o CEAT aguarda uma decisão da Federação Nacional de Natação, para saber se vai disputar os quartos-de-final e, quem sabe, chegar à final, que se realiza a 3 de maio. Quanto à próxima época, Paulo adiantou que “já existe linhas gerais”, mas que existe “uma enormíssima dificuldade que continua a ser a piscina”.

Simultaneamente, Paulo é ainda treinador da equipa júnior do CEAT, que é constituída por atletas dos escalões de formação. Segundo o técnico, os juniores “estão abaixo do que fizeram o ano passado, porque metade da equipa júnior subiu a seniores este ano”. “Temos uma equipa muito nova que está a reconstruir e que sentiu muito mais a falta da piscina para treinar do que os seniores, porque alguns já estão na faculdade, já têm carta, acabam por partilhar carro e por se deslocar com maiores facilidade aos treinos do que os pequenos”, explicou.

Para Paulo Borges é “um pouco frustrante não serem conhecidos” no concelho, porque “não treinam e não jogam na terra”, esperando, por isso, que “exista uma maior união e visibilidade”, para que haja “algum contributo”, que pode existir “a muitos níveis e de diferentes espécies”.