Joaquim Ferreira saiu do executivo de Alvarelhos e Guidões, mas manteve-se na Assembleia de Freguesia. Carla Pinto é o novo membro da Junta.

Adelino Maia, presidente da Junta de Freguesia de Alvarelhos e Guidões, comparou a demissão de Joaquim Ferreira do cargo de vogal do executivo como um “divórcio amigável”. Em sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia, que teve lugar em Alvarelhos, a 3 de abril, o autarca explicou, seguindo a analogia, que a intenção foi “não fazer com que os filhos – alvarelhenses e guidoenses – sofressem”, explicando ainda que “a diferença” de opiniões com Joaquim Ferreira “não é recente” e que “quando o ambiente se torna pesado não se consegue trabalhar”. “Tentamos o melhor possível e, para mim, o entendimento a que chegamos é de louvar”, afiançou, felicitando Joaquim Ferreira pela atitude.

O ex-vogal, que foi substituído por Carla Pinto com seis votos favoráveis e três brancos, apresentou a demissão em carta enviada ao presidente da Assembleia, afirmando que “foi convidado pelo presidente a deixar o cargo” pelo facto de não ter sido criada “a empatia necessária para trabalhar numa equipa” e que vai voltar a ocupar o lugar na Assembleia de Freguesia. “Defendo um conjunto de ideias e soluções que entendo como as melhores para o futuro da União de Freguesias e não quero ser empecilho para ninguém”, refere na carta, onde também manifesta “convicção que a população de Guidões assim como a de Alvarelhos entenderão a decisão”.

Outro dos pontos que foi discutido na Assembleia foi a proposta de celebração do contrato de delegação de competências entre a autarquia da Trofa e a Junta de Freguesia, que foi aprovado com cinco votos dos eleitos pelo PSD/CDS e quatro votos contra dos elementos do PS.

Os socialistas, pela voz de Vítor Rocha, mostraram-se “muito preocupados” com o facto de a autarquia ter “retirado” cerca de “120 mil euros” das receitas correntes anuais, questionando o executivo sobre “como vai trabalhar com tão pouco dinheiro”. Os eleitos do PS consideram que Adelino Maia (absteve-se sobre o documento) e “os alvarelhenses e guidoenses eleitos pelo PSD e CDS” na Assembleia Municipal (votaram a favor) “não tiveram a coragem de ficar do lado das freguesias e da população”.

Vítor Rocha mostrou-se ainda desagradado com o facto de a União de Freguesias de “ter de fazer prova que o dinheiro não chega”, ao “contrário” de Bougado que “receberá mais 2600 euros por mês, precisamente a quantia que retiraram a Alvarelhos e Guidões”. “Cai por terra a primeira promessa do executivo camarário do PSD/CDS de tratar com igualdade todas as freguesias”, sublinhou.

“Não vamos baixar os braços enquanto esse dinheiro não chegar”

Em resposta, Adelino Maia, afiançou que sente a mesma “mágoa” do PS e que “votaria contra” caso não tivesse “a garantia do presidente da Câmara para estar descansado”. “Fiquei muito magoado, porque o dinheiro foi passado para capital e se sobrar não posso fazer nada com ele, ao contrário do que seria se estivesse em receitas correntes. Eu confiei no presidente da Câmara, mas não vamos baixar os braços enquanto esse dinheiro não chegar”, sublinhou.

Joaquim Ferreira quis intervir e, em defesa da autarquia, afirmou que “ninguém tirou nada a Guidões e a Alvarelhos” e que “o valor que vai chegar às freguesias é exatamente o mesmo”, apenas se verificou uma alteração de um valor que foi transferido de receitas correntes para receitas de capital. “Aumentaram como receita corrente para Santiago, mas retiraram o mesmo valor nas receitas de capital e a nós foi ao contrário”, frisou antes de reconhecer que “poderá haver um ajuste relativamente ao valor da receita corrente para com a União de Freguesia de Alvarelhos e Guidões”, uma vez que o valor atribuído “não será suficiente”.

No período de intervenção do público, Sérgio Araújo, membro do PSD/CDS na Assembleia Municipal, explicou que votou a favor do protocolo, porque “as contas são as mesmas” e que a Junta de Freguesia vai “ficar com o mesmo valor, porque o dinheiro foi transferido para despesas de capital”, garantindo que se a Câmara não cumprir, ficará “do lado” de Adelino Maia “para protestar”.

Já António Vieira sugeriu que, para comprovar “a lisura” de António Azevedo (vice-presidente da Câmara) e o restante executivo, se “devia apresentar uma obra a fazer com os dinheiros de capital, aprová-la na próxima sessão à ficar à espera que a autarquia disponibilize o dinheiro”.

Por seu lado, José Júlio criticou a postura da autarquia, acusando-a de “romper um acordo com os presidentes de Junta”, enquanto Adriano Teixeira aconselhou Adelino Maia a “estar muito atento” e a adotar uma postura “mais áspera, não se deixando manipular” pelo executivo camarário.

Joaquim Ferreira abstém-se na 1ª alteração da tabela de taxas e licenças

Na votação da primeira alteração da tabela de taxas e licenças, todos os elementos da Assembleia de Freguesia votaram a favor, à exceção de Joaquim Ferreira, que se absteve. Segundo Cristina Campos, vogal da Junta, a alteração deveu-se ao facto de o primeiro documento apresentar “discrepâncias entre as duas freguesias, nos cemitérios e com algumas taxas omissas”.

A “uniformização” dos valores a aplicar em Alvarelhos e Guidões foi aplaudida pelos socialistas. Vítor Rocha felicitou o executivo, no entanto, ainda considera “exagerado” o valor aplicado para a “concessão de terreno para capelas”.

Na intervenção do público, Joaquim Oliveira questionou Adelino Maia sobre “o que pretende fazer” relativamente às ruas das freguesias que estão num “estado lamentável” e cuja conservação passou para a esfera da Junta de Freguesia. Joaquim Oliveira considera que a Câmara acionou “tardiamente” a garantia bancária da obra de saneamento e com esse dinheiro “que deveria servir para repor as estradas e caminhos de Alvarelhos e Guidões a nascente do rio Aldeia”, preferiu usá-lo “na Estrada Nacional 14, à pressa, durante o mês de setembro” de 2013. Adelino Maia respondeu que reuniu com o presidente de Câmara a quem vai entregar o “levantamento” das ruas para que estas “sejam entregues da melhor forma” para que a Junta “possa gastar o dinheiro noutras obras” em vez de o canalizar na reparação das vias.