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Foi calorosa a receção que António José Seguro teve na noite de quarta-feira, no jantar de mulheres socialistas e simpatizantes que se realizou num dos pavilhões próximos do Intermarché, na Trofa.

O secretário-geral do PS antecipou-se a António Costa, adversário nas primárias – que esteve na Trofa na sexta-feira – e voltou pela segunda vez ao concelho, na campanha às primárias, contando com o apoio de cerca de 600 mulheres, algumas oriundas de Braga, Maia, Santo Tirso, Vila do Conde e Penafiel.

O caminho até à mesa era curto, mas demorou largos minutos, tal foram os beijos e os abraços que as participantes quiseram dar ao candidato, que ao lado teve Joana Lima, um dos nomes fortes do PS da Trofa, e Teresa Fernandes, trofense e presidente da Departamento Federativo das Mulheres Socialistas (DFMS) do Porto.

Depois de, nas eleições autárquicas Seguro lhe ter demonstrado total apoio, foi a vez de Joana Lima retribuir com um discurso de campanha ao voto no secretário-geral, nas eleições primárias de 28 de setembro.

A socialista garantiu que “não” é “daquelas que está metade de um lado e metade do outro”, mostrando “convicção” nas “qualidades e competências” de António José Seguro. E exemplificou com o projeto-lei que este apresentou para a redução do número de deputados na Assembleia da República de 230 para 180. “Eu própria posso ser penalizada, mas eu não estou aqui para defender o meu interesse pessoal, mas sim o interesse público. Pelo contrário, alguns já deram ao rabo, porque têm medo de perder o lugar”, afirmou.

A socialista defendeu Seguro das críticas oriundas do seio do partido pela declaração de demissão caso tivesse de aumentar impostos: “É assim mesmo que eu quero confiar num homem. Ele sabe bem o que diz e, se o disse, é porque conhece bem o país”.

Enquanto Isabel Coutinho, líder do Departamento Nacional das Mulheres Socialistas, disse que o apoio de Seguro nas primárias “é a luta” da sua vida, Teresa Fernandes, do DFMS do Porto apelidou-o de “amigo da Trofa” e asseverou que “esta é a hora de agradecer e retribuir todo o apoio” que deu “pelo trabalho árduo no terreno e persistência, pela procura contínua de união, defesa dos valores socialistas, proximidade às bases e ao povo e pela credibilização da classe política”.

Cristiana Rocha, da Juventude Socialista, usou uma metáfora para mostrar apoio a Seguro. Falou da rosa, símbolo do partido, afirmando que o secretário-geral “plantou, regou e cuidou”. “Os espinhos da rosa estão naqueles que, depois do comboio já em andamento, vem reclamar que serão melhor maquinistas para o país”, asseverou, numa clara referência a António Costa.

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Igualdade de género, economia e separar a política dos negócios

Rodeado de mulheres – e alguns homens como Marco Ferreira, líder do PS Trofa, e Miguel Tato Diogo, mandatário de candidatura -, António José Seguro falou da igualdade de género. O candidato mostrou “orgulho” por ter sido “o primeiro político em Portugal a apresentar, numa eleição nacional, uma lista completamente paritária (metade homens, metade mulheres)” e propôs-se a “acabar com as políticas de discriminação salarial”, medida que está presente no acordo de concertação estratégica que subscreveu, assim como “trabalhar para combater todas as formas de violência doméstica”.

O discurso prosseguiu com o anúncio das medidas, já a pensar nas eleições legislativas. António José Seguro quer dar um “motor” à economia, mas não daqueles “que gripe e ande devagarinho”. O “plano de reindustrialização” que apresentou é o combustível e assenta em três eixos: um ligado a setores como têxteis, calçado, moldes e mobiliário, outro dirigido para a agricultura e o terceiro associado à era digital.

O modo de financiamento da economia, diz, será feito com uma conjugação de “investimento público através de fundos comunitários e investimento privado”, exemplificando com a barragem do Alqueva que permitiu que investidores apostassem na produção de azeite e, num espaço de dez anos, Portugal se tornasse “autossuficiente” nesse mercado.

O combate à promiscuidade entre política e negócios é uma das bandeiras de António José Seguro. As “11 propostas” que apresentou para “tornar mais clara a fronteira” entre o interesse público e o privado já conta com “resistências”, referiu. “Sabemos que uma parte dos instalados quer que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma”, asseverou. Além da redução para 180 o número de deputados na Assembleia da República, Seguro quer dar a “possibilidade aos portugueses de escolher o deputado, poder contactá-lo e pedir-lhe contas durante o exercício do mandato”.

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O socialista quer também que “todos os deputados, incluindo os que exercem advocacia, refiram na declaração de interesses quais as entidades e clientes para os quais trabalha”.
“Aqueles portugueses que trabalham para o Estado, assessorando-o em concursos de privatização ou concessão não podem, depois, trabalhar nas empresas que ganharam essas privatizações e essas concessões”, defendeu.

O número de simpatizantes inscritos para as primárias – 150 mil – também foi exaltado por António José Seguro, que se “orgulha” por ter apresentado a proposta de abrir a eleição à sociedade civil, e não só a militantes. Para o socialista, este sufrágio vai “marcar uma das páginas ais nobres da democracia portuguesa”. “Para quem diz que os portugueses não gostam de participar, aí está a resposta”, sublinhou.