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Os 170 hectares que vão ser ocupados com a construção da Plataforma Logística Maia/Trofa, na zona do Vale do Coronado são motivo de descontentamento para os agricultores e defensores dos terrenos agrícolas. A CDU juntou-se à ADAPTA e à APVC, esta terça-feira, para discutir esta localização e defendeu a construção da Plataforma na freguesia de Covelas.

A construção da Plataforma Logística está parada, ao que tudo indica por falta de verbas, mas a ADPATA – Associação para a Defesa do Ambiente e do Património na Região da Trofa e a APVC – Associação Para Protecção do Vale do Coronado não baixam os braços e defendem a “desmobilização” desta plataforma para outro local.

Em questão está a devastação de terrenos que pertencem à Reserva Agrícola Nacional e à Reserva Ecológica Nacional.

“Estamos a tentar desmobilizar a construção da Plataforma Logística que está prevista para esta zona. São 170 hectares que vão ser dizimados, impermeabilizados e esta é uma das zonas mais produtivas do concelho que vai deixar de existir”, assegurou Joaquim Maia representante da APVC.

Apesar de já se terem deslocado à Secretaria de Estado para expor este problema a resposta foi simples: “só disseram que não havia dinheiro e que a sua construção estava suspensa, mas que a obra ia avançar”.

Os membros da Trofa da CDU e Honório Novo, deputado do distrito do Porto à Assembleia da República juntaram-se a estas duas associações para discutir o problema.

“Quanto à Plataforma Logística, nós mantemos e reafirmamos hoje perante a ADAPTA e perante os agricultores da Trofa e Maia aquilo que sempre dissemos, nós consideramos absolutamente importante para o arranque da economia regional, e não apenas local, eu diria mesmo nacional, a construção de plataformas logísticas deste tipo. Agora o que nós reclamamos é que elas se construam, sem prejuízo daquilo que são, provavelmente dos terrenos agrícolas com melhor qualidade na região norte e porventura no país. Não pode ser”, frisou Honório Novo.

Esta já não é a primeira vez que o deputado e os membros da CDU se encontram com os defensores do Vale do Coronado para falar sobre esta questão, mas desta vez o deputado foi mais longe e acusou Joana Lima de não cumprir “o que prometeu aos trofenses”. “É verdade que há uma senhora deputada, que por acaso parece ser candidata à Câmara da Trofa que prometeu aos trofenses a construção desta plataforma neste mandato, a verdade é que os terrenos estão aqui ao lado e a plataforma logística não existe e nós tememos que não exista nos próximos anos. De facto os compromissos assumidos pelo PS, muitos deles caem em saco roto, como mais este caiu”, asseverou.

Mas a CDU apresentou propostas para uma nova localização da Plataforma Logística: “no passado propusemos que se instalasse essa Plataforma na zona de Covelas/Folgosa, entretanto dada a paralisação da construção da plataforma, nós vamos voltar a insistir com esta localização, porque entendemos que é a localização mais sustentável, naturalmente pode não ser a localização mais agradável para o Grupo Jerónimo Martins que tem terrenos aqui, mas é certamente a localização mais sustentável para todos, inclusivamente para os agricultores que aqui vivem”. A outra sugestão dos membros comunistas seria “reduzir a área, deslocando o máximo possível para Sul a construção, de forma a evitar que os terrenos da Reserva Agrícola Nacional sejam vandalizados e que o prejuízo para o Vale do Coronado seja o mínimo possível”, acrescentou.

No entanto às propostas já antes apresentadas, segundo Paulo Queirós, candidato pela CDU à Assembleia Municipal, obtiveram uma resposta pouco directa: “as respostas da Câmara Municipal relativamente a esta questão são essencialmente como as outras que são esquivar-se a uma resposta directa, dizer que no fundo isto é uma iniciativa do Governo e não da Câmara e como tal não têm uma posição muito definida e vão-se limitando a seguir aquilo que o Governo vai ditando. Nós dizemos que não deve ser essa a posição da câmara, ela deve ter uma posição e fazer ver às pessoas o que é que efectivamente querem para esta plataforma logística”.

Para além da localização da Plataforma Logística nos terrenos do Vale do Coronado, que “não consta no PDM – Plano Director Municipal”, Paulo Queirós alertou ainda para a existência neste documento de uma variante que atravessa os mesmos terrenos. “Até vemos neste PDM, que está agora em discussão, que está prevista uma variante que vem ainda complicar mais a situação do Vale do Coronado com uma variante a atravessar todo o coação do Vale, ou seja, o que a plataforma não rouba esta variante vem matar”.

Criticando o facto de o PDM estar apenas a ser discutido agora Queirós espera ainda que a sua discussão se prolongue. “Espero que a discussão do PDM se prolongue e que haja uma maior rapidez de acesso aos documentos, difícil abrir documentos, ou imprimir alguma coisa porque demora imenso tempo”, acrescentou.