Depois do fecho do mercado, Nuno Lima, gerente executivo da Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQ) do Trofense, abordou, em entrevista ao NT, quais os objetivos da equipa sénior para a época 2014/2015, assim como as dificuldades financeiras.

O Notícias da Trofa (NT): Qual é o objetivo do Trofense para a época 2014/2015?
Nuno Lima (NL): Respondendo objetivamente, como sempre o fizemos, o nosso objetivo mínimo e principal da época é assegurar a manutenção na 2ª Liga. Queremos um rendimento e uma regularidade diferente da época passada, que nos permita fazer um campeonato tranquilo e sem grandes sobressaltos. Ao nível da Taça da Liga tínhamos como meta passar a 1.ª fase da competição, algo que conseguimos de uma forma brilhante, 4 vitórias em 4 jogos, e agora vamos tentar ultrapassar na 2.ª fase o primodivisionário Moreirense, numa eliminatória a duas mãos. Na Taça de Portugal queremos ultrapassar todas as eliminatórias, cujos adversários sejam da nossa divisão ou inferior.

NT: Com o fecho do mercado, o clube conseguiu as aquisições necessárias pela equipa técnica?
NL: No planeamento da época, definimos em conjunto com a equipa técnica formar um plantel equilibrado, com soluções para todas as posições, num total de 26 jogadores. Com a chegada do último reforço, o avançado João Pedro Santos, o nosso plantel passou a ter 26 jogadores, incluindo o Rogério, júnior de primeiro ano, inscrito na equipa profissional. Globalmente, e tendo em conta o nosso orçamento, inferior à época passada, conseguimos realizar um bom trabalho e conseguimos aproximarmos-nos muito daquilo que era o plano inicial. Sentimos muitas dificuldades em negociar com os jogadores, relembro que a média de salários líquidos do nosso plantel ronda os 900 euros, mas mesmo assim fomos o suficiente competentes para fazer acreditar que o nosso projeto será uma mais-valia para a carreira dos jogadores. Mantivemos a espinha dorsal da equipa que terminou a bom nível a época passada, reforçamos com jogadores de enorme potencial e qualidade e recrutamos na nossa formação mais jogadores que serão o presente e o futuro da nossa equipa. Apesar de jovem e com pouca experiência de 2.ª Liga, pensamos ter formado um plantel à medida das nossas necessidades e objetivos.

NT: Portanto, acha que tem um plantel para cumprir o objetivo?
NL: Sinceramente, pensamos que sim e os oito jogos oficiais já realizados até ao momento são um sinal de afirmação. Contudo, temos de considerar a valia dos nossos adversários. É um facto que a competição da 2.ª Liga é conhecida pelo equilíbrio, mas todas as equipas, incluindo as equipas promovidas do Campeonato Nacional de Seniores, reforçaram-se com jogadores experimentados no futebol profissional de 1.ª e 2.ª Liga. Não consideramos este facto uma desvantagem para nós, mas pode fazer a diferença em certas alturas da época. Depositamos muita confiança nas qualidades e competências do mister Porfírio Amorim e da sua equipa técnica para transformar o nosso plantel numa equipa competitiva e equilibrada. O mister Porfírio Amorim é um mestre em conseguir extrair o que os jogadores têm de melhor e nesse aspeto estamos completamente tranquilos. É muito importante para o nosso projeto conseguirmos criar bons ativos que gerem receitas extraordinárias. Do ponto de vista da sustentabilidade do Clube, tendo em conta os compromissos com o plano de recuperação, torna-se quase obrigatório realizar dinheiro com a venda de jogadores todas as épocas.

