Foi com o objetivo de avaliar questões relacionadas com o transporte de doentes, que se realizou, na noite de quinta-feira, dia 5 de janeiro, uma reunião de trabalho entre corporações e Federação de bombeiros, no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários da Trofa.

As alterações ao transporte de doentes e o que isso causaria na vida dos corpos dos Bombeiros Voluntários do distrito do Porto foi o tema central desta reunião. “Uma polémica que estava adormecida” mas, devido à crise  que se faz sentir, muito tem preocupado as associações.

Por essa razão, foi discutida uma proposta que será entregue às entidades competentes. Segundo José Miranda, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto, o que a proposta reivindica é “simples”: “Que o Ministério da Saúde pague a despesa que é imputada com o transporte de doentes. Compreendemos o momento de crise que vivemos e também sabemos que não podemos fazer exigências megalómanas. Queremos uma política real e que sejamos ressarcidos da despesa que nós temos com o transporte de doentes”, frisou, garantindo que “a eterna negociação” entre as partes envolventes acabou.

Caso esta situação não se venha a resolver, José Miranda prevê que muitas associações fechem portas, o que trará um grande transtorno para as populações, porque se as corporações de bombeiros não tiverem capacidade financeira para suportar os custos do transporte de doentes, estes ficam sem se poderem deslocar. O que na opinião do presidente da federação “é gravíssimo”. “Nós somos instituições que emanamos das comunidades, existimos para colmatar as falhas do Estado, que devia corresponder às necessidades das populações, e neste momento, por via daquilo que é o contexto, nós corremos o risco de deixarmos de poder continuar a servir a população”, finalizou.

Este é um problema que também preocupa a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, que tem “lutado com medidas numa gestão rigorosa” que permita manter o quadro de trabalhadores. Apesar de esta associação conseguir manter o transporte de cerca de 105 doentes diários, Pedro Ortiga preocupa-se com o futuro. “Estas negociações são importantes, são vitais para aquilo que vai ser o futuro do serviço de transporte de doentes não urgentes. Não está colocada em causa, neste momento, a situação dos funcionários, aqui posso tranquilizá-los. É óbvio que há medidas restritivas e estamos a falar já desde o ano passado. Isto não é público, mas também não é segredo que não fizemos atualizações salariais”, afirmou.

Outro dos pontos abordados foi o valor que é pago por quilómetro, pela Administração Regional de Saúde do Norte, no transporte de doentes, que segundo Pedro Ortiga está muito aquém do valor real dos gastos. “Aquilo que se faz passar para a opinião pública, de que os bombeiros são devidamente subvencionados e que são pagos por todos os serviços que prestam, é uma completa falácia. E o que estamos aqui a falar é de serviços que são efetivamente pagos, claramente abaixo do seu custo real e que faz com que haja um esforço adicional por parte das associações de bombeiros. Também a da Trofa faz uma ginástica rigorosa para conseguir equilibrar esta balança e assim suportar todas as responsabilidades”, salientou Pedro Ortiga.

Caso esta situação não se venha a resolver, a corporação trofense também terá de tomar algumas medidas. “Diria que, neste momento, nada está colocado de parte. Agora temos uma responsabilidade social que também não colocamos de parte, que é o serviço de urgência, os serviços hemodialisados e a questão oncológica, que são por nós salvaguardados. Não procuramos apenas a vertente financeira e desumanizada do serviço de emergência ou do serviço de transporte de doentes e isso sempre caracterizou a nossa associação. Também não podemos deixar de estar solidários com aquilo que é uma posição reivindicativa clara de algo que não seja mais do que comparticipar os custos de uma atividade efetiva, custos efetivos que têm que ser pagos. Eu diria que neste momento, todos os cenários estão em aberto, salvaguardando obviamente as situações como já referenciei de emergência”, finalizou.

O presidente da Federação espera que seja tomada uma medida, homogénea, para todo o país.

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