Na altura em que se comemoram os cem anos da classificação do Castro de Alvarelhos como Monumento Nacional, o NT/TrofaTv foi conhecer as ruínas que muitos trofenses nunca visitaram.

O Castro de Alvarelhos é um dos maiores povoados do Noroeste Peninsular. Ocupado desde épocas muito remotas, provavelmente desde a Idade do Ferro, este que é considerado Monumento Nacional desde 1910, para muitas pessoas do concelho da Trofa, passa despercebido.

“A maior parte da população não tem a consciência do valor que está aqui neste lugar, porque este é um monumento classificado desde 1910 e, se calhar, mais de 50 por cento da população do nosso concelho ainda não veio ainda aqui ao Castro de Alvarelhos”, lamentou o vereador da Cultura, Assis Serra Neves.

O NT/TrofaTv foi visitar o Castro e conhecer de perto este monumento. O caminho até ao espaço faz-se vagarosamente. Os acessos são estreitos e sem sinalização, mas à entrada encontra-se a primeira igreja de Alvarelhos, com um cemitério associado que servia a Vila que ali estava instalada. Outrora um grande povoado, agora espera-se financiamento para dinamizar o espaço, esquecido entre a Quinta dos Aidos e a Quinta do Paiço, na freguesia de Alvarelhos.

“Houve vários projectos desde que tomámos posse, mas o último foi em 2009, altura em que estava prevista a construção de um centro de formação para os interessados na Quinta dos Aidos, mas que não foi avante por não conseguirmos tomar posse da quinta. A aquisição deveria ter sido feita em 2008 e não foi feita num tempo, se calhar, com mais possibilidades financeiras (da autarquia) e agora será naturalmente mais difícil”, adiantou o vereador.

Este é um projecto que ainda pode ser renovado, uma vez que o autarca anseia a dinamização do espaço. Entretanto, vão crescendo as ervas daninhas que ladeiam as estruturas desenterradas do Castro e que a autarquia corta de quando em vez.

Um forno de pão, a linha de canalização dos esgotos, as divisões das casas e as ruas renasceram e com alguma imaginação consegue-se visualizar o modo de vidas dessas populações. Quanto a objectos recolhidos poderão ser encontrados no Museu de Santo Tirso, bem como, na Casa da Cultura da Trofa. “Curiosamente uma das coisas mais importantes que nós encontramos foi um pequeno fragmento de uma taça, feita numa cerâmica muito dura com um verniz por cima, que é importante porque conhecemos as oficinas e os centros de produção e esta que nós encontramos imita o mármore e é muito rara. Sabemos que foi produzida em Lyon, em França”, explicou Gilda Pinto, arqueóloga da Casa da Cultura da Trofa. As ruínas são apenas a parte central do Castro que está disperso por todo o monte e por isso a arqueóloga apela à conservação desses espaços e dos materiais para que nada da história se perca.

Mas caso pretenda conhecer mais sobre o Castro de Alvarelhos, eis o desafio de Assis Serra Neves: “Deixo o desafio às pessoas para visitarem o Castro, as escolas e os grupos de pessoas e para isso basta inscreverem-se na Casa da Cultura para fazerem uma visita guiada”.

 

Centenário do Castro comemorado em Setembro

Este ano celebra-se o centenário da classificação do Castro de Alvarelhos como Monumento Nacional e depois de muito se questionar se a autarquia iria ou não comemorar esta data, Assis Serra Neves adiantou que a localidade onde se realizará a actividade ainda não foi definida, continuando a Câmara Municipal “disponível para desenvolver a iniciativa na freguesia de Alvarelhos”.

No entanto “está preparada para o último domingo de Setembro”, uma exposição sobre o Castro. O objectivo é fazer coincidir estas comemorações com as do Dia dos Monumentos e do Dia Mundial do Turismo.