Perto de 200 pessoas participaram na Caminhada Solidária em Guidões, com o objectivo de ajudar a Comissão Social de Freguesia a pagar a cadeira de rodas eléctrica entregue a José Manuel Silva. Iniciativa conseguiu juntar 1500 euros e juntamente com as ofertas de várias empresas, o valor em dívida já foi saldado.

Ainda não eram nove horas deste domingo e já dezenas de pessoas estavam junto à Igreja Paroquial de Guidões para participar na Caminhada Solidária, cujo objectivo era angariar verbas para pagar a cadeira de rodas eléctrica, entregue na semana anterior a José Manuel Silva e que lhe mudou a vida. Cerca de 200 pessoas calçaram as sapatilhas, vestiram os fatos de treino e as camisolas brancas oferecidas pela Comissão Social de Freguesia (CSF), organizadora da iniciativa, e angariaram perto de 1500 euros que vão ajudar a pagar parte do valor da cadeira de rodas.

Feitas as últimas inscrições e tirada a foto de grupo, era tempo de partir à descoberta de Guidões. Ao longo de seis quilómetros, iam-se trocando comentários sobre a importância da iniciativa: “Ainda bem que compraram a cadeira”, diziam uns, enquanto outros acenavam com a cabeça em sinal de concordância. O estado do tempo era outro tema inevitável: “Tantos dias de chuva e hoje está tão bonito, parece de propósito”, comentava uma senhora de idade com a colega de viagem. Mais à frente, outro grupo de caminheiros relembrava a necessidade de praticar exercício físico e lamentava que, hoje em dia, não houvesse muito tempo para andar a pé. Numa caminhada em zona rural, era quase obrigatório conhecer os caminhos em terra (que a chuva transformou em lama, que dificultava o andar), e apesar dos comentários sobre “o mau estado” das ruas, ninguém parecia importar-se com o calçado sujo. Afinal, o objectivo era “nobre”. A preocupação maior era mesmo voltar à Igreja, já que o Trofense jogava contra o Arouca às 11.15 horas e muitos queriam assistir à partida.

A meio do caminho, o presidente da ADAPTA (Associação para a Defesa do Ambiente e do Património na Região da Trofa), Cândido Novais, explicou ao NT o percurso da caminhada: o objectivo era passar por vários fontanários da freguesia, pois são um dos patrimónios mais ricos de Guidões.

Enquanto o grupo descia o lugar do Cerro, em conversa com a filha de José Manuel Silva, Linda Maia, esta confessou não dormir sossegada há vários dias, com a “ansiedade”. A oferta da cadeira veio “transformar” a vida do pai, que, confidenciou,“nunca tinha ido ao cemitério” desde a morte da esposa.

Cansados, doridos, sujos e muitos com os pés molhados, os participantes chegaram à Igreja. Os sorrisos e a sensação de dever cumprido compensavam tudo isso e mostravam que ainda existem “pessoas com o coração no lugar certo”, como frisou José Campos, presidente da CSF. O responsável confessou que ficou surpreendido com a adesão: “Estava à espera que as pessoas participassem, mas não em tão grande número”.

Posteriormente, e de acordo com fonte da Comissão, juntamente com as ofertas de várias empresas, o valor angariado com a caminhada serviu para saldar a totalidade da dívida. Desta forma, o “objectivo foi cumprido” e a Comissão vai, a partir de agora, continuar o trabalho com  “outras iniciativas para outras causas”.

“Aos que vieram, aos que apoiaram, aos que quiseram ficar no anonimato, aos que contribuíram e aos que patrocinaram, os nossos parabéns e um agradecimento muito sentido do senhor Manuel e da CSF de Guidões. Só assim é possível sermos sociais e humanos. Obrigado a todos”, referiram os membros, com a certeza de que mudaram a vida de uma pessoa para melhor.