O possível encerramento de várias valências no Centro Hospitalar do Médio Ave, unidades de Santo Tirso e Vila Nova de Famalicão preocupa as populações e autarcas dos concelhos da Trofa, Santo Tirso e Vila Nova de Famalicão. Administração do CHMA está confiante na manutenção das valências.

Foi através de um curto esclarecimento que a Administração do Centro Hospitalar do Médio Ave respondeu às questões colocadas, na semana passada, pelo Jornal O Notícias da Trofa sobre qual o futuro da unidade de saúde, tendo em conta a portaria nº 82/2014 de 10 de abril que estabelece os critérios de categorização dos serviços e estabelecimentos dos Serviço Nacional de Saúde.

A Administração do CHMA considera que “na interpretação da classificação atribuída ao CHMA pela Portaria publicada – Grupo I, não resulta percetível, numa análise de boa fé, a retirada de serviços a este Centro Hospitalar, amplamente especulada nos últimos dias na comunicação social”.
No documento enviado pode ainda ler-se que “o Conselho de Administração tem colaborado com a tutela na elaboração de um Plano Estratégico para o período 2013-15, que salvaguarda a manutenção da atual prestação de cuidados, assim como também considera o alargamento e melhoria de cuidados de saúde em função das necessidades evidenciadas pela população das nossas áreas de influência e garante o Conselho de Administração estar “convicto que o reconhecimento do empenho e da competência dos profissionais do CHMA continuará a ser validado pela tutela, conforme aconteceu recentemente com na escolha deste Centro Hospitalar como unidade piloto em Portugal para um inovador projeto de informatização do serviço de urgência, que visa melhorar e diferenciar a prestação de cuidados de saúde aos portugueses”.

Contactado o serviço de imprensa da Câmara Municipal da Trofa e até à hora do fecho desta edição não foi possível obter uma reação do presidente da Câmara Sérgio Humberto à retirada de serviços de saúde à população da Trofa, servida pelas unidades de Famalicão e Santo Tirso do CHMA.

Por seu lado a Câmara de Famalicão fez saber que “ tomou conhecimento que o Governo está a preparar a reorganização dos serviços e estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde por via da Portaria nº 82/2014, publicada em Diário da República a 10 de abril, e que classifica o Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA) no Grupo I. A primeira reação do Município à portaria foi de apreensão, sobretudo pela não inclusão no Grupo I da valência da obstetrícia, se bem que em momento algum do documento se indique que essa valência não possa fazer parte desse grupo. Em todo o caso, essa não referência foi o suficiente para alertar as instituições locais para uma eventual saída da maternidade do Hospital de Famalicão”.

Através de comunicado o Município Famalicense fez também saber que “ o Ministro da Saúde veio a público afastar a possibilidade de encerramento de maternidades, ainda que possam ocorrer ajustamentos nos cuidados de saúde que são prestados pelos hospitais públicos. Também a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) afastou essa possibilidade dizendo categoricamente que “a portaria não determina fechos de maternidades”, adianta.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão garante que vai “continuar a salvaguardar os interesses do Município e de todos os famalicenses e, caso seja confrontada com eventuais alterações, tudo fará para chamar a atenção dos responsáveis do Ministério da Saúde para a importância da manutenção de todos os serviços no CHMA, um hospital que deve ser reconhecido pela sua importância regional e pela qualidade dos serviços que presta”.

Já o Socialista Joaquim Couto, presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso em declarações ao jornal O Notícias da Trofa considera retirada de mais serviços às populações “ uma coisa absurda por termos assistido a fechos de serviços públicos do estado desde repartições das finanças, tribunais, correios e outras instituições, algumas delas novas, inauguradas há um ano, dois, três ou talvez menos e portanto há aqui uma inversão, menos estado, de menos serviços prestados a cidadãos, uma diminuição das responsabilidades do estado. O autarca adianta ainda que “ sou daqueles que pensam que isto não pode acontecer ou não deveria acontecer e temos de esperar por um próximo governo para eventualmente repor a situação, não nos termos que estava anteriormente mas em que o estado assuma as suas responsabilidades, mesmo que seja um estado mais racional, um estado menos gastador, não pode deixar de prestar aquilo que é da sua responsabilidade”.

Quanto à possibilidade de agendar reuniões com membros do governo o autarca foi claro “Eu tenho uma opinião muito crítica sobre esse tipo de demarches e sobre esse tipo de solicitações de reuniões, os governos governam e as câmaras municipais governam cada uma no seu nível é claro que pode haver sempre mais ou menos reivindicação com mais ou menos protestos mas a questão é que eu enquanto presidente da Câmara Municipal tenho os próprios canais o diálogo possível com a estrutura do estado seja ela regional ou de caráter nacional, temos tomado algumas iniciativas desse género. Não vejo grande vantagem acrescida pela publicitação e manifestação pública desse diálogo e dessas demarches com os membros do governo”. Joaquim Couto adiantou ainda que o Governo, através do Ministério da Saúde deveria devolver as Unidade de Santo Tirso e de Vila Nova de Famalicão às Misericórdias e construir um hospital de raiz numa zona central que permitisse servir a população de Santo Tirso, da Trofa e de Vila Nova de Famalicão”, concluiu.