Conceição Silva é a candidata da CDU (Coligação Democrática Unitária) à Câmara Municipal da Trofa. O anúncio foi feito no seio da comitiva comunista trofense, num almoço comemorativo do 92º aniversário do PCP, no Restaurante Cantinho da Feira, em Santiago de Bougado.

Durante o convívio, o membro da CDU, Atanagildo Lobo, revelou aos militantes a decisão da coligação de repetir a candidatura que já em 2009 avançou para as eleições autárquicas. Num discurso informal sem enunciar projetos nem apontar questões concretas do concelho – a oficialização da candidatura deverá ser feita numa sessão pública nas próximas semanas -, Conceição Silva mostrou-se disponível por ser a porta-voz da CDU, na “luta” pelos “direitos” dos trabalhadores.

Mas António Gonçalves, membro da Direção da Organização Regional do Porto do PCP, em declarações ao NT, quis explicar a razão da escolha: “É uma mulher jovem trabalhadora, tem uma família a seu cargo e também sofre como a maior parte da população da Trofa. É uma aposta segura, pois já ganhou traquejo nas últimas eleições e, agora, pode muito bem superar e colocar a CDU num patamar que almejamos”.

O comunista crê que “eleger um vereador vai ser difícil”, mas não atira a toalha ao chão. “Está ao nosso alcance devido à política que foi executada nos últimos mandatos quer pelo PSD, quer pelo PS, que não têm demonstrado credibilidade na Trofa”, sublinhou.

Esse é o argumento, e a arma, que a comitiva comunista vai utilizar na campanha de Conceição Silva que terá a seu lado Paulo Queirós como candidato à Assembleia Municipal. A “experiência” e o “conhecimento profundo dos problemas” que existem no concelho são os pontos fortes que pesaram nesta opção.

Segundo Paulo Queirós, a campanha servirá para “demonstrar a esta população a falta que a CDU faz na gestão autárquica”, cuja ausência neste mandato “foi muito negativa para o desenvolvimento do concelho”. “Todas as questões que foram à Assembleia Municipal foram indevidamente tratadas, porque havia sempre um dos partidos que tinha alguma coisa que não poderia ir mais longe, porque seria acusado. Faltou uma voz independente que seria a CDU”, acrescentou.

Para o comunista, como voz da oposição, o CDS “estava comprometido com o PSD, como se veio agora a provar com a coligação, que não representa mais que uma tentativa de se promover à custa do PSD. É uma repetição do que nós temos no Governo e, como todos sabemos, infelizmente não é um bom exemplo”,

Paulo Queirós assegura que a CDU “é uma alternativa” com “ideias diferentes” e com uma só voz “no concelho, no distrito e no país” e “os outros não podem dizer o mesmo”.

A CDU ainda não tem candidatos a cabeças de lista para as freguesias e o processo promete não ser fácil com a iminente reforma administrativa e, consequente, agregação das freguesias.

 “Ser comunista é lutar pelas mesmas oportunidades”

Seis de março de 1921. Esta é a data de nascimento do Partido Comunista Português (PCP), acarinhada por todos os militantes que, ainda hoje, enfrentam “preconceitos do passado” defendendo uma “intervenção” que assenta “num projeto” que visa “uma sociedade mais justa e livre”, afirma António Gonçalves. É uma “batalha ideológica” travada “todos os dias” com a “dedicação e trabalho dos militantes”, continua.

A par da exposição que está patente na Casa da Cultura da Trofa, Atanagildo Lobo leu um excerto de uma obra de Ilse Losa, autora ligada ao PCP, para exaltar, com a voz embargada, “o património vasto” que o partido detém.

“Ser comunista é lutar para que todos tenham as mesmas oportunidades dentro do mundo da sociedade, do mundo de trabalho, da cultura, do desporto e em todos os campos da sociedade”, complementou Paulo Queirós.