jaime togaO país – e em particular a nossa região – vive uma acentuada crise económica e social, de há vários anos a esta parte, agravada pela situação internacional que o governo apenas assumiu no último trimestre do ano passado mas, fundamentalmente, consequência das políticas desenvolvidas pelo PS nestes últimos quatro anos e meio.

A destruição da nossa produção (da nossa indústria e o abandono da agricultura), o empobrecimento relativamente ao País e à UE, o aumento do desemprego e da pobreza e atraso cada vez maior em relação a outras regiões – e mesmo a outros concelhos vizinhos – são as consequências mais visíveis de uma política que não difere muito da assumida pela Câmara Municipal.

Os dados oficiais são cruelmente esclarecedores. No sector primário, entre o final de 2004 e o de 2006, o número de empresas sofreu uma redução de 6,8% na região do Porto, quando no país se ficou 2,9%.

No que se refere às indústrias transformadoras, vemos que, no mesmo período, a redução do número de empresas no distrito foi de 12% quando no país foi de 10,6%.

Já no sector do comércio, a proliferação de grandes superfícies, sem qualquer regra e o abandono do comércio tradicional tem provocado a agonia a muitos pequenos comerciantes que já quase não ganham para a renda do seu estabelecimento.

Com esta realidade, o desemprego constitui, sem qualquer dúvida, um dos maiores problemas sociais do concelho, do distrito e do país.

Segundo os últimos dados do IEFP, relativos a Maio deste ano, o número de desempregados no distrito era de 116350, correspondendo a 13% da população activa, valor este muito superior à taxa média de desemprego do País que se fica pelos 10%.

Mas no concelho da Trofa, o desemprego atinge cerca de 3500 pessoas, o que representa uma taxa de desemprego de 17%, bem superior à taxa de desemprego do país.
Sublinhe-se que a informação prestada pelo IEFP não corresponde ao desemprego real, porquanto apenas considera aqueles que estão inscritos nos centros de emprego.

Se fizermos a comparação entre períodos homólogos, isto é entre as taxas de desemprego de Maio do ano passado e Maio deste ano, temos que enquanto o desemprego no País aumentou 27,3%, no concelho da Trofa o desemprego subiu 35% no último ano, sendo as mulheres claramente as mais afectadas, representando quase dois terços da população desempregada no concelho.
A consequência óbvia e dramática é o empobrecimento das pessoas.

Se em 1995 na Região do Vale do Ave (Nut III em que a Trofa se integra) o poder de compra representava 82,1% da média nacional, segundo os dados mais recentes do Eurostat, referentes a 2006, esse valor baixou para 73,9%.
Agora, tomemos como base a média da UE. Neste caso, em 1995, o poder de compra no Vale do Ave representava 61,6% e, em 2006, esse valor passou a ser de 56,4%.

Bem pode o PS tentar dizer que está a diminuir as desigualdades sociais, que a realidade comprova que não é assim.
Bem pode o PSD e Bernardino Vasconcelos afirmar que tem como prioridade a criação de emprego, que a realidade mostra algo bem diferente: o comércio tradicional agoniza enquanto as grandes superfícies continuam a abrir, a ALET ainda não saiu do papel e continuamos a assistir a empresas que saem do concelho para se instalar em concelhos vizinhos.

Uma ruptura clara com estas políticas é a condição indispensável à mudança a sério. Não estamos condenados a assistir a esta triste realidade.
Lembremos que os deputados da CDU foram os únicos a apresentar na Assembleia da República as propostas que defenderam no concelho.
Usemos o voto para dar força a quem está e esteve com a população e os trabalhadores nos bons e nos maus momentos.

Jaime Toga