Numa autêntica maratona, em três horas, Cavaco Silva conseguiu ontem de manhã passar pela Maia, pelo portinho de Angeiras, no concelho de Matosinhos, por Valongo, pela Lixa, e terminou a almoçar em Felgueiras.Em todas as localidades pouco mais fez do que, com paragens em jeito de ‘toque e foge’, ouvir votos de “boa sorte” e”felicidades” e gritos de “Cavaco à primeira”, devolvendo os incentivos com apelos contra aquele que entre a caravana é considerado o principal adversário: a abstenção.

Porque, conforme Cavaco Silva tem vindo a repetir, “o voto de cada um conta”, mesmo o dos dois noivos com quem se cruzou esta manhã em Valongo, que tiveram direito a uma fotografia especial e rara nos álbuns de casamento, ao lado do Presidente da República, que se recandidata nas eleições de domingo a um segundo mandato em Belém, e da mulher.

Já em Felgueiras, a intervenção de Cavaco Silva foi como que um resumo dos discursos que levou aos 18 distritos do continente e aos arquipélagos da Madeira e dos Açores, desde dia 03, numa”caminhada ao lado do povo” que conta já com mais de 4.500 quilómetros percorridos.

No concelho que o PSD finalmente conseguiu conquistar nas últimas eleições autárquicas, Cavaco Silva voltou a explicar o que em seu entender está em causa no domingo, dramatizando, tal tem vindo a fazer nos últimos dias, a necessidade de “não prolongar a campanha mais três semanas”, porque uma segunda volta das presidenciais teria custos para todos os portugueses, “desde logo pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro”.

Explicando os poderes do Presidente da República, que classificou já como “o provedor do povo”, o candidato apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP insistiu na necessidade do próximo inquilino do Palácio de Belém ser alguém experiente e que conheça bem a situação do país, dadas as “situações imprevisíveis” com que pode ser confrontado no futuro, no plano político, económico e social.

Porque esse não é o seu “estilo”, como já fez questão de frisar, de fora do discurso em Felgueiras ficaram quaisquer respostas àquilo que já chamou de “campanha de ataques e calúnias”dos seus adversários.

Optando por nunca responder diretamente aos “ataques e calúnias”, nomeadamente sobre o caso BPN que dominou toda a pré-campanha, Cavaco Silva não se coibiu, contudo, de ao longo das últimas semanas ir deixando críticas ao Governo, nomeadamente por terem faltado “as medidas certas no tempo certo”.

A pouco mais de 72 horas da abertura das urnas, o candidato que promete exercer “uma magistratura ativa”, apesar de confessar ter “pouco apetite” para usar a “bomba atómica” da dissolução do Parlamento, e que quer ajudar o país a encontrar “o rumo certo”, tem ainda pela frente dois comícios e as tradicionais arruadas em Santa Catarina, no Porto, e no Chiado, em Lisboa.

Em algum destes sítios não deixará por certo de se cruzar com uma iniciativa que acabou também por marcar de forma inesperada esta campanha: as manifestações contra os cortes nos apoios do Estado ao ensino particular e cooperativo.

foto: arquivo