Grupo Caridade de S. Martinho, em Covelas, quer dar pão, agasalho e medicamentos a quem sofre de solidão na freguesia. Acto de dar é compensador, revelam voluntários.

Laurinda Martins não precisou de sair de casa para fazer um levantamento das pessoas que sofrem de solidão na freguesia de Covelas. Desde que nasceu que “alimenta” este “dom de Deus” que não a deixa “ficar indiferente” a esta realidade. Por isso, e por estar “muito ligada” à índole social da freguesia, aceitou o desafio que o pároco José Ramos e o Bispo Auxiliar do Porto, D. João Miranda, lhe lançaram há dois anos: criar o Grupo Caridade de S. Martinho. “A inexistência deste grupo era uma lacuna a nível paroquial. Procurei amadurecer a ideia e fez-se luz quando num passeio de mulheres, vi que estas podiam ser pedras preciosas para a organização do grupo”, explicou.

Feito o convite a toda a população nas eucaristias de um fim-de-semana, fez-se a primeira reunião com a presença do pároco e de 20 pessoas (18 mulheres e 2 homens). A nomenclatura do grupo sustenta o nome do padroeiro da freguesia, “que foi um bom exemplo de caridade”, explicou Laurinda Martins. A filosofia do grupo assenta nas obras de misericórdia, tendo como objectivo “chegar a todos sem excepção, para que em Covelas ninguém fique sem comida, agasalhos, medicamentos e uma presença amiga, particularmente os que estão impossibilitados de saírem de casa, quer pela doença quer pela idade”.

O grupo “não quer estar sujeito a papéis” e por isso não tem estatutos. No entanto, os elementos “elegeram” Laurinda Martins como presidente do projecto, assim como um secretário e um tesoureiro, que reúnem uma vez por mês. Actualmente, o grupo não tem fundo de maneio, mas já conseguiu “uma sala”, na residência paroquial, para reunir os géneros alimentícios e roupa que conseguir angariar.

Na paróquia, o peditório das missas que se realizem no primeiro fim-de-semana de cada mês vai reverter a favor do grupo, que “não quer aplausos”. “A solidariedade quer um pouco de visibilidade, enquanto a caridade passa pelo silêncio e pelo anonimato, trabalha na gratuitidade e na entrega aos outros”, sustentou Laurinda Martins.

Apesar de constatar que na freguesia “ainda não há pessoas a viver muito mal”, a responsável sabe que o problema, em Covelas, assenta na solidão: “Temos cerca de 50 pessoas que estão impossibilitadas de sair de casa”. Para dar uma palavra amiga, o grupo dividiu-se para fazer visitas a estas pessoas, revelando que este acto é compensador tanto para quem recebe como para quem dá. “No feedback que recebi dessas pessoas que fizeram as visitas, disseram-me que ficaram muito contentes e que se sentiram muito bem”, contou.

O grupo pretende ter uma “barraquinha” na festa de S. Gonçalo, que se realiza no último fim-de-semana de Janeiro, para angariar fundos. A ideia passa por vender rifas e oferecer brindes em troca. Mas para isso, o Caridade de S. Martinho precisa de apoios e já começou a contactar algumas empresas. “Se alguém quiser colaborar pode fazê-lo independentemente de ser de Covelas ou não”, frisou.

O grupo vai ainda distribuir um desdobrável para informar a população da freguesia da sua actividade e quer promover uma noite de música ao vivo, em Fevereiro, perto do Dia dos Namorados, para angariar fundos.