Excerto de uma quadra de António Aleixo

A grande questão que se levanta no próximo dia 23 de Janeiro é se queremos continuar a trilhar este caminho que nos conduziu ao estado em que nos encontramos hoje, à recessão económica, ao aumento dos preços, aos cortes nos apoios sociais, às supressões nos salários e congelamento das pensões, às injustiças sociais e aos privilégios dos grupos financeiros, ou se pretendemos inflectir, mudar de direcção, de política e se iniciamos, ou não, essa mudança, agora. Se votarmos em Francisco Lopes damos esse passo. Afirmamos: Queremos uma mudança efectiva.

Acreditamos que há uma solução para Portugal e para os portugueses e portuguesas e lutaremos com confiança por esse futuro. A candidatura de Francisco Lopes é a única sem responsabilidades e completamente descomprometida com as políticas que nos transportaram para a péssima situação em que hoje se encontram os trabalhadores, o povo e o país. É a única candidatura que assume uma ruptura com a política que nos conduziu à destruição da produção nacional, à exploração dos trabalhadores, à abdicação nacional, às injustiças sociais. É a única que corporiza um projecto alternativo. É a candidatura patriótica e de esquerda. Uma candidatura que acredita nos trabalhadores, nos agricultores, nos pescadores, nos pequenos e médios empresários e comerciantes, nos jovens, nos homens e mulheres de Portugal na construção da liberdade efectiva, de um país melhor, de um Portugal com futuro.

Portugal e os portugueses debatem-se hoje com um dos períodos mais difíceis da sua história recente, consequência da política de abdicação da soberania nacional, onde sobressai a subordinação das decisões políticas aos interesses dos grupos económicos e financeiros. A preferência por políticas de direita levou à estagnação económica, à fragilização da produção nacional, ao violento agravamento do desemprego. Os outros candidatos, cada um à sua maneira, com os apoios que deram e os compromissos que assumiram, são igualmente culpados  pela crítica situação do País. Se interrogações existissem, a posição que tomaram quanto ao Orçamento de Estado para 2011, clarificou o que verdadeiramente são. Um a um deram o aval a este orçamento, Cavaco Silva apadrinhou-o, Defensor de Moura votou-o, Fernando Nobre disse que era o orçamento possível e Manuel Alegre considerou-o um mal menor.

A candidatura de Francisco Lopes é a única candidatura que emerge para a mudança, a esperança de um novo Portugal, mais justo e mais fraterno, aumentando a produção nacional, desenvolvendo a nossa agricultura e pescas, o sistema produtivo, criando mais emprego e mais riqueza e distribuindo-a de uma forma mais equitativa, apontando um novo rumo para a nossa pátria. A candidatura de Francisco Lopes é a única que garante a defesa dos serviços públicos, das funções sociais do Estado na Saúde, na Educação e na Segurança Social. A candidatura de Francisco Lopes é a única que assegura os direitos dos reformados e pensionistas e das pessoas portadoras de deficiência, os direitos e o futuro dos jovens e das novas gerações, os direitos das mulheres à igualdade na lei e na vida. A garantia de uma mudança efectiva e uma vida melhor para todos.

Que faria Cavaco Silva nos próximos cinco anos caso fosse eleito. Exactamente a mesma coisa. Apoiaria a mesmíssima política económico-financeira que conduziu e conduzirá a mais desemprego, a inferiores salários e pensões, a uma menor segurança no trabalho e ao aumento de impostos. Foi esta a política que Cavaco Silva apoiou e que continuará a apoiar. Cavaco Silva, apoiado pelo PSD e CDS, pelos grupos económicos e financeiros não passa de um dos maiores protagonistas da política de direita em Portugal. Exemplo da submissão do poder político ao poder económico, contribuiu decisivamente para a liquidação de Portugal como nação soberana e independente, para a imposição de sacrifícios ao povo português, para uma política ao serviço dos interesses, da gestão fraudulenta e criminosa, das mordomias, dos lucros e do poder dos grupos económicos e financeiros.

Bem pode Cavaco Silva fazer de conta que foi contra a política deste governo e vir agora prometer mundos e fundos… que …e ao jeito de António Aleixo “Se fazes tudo às avessas / P`ra que prometes tanto? / Não me faças mais promessas / Bem sabes que não sou santo”.

Guidões, 16 de Janeiro de 2011.

Atanagildo Lobo