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Com trajes a rigor, vozes afinadas e instrumentos tradicionais, o Grupo Danças e Cantares de Santiago de Bougado perpetua tradições que atravessam gerações.

A cozinha devidamente encenada, bem à moda antiga, anunciava o recuo no tempo. A lareira a confeccionar o jantar numa panela de ferro e os móveis, humildes e já gastos, convidavam os espectadores a viajar à freguesia de Santiago de Bougado de outrora. O público, presente em massa, mostrava expectativa e os “actores”, já familiarizados com a representação, contavam os minutos para subir ao palco.

Com trajes a rigor e munido de instrumentos à feição, coube ao grupo anfitrião da noite dar início ao rol de recordações, naquele que foi mais um Encontro de Cantares de Reis. Este é já o quarto Encontro do género organizado pelo Grupo Danças e Cantares de Santiago de Bougado, que mantém o objectivo a cada ano que passa. São tradições e costumes enraizadas na freguesia que se querem perpetuar, canções ancestrais e transversais a várias gerações e expressões populares de antigamente que se fazem chegar aos tempos de agora. “É das tradições mais importantes que a nossa freguesia tem e, desde que o começámos a fazer, é uma maneira de chamar e reviver as nossas tradições”, confirmou, em declarações ao NT, Manuela Moreira, presidente do Grupo Danças e Cantares de Santiago de Bougado. Este ano o grupo da terra contou com a colaboração de três grupos convidados para oferecer um serão tradicional ao público: Rancho Folclórico de Santa Marinha de Lousado, Grupo Folclórico Etnográfico de Brinca, de Coimbra, e Rancho Folclórico da Associação Cultural e Desportiva de Mindelo, de Vila do Conde.

Cantavam se o patrão desse licença”

Com vozes, mais ou menos afinadas, os cantadores batem à porta das casas nos dias que sucedem à festa da família e cantam as boas-vindas ao novo ano. Este é o fio condutor de uma história que, todos os anos, o Grupo Danças e Cantares quer contar aos bougadenses. “Os cantadores iam de porta em porta e as pessoas recebiam ou não, daí ter o cenário da cozinha porque as pessoas antigamente eram recebidas na cozinha, cantavam se o patrão desse licença e depois recebiam uma oferenda em géneros, nunca era em dinheiro naquela altura”, recordou Manuela Moreira.

As canções, que vão sendo recolhidas ao longo dos anos, são devidamente preparadas nos habituais ensaios do grupo e o cenário elaborado com materiais genuínos de outrora, assegurados por pessoas “antigas” da freguesia que os cedem gentilmente para a realização do Encontro de Cantares de Reis. E este parece atrair cada vez mais pessoas ao Auditório da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado. As cadeiras lotadas e os corredores laterais ocupados provaram o sucesso da iniciativa, a qual não a quiseram perder também António Azevedo, presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, e Assis Serra Neves, vereador da Cultura da Câmara Municipal da Trofa.

Organizador de eventos como um Concurso de Fotografia, a Tarefa Agrícola e a Feira à Moda Antiga, entre outros, o Grupo Danças e Cantares de Santiago de Bougado comemora este ano 25 anos de existência, estando já previsto um programa especial para assinalar a data, segundo Manuela Moreira.