A doação de documentos e fotografias da Casa da Torre da Maganha, feita pela Associação Maria de Fátima Moura ao Arquivo Municipal deu origem à exposição que, desde 27 de Julho e até ao dia 30 de Setembro vai estar patente na Casa da Cultura da Trofa.

 Com esta exposição documental e fotográfica, Hélder Santos, vereador responsavel pelo Arquivo Municipal pretende "estimular outras famílias, para que vejam aquilo que têm em casa, e nos possam contactar, para podermos organizar os seus arquivos privados, e quem sabe, termos uma exposição também sobre a história do arquivo privado dessa família".

A inauguração deste certame, decorreu na Sala de Exposições Permanente da Casa da Cultura, onde se encontram fotografias e documentos antigos, com textos explicativos, que ajudam o visitante a compreender a história trofense do século XIX.

No decorrer da apresentação, os técnicos da Câmara, foram explicando aos presentes, o modo como se processa o tratamento dos documentos já antigos,"é feita uma desparasitação, depois o documento é acondicionado num elemento físico que o possa preservar", referiram. Estas técnicas de conservação, segundo Hélder Santos,"estão de acordo com a legislação em vigor, garanto-lhes que não ficarão melhor preservados do que aqui e posso garantir que o tratamento que é dado aos documentos é um tratamento segundo procedimentos rigorosos, inclusivamente o acordo que assinamos com as famílias é um acordo que fica ao abrigo da legislação nacional".

Depois da visita à exposição, decorreu no jardim da Casa da Cultura, a leitura dos Autos de Doação de dois acervos, o de 70 documentos sobre a Casa da Torre da Maganha, propriedade de Luís Serra e o de 22 números do jornal O Trofense, propriedade de Costa Ferreira. Estes acervos, passam portanto a ser propriedade do arquivo municipal e estão disponíveis, na Casa da Cultura, para os quiserem ver.

Em entrevista ao NT, Luís Serra, mostrou-se satisfeito com a doação que "surgiu porque o Senhor Manuel Torres que é o dono da Casa da Torre, sabendo que eu era muito interessado neste tipo de investigações deu-me os documentos, mas eu em minha casa não tinha condições de os ter e achei por bem entregá-los a quem perceberia muito mais do que eu", explicou. Costa Ferreira, em relação à doação dos 22 números do Jornal O Trofense explicou que o fundador do jornal que possuía "era um tio da minha mulher, portanto eu tive a oportunidade de ter comigo bastantes exemplares desse jornal, já não existe, e depois lembrei-me que cada página desse jornal de 1927 ou 1928, é um retrato da vida social desse tempo, portanto através dessas páginas, as pessoas podem ter uma ideia aproximada da maneira de viver e de estar dos antepassados trofenses e concluí que o melhor local para eles ficarem era a Casa da Cultura da Trofa".

Segundo António Pontes, vereador do Pelouro da Cultura, estes são "dois bons exemplos que nós gostaríamos de ver replicados por outras famílias aqui do nosso concelho", acrescentando que "se houver alguém que tenha um acervo rico e que não queira desfazer-se dele, pelo menos que permita aos técnicos da Casa da Cultura fazer a digitalização, para que realmente toda a gente o possa consultar", e deixa o apelo "às famílias para pegarem no seu espólio particular, doarem à Casa da Cultura, para que ele seja preservado e para que nós nunca percamos aquilo que foi a nossa história, que é uma história extraordinária", concluiu.