A Capela de Nossa Senhora das Dores tem uma história que remonta de há 241 anos. O pároco da freguesia, na altura, era o Abade Inácio de Morais Sarmento Pimentel e tinha como coadjutor o Rev. Hilário António de Faria, que exercia esse cargo desde 1748 e as memórias desse primeiro templo de Nossa Senhora não são extensas.

  A santa, conhecida como Nossa Senhora das Dores da Maia, era venerada por muitos e movia multidões, não só da cidade, como de concelhos limítrofes e regiões mais distantes. A parte externa do edifício sagrado não passaria de um modelo similar às restantes congéneres da altura, enquanto que interiormente, era composta de altar-mor e dois altares lateria, com as mesmas imagens que ainda hoje enfeitam capela, à excepção do exemplar de Nossa Senhora das Dores, que foi substituída por uma maior, aquando da construção do actual santuário.

 Reza ainda a história que foi em plena Romaria da Senhora das Dores, que o romancista Camilo Castelo Branco conheceu a heroína da sua novela, no qual figuram ainda "o Morgado de S. Martinho" e o "Barão de Vougado". Aliás, é pelas palavras de Camilo Castelo Branco que há a única referência à primeira capelinha. "Mostraram-na na Romaria da Senhora das Dores, entre as cavalheiras que verdejavam à beira de uma ermida que o leitor já viu talvez, perto da Carriça, por estes caminhos do Minho tão festeiro", escreveu o romancista.

A crescente devoção, obrigou à substituição do santuário com um século desde a sua fundação, que a cada dia se revelava mais pequeno, especialmente em época de romaria, no qual todos os devotos tinham dificuldade em entrar para rezarem à Santa ou cumprirem as suas promessas. O pequeno edifício acusou o desgaste do tempo até ao dia, em que se ergueu uma mais vasta e formosa capela, cujos custos da obra foram inteiramente a encargo do grande benemérito conde de S. Bento. Dirigidas pelo tesoureiro da Capela Félix Ferreira Maia, as obras do novo templo iniciaram-se em 1879, sem o menor conhecimento da Junta da Paróquia, que julgando que o dito tesoureiro estivesse a dispor a seu belo prazer e sem autorização, dos rendimentos da Capela, cuja Administração pertencia à Junta. Esta deliberou que interrompessem o prosseguimento das obras e exigiu que o referido tesoureiro lhe prestasse contas de todos os rendimentos e da respectiva aplicação.

Só depois de esclarecidas as verdadeiras intenções do tesoureiro, a Junta deu consentimento, uma vez que a iniciativa partiu do desejo e vontade do Comendador Ribeiro, benfeitor tirsense que já muito tinha contribuído para o apetrechamento do local, e que mais tarde seria conhecido como Conde de S. Bento.

Com o custo bastante avultado para a altura, quatro contos de réis, a capela ergueu-se, tendo-se incluído quatro sinos e três novas imagens: a Nossa Senhora das Odres para o altar-mor e as de S. João e de S. Manuel para o frontispício do templo. A cargo de Conde S. Bento ficaram também os custos da passagem superior sobre a linha férrea.

Gratuitamente os sinos da torre tocavam sempre que alguém perecia, o que rapidamente foi alvo de exagero dos populares, tendo a Junta encontrado uma solução, que também se tornou numa fonte de lucro. Era assim aplicada uma taxa a todos os interessados em que os sinos tocassem pelos seus finados, à excepção de Conde de S. Bento e sua família. Foi a 26 de Março de 1893, que eles tocaram o falecimento do benemérito tirsense.

De linhas sóbrias, mas elegantes, o Santuário é um ícone da cidade e motivo de satisfação de todos os trofenses, face à beleza ímpar, graciosidade e simbolismo histórico que carrega.

Há 44 anos a capela mor, com um estilo levemente abarrocado, foi sujeita a um revestimento com seis grandes e artísticos painéis em azulejos, que representam as seis primeiras dores da Nossa Senhora e ainda azulejos, da autoria do pintor Fernando Gonçalves, a revestir o templo, com motivos da paixão de Jesus.

Um obra de arte

Cento e treze anos separam a capela primitiva de Nossa Senhora das Dores da actual. Datada da instituição da devoção à Virgem, 1766, a primeira foi substituída, face ao desgaste natural do tempo e à pequena dimensão, face ao número cada vez crescente de devotos, pela actual que foi construída a encargo do benemérito tirsense Conde de São Bento, no ano 1879.

Com um altar-mor, dois laterais, público e restantes ornamentos de estilo barroco, bastante simplificado, a capela  está revestida por seis artísticos painéis que figuram as "dores" da Santa, e que foram elaborados pelo pintor Francisco Gonçalves.

A imagem da Senhora das Dores é uma escultura de madeira, dos fins de século XIX. A imagem virgem figura-a ferida por sete espadas no seu coração imaculado, dado ter sido trespassada por uma «espada de dor», aquando da Paixão e Morte de seu Filho, unindo-se ao seu sacrífico enquanto redentor e sendo por isso chamada pelos teólogos de Corredentora do Género Humano. É também seu símbolo o Terço das Lágrimas, com 49 contas brancas divididas em sete partes de sete contas cada. As imagens mais antigas, pertencentes ao primitivo templo, são mais pequenas e representam S. José, S. Joaquim, S. Braz e S. Bento.

O Santuário tem um só nave, com as paredes laterais revestidas por azulejos e os lambris ornamentados, na sua parte média, com uma panóplia de imagens que descrevem o suplício da crucificação de Jesus Cristo. Na parte superior de cada uma delas, ao centro, destacam-se dois painéis azulejados com as figuras da Assunção e da Coroação de Nossa Senhora.

Anunciação da Visitação, Nascimento de Cristo e Adoração dos Reis Magos são cenas bíblicas que figuram em vitrais ilustrados nas quatro janelas, duas em cada parede do Santuário.