Comida típica portuguesa, com caldo verde, bacalhau com todos e salada de frutas estiveram em cima da mesa da Casa Lopes, em Guidões. Com um cenário repleto de amigos, militantes e simpatizantes, a CDU (Coligação Democrática Unitária) não deixou passar em branco a “tradição de há quase 40 anos”, em que o partido começou a juntar-se nesta data para jantar. No total, marcaram presença cerca de 60 pessoas, estando presentes alguns “simpatizantes do Partido Socialista”.
Segundo Paulo Queirós, membro da comissão política do PCP da Trofa, este evento faz “aproximar ainda mais o povo às comemorações e àquilo que o 25 de Abril simboliza e quer significar”. “O povo é quem mais ordena e é um bocado esse conceito da paz, o pão, a habitação, a saúde e a educação que precisamos e que lutamos para que seja cada vez mais uma realidade. São esses objetivos que fazem com que estejamos todos juntos para festejar Abril”, referiu. No entanto, o comunista não deixou de denotar que, “cada vez mais se tem sentido nos últimos anos que as forças fascistas têm procurado esbater aquilo que foi conquistado em Abril”.
Já Atanagildo Lobo, também membro desta comissão política, salientou a importância do 25 de Abril como o “fim do regime de ditadura”. “Conquistaram-se os direitos laborais, os direitos sociais como o Serviço Nacional de Saúde, o direito à escola pública, etc”, disse, não deixando todavia de afirmar que tem havido um “retrocesso em relação aos valores que Abril trouxe”. Por essa razão, este é um “tempo de celebração mas também para dar ânimo e força” na luta pelas “melhores condições de vida a todos os portugueses e, sobretudo, às camadas laboriosas e reformados, que têm sido explorados ao longo destes últimos três ou quatro anos, nos seus direitos e nas muitas coisas que tinham e deixaram de ter”, destacou Atanagildo Lobo.
Questionado sobre o futuro do concelho da Trofa, o comunista espera que “as coisas mudem”. “Aquilo que se está a ver é muita propaganda, muita publicidade. Ainda hoje passei na Trofa e vi um grande cartaz de publicidade dos parques da cidade, vive-se muito das aparências”, salientou. Para o membro do PCP, a realidade passa por “trazer o metro para a Trofa, requalificar as estradas das freguesias periféricas, como é o caso de Guidões e do Coronado, e lutar, por exemplo, para que o Rio Ave venha a ser despoluído”, concluiu.PCP luta pela freguesia
de Guidões
Durante o jantar, Atanagildo Lobo comunicou ainda ao NT que o PCP vai apresentar “a partir de maio”, na Assembleia da República, um projeto de lei para que a freguesia de Guidões volte a ter autonomia administrativa.