NT: Os primeiros jogos deram alento e esperança para alcançar algo mais?
NL: Sentimos que os primeiros jogos da época criaram muita ilusão nos nossos adeptos. Os resultados chegaram com segurança e preconcebeu-se a ideia que esta equipa tem de ganhar os jogos todos, independentemente do adversário. É lamentável sentir a cobrança negativa que o nosso treinador e os nossos jogadores têm sentido nos últimos jogos em casa. Para além de representar um comportamento completamente desajustado, é um fator de perturbação para a nossa equipa. Não somos imunes a críticas, mas não é tolerável ouvir críticas depreciativas e insultos durante um jogo quando estamos a discutir o resultado independentemente do adversário. Todos nós preferíamos que o Trofense ganhasse todos os jogos a jogar bem e com margens confortáveis, mas essa não é a realidade e seria muito bom que os nossos adeptos percebessem de uma vez por todas a realidade do Clube. Os treinadores e jogadores têm a total confiança dos responsáveis do Clube e estão até ao momento dentro dos parâmetros de rendimento definidos inicialmente. Nós, responsáveis do Clube, temos a perfeita noção das capacidades e limitações do nosso plantel e projeto. Não vamos em ilusões, mesmo sabendo que a derrota na 1.ª jornada frente ao Benfica B ficou manchada por erros de arbitragem que prejudicaram o Trofense e tiveram influência no resultado, como o empate na 2.ª jornada frente a um grande candidato à subida (Tondela) e a derrota na 3.ª jornada frente à Oliveirense que se deveu à falta de eficácia, porque fomos superiores e voltaram a acontecer erros de arbitragem em prejuízo do Trofense. Pedimos serenidade e seriedade nas avaliações ao rendimento da nossa equipa.

NT: Na época passada, o Preciado destacou-se. O porquê da sua não renovação?
NL: É uma história com muitos contornos, mas que nada tem a ver com as qualidades futebolísticas do jogador. Por nossa vontade e vontade do jogador, o Preciado faria parte do plantel 2014/2015 do Trofense. O jogador pertence aos quadros do Clube Equatoriano “Club del Valle” e chegou ao Trofense na época passada através de uma parceria que contemplava uma compensação financeira pela valorização do jogador, em troca do empréstimo por uma época. O Trofense cumpriu com a sua parte, mas houve um incumprimento da outra parte. Mesmo assim, o Trofense disponibilizou-se para assegurar a continuidade do jogador esta época, mas os detentores do passe e os empresários do jogador criaram a ilusão que o jogador seria vendido por uma verba bastante significativa. O processo arrastou-se e a poucos dias de fechar o mercado chegou-nos uma proposta de empréstimo para a colocação do jogador que nada dignificava aquilo que o Clube já tinha feito e poderia vir a fazer pelo jogador. Para além do incumprimento da época passada, queriam colocar o jogador em condições nada vantajosas para o Clube. Como o Trofense é gerido de dentro para fora e não de fora para dentro, fizemos prevalecer os interesses do Clube e contra a vontade inicial do jogador acabou por assinar pelo Leixões.

NT: É notório que, em relação à época passada, os patrocinadores são praticamente os mesmos. Como é que o clube se consegue gerir financeiramente?
NL: Cada vez está mais difícil gerir o Clube financeiramente. Temos lutado arduamente pela diminuição das despesas, mas ao mesmo tempo as receitas continuam a cair. Estamos perante um impasse diretivo na Liga que aumenta a dimensão do problema. No orçamento para esta época incluímos as verbas recebidas da Liga na época anterior, respeitantes à participação na Taça da Liga, ao patrocinador da 2.ª Liga, à participação das equipas B e à deslocação às ilhas, e perante este cenário de completo descrédito e de incertezas sobre o rumo que a Liga tomará, tememos que a nossa sustentabilidade financeira desta época possa estar em risco. Estamos atentos à situação, mas as notícias vindas a público sobre a falta de liquidez da Liga para continuar a suportar as despesas das competições deixa-nos muito apreensivos e preocupados. Não é concebível que esta situação se tenha arrastado para depois do início das competições. Sabemos que não será um problema tão grande para os Clubes da 1.ª Liga, mas para os Clubes da 2.ª Liga é uma enorme dor de cabeça. Por isso, custa-nos perceber o porquê de tanta passividade. De uma vez por todas, os Clubes da 2.ª Liga têm de se unir, deixando amizades, ligações e relações de lado, e moverem-se para encontrar uma solução para os problemas. Nas tão faladas eleições de junho, a maioria dos Clubes de 2.ª Liga apoiava um candidato que se comprometeu a aumentar consideravelmente as receitas provenientes da Liga e passados dois meses continuam serenamente à espera não sabemos bem do quê. É no mínimo preocupante. Quanto às restantes receitas, os patrocinadores oficiais mantiveram o seu apoio, foram vendidos até ao momento menos lugares anuais e há menos sócios com as quotas em dia. O panorama não é favorável, mas vamos continuar a trabalhar para encontrar soluções para os nossos problemas.