Autarquia chamou as associações trofenses, juntas de freguesia e instituições para explicar as medidas de austeridade e os cortes que terá de fazer já a partir de 2012 nas transferências e nas despesas.

Não é só o País que estará debaixo de fortes medidas de austeridade nos próximos anos. Também o município da Trofa vai ter de cortar nas despesas para fazer face aos cerca de 66 milhões de euros de dívidas e responsabilidades assumidas pela Câmara. A autarquia da Trofa e a consultora Deloitte apresentaram, esta quarta-feira, à população e instituições do concelho, a situação financeira do mais jovem concelho do País, apontando o caminho da diminuição da despesa como a única saída possível para resolver o endividamento excessivo.

As contas não são difíceis de fazer, mas os cortes, esses sim, são difíceis de implementar e de receber. De acordo com a consultora Deloitte a autarquia tem compromissos e dívidas assumidas de 66 milhões de euros dos quais cerca de 13 milhões são dívida a fornecedores, 1,4 milhões são dívidas a Instituições Sem Fins Lucrativos e cerca de 21,5 milhões de euros são dívidas aos bancos. A autarquia deve ainda às juntas de freguesia e às empresas municipais, Trofáguas e Trofa-Park, que têm, por sua vez, uma dívida considerável de 10,6 milhões de euros e 4,6 milhões, respetivamente. Guilherme Monteiro, consultor da Deloitte, explicou que só com cortes profundos nas despesas é possível tirar a Câmara do sufoco financeiro. O consultor adiantou que a autarquia está em “pré-insolvência e se fosse uma empresa estava insolvente”.

Apresentadas as dívidas e perante a estupefação dos presentes, os técnicos da Deloitte adiantaram que o único caminho a seguir é o da austeridade e dos cortes na despesa que já em 2012 têm de ultrapassar os 4,5 milhões de euros. Esses cortes terão de ser feitos nos vencimentos dos trabalhadores, onde a Câmara espera poupar mais de 1,5 milhões de euros através dos cortes no subsídio de Natal e férias, corte de horas extraordinárias, reforma de colaboradores entre outras.

Já no que diz respeito à aquisição de bens e serviços, a Câmara pretende cortar nas despesas cerca de 24,1 por cento. Mas a austeridade vai fazer- se sentir também na transferência de verbas para as juntas de freguesia e para as associações que deverão baixar substancialmente nos próximos anos.

Joana Lima, presidente da autarquia, adiantou que os sacrifícios que estão a ser pedidos têm de ser cumpridos, lembrando “os cortes e a grande poupança feita em 2010 e em 2011”, mas adiantando que “estes cortes não chegam e teremos de cortar ainda mais”.

A autarca garante que os cortes vão ser feitos e “se tivermos de pagar custos políticos, que assim seja”. 

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