O distrito do Porto está “preparado” para a época de fogos 2010. Esta é a convicção dos agentes de Protecção Civil que participaram na apresentação do Dispositivo de Combate a Incêndios Florestais, que decorreu no sábado, no Governo Civil do Porto.

“Um Porto e um Portugal sem fogos depende de todos”. Esta foi a principal mensagem deixada na apresentação do Dispositivo de Combate a Incêndios Florestais do Distrito do Porto, onde participaram várias entidades de Protecção Civil.

Num ano em que o Inverno foi mais chuvoso, propiciando o crescimento da vegetação que no Verão seca e constitui o melhor combustível, haverá um “reforço da filosofia do ataque inicial” e o principal objectivo é a diminuição das ignições. Isto porque em 2008 as cerca de 2500 ignições contrastaram com as quase sete mil em 2009.

“Neste momento, no todo nacional e aqui no distrito do Porto a máquina de Protecção Civil tem-se revelado altamente preparada para todo o tipo de respostas e por isso, mais uma vez, abraçará este desafio, num Verão que se prevê difícil, porque choveu imenso durante este Inverno, o que fez crescer muito a vegetação e que agora com o calor e por força da acção do sol apresenta um potencial de perigo bastante elevado”, avançou Isabel Santos, Governadora Civil do Porto à margem da reunião.

Mas para a época de fogos 2010 o dispositivo de combate “está preparado”. “Planeámos os meios, planeámos a estratégia e estamos com o dispositivo pronto para o empenhar”, frisou Teixeira Leite, Comandante operacional distrital.

“O dispositivo e o sistema integrado têm que funcionar muito bem” e, por isso, “quem detecta os incêndios tem que, imediatamente, os comunicar a quem tem que os apagar”, advertiu o comandante.

Neste Verão, o fogo só estará extinto depois de rescaldado “para evitar os reacendimentos” e devido às alterações climatéricas o funcionamento do dispositivo irá prolongar-se até 31 de Outubro.

E para o combate a incêndios, Isabel Santos garante que “não há falta de meios”, uma vez que o QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) tem sido “uma porta para a resolução de muitos problemas existentes”, adiantou. Assim sendo, “esta será uma área onde não haverá cortes”, uma vez que é “uma área essencial e fundamental porque visa a protecção dos cidadãos e dos bens”, acrescentou.

Na Trofa, Pedro Ortiga, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, não tem dúvidas de que “há um caminho já percorrido naquilo que é a missão e as capacidades operacionais e técnicas, quer de equipamentos, quer dos recursos humanos” do corpo de bombeiros. Mesmo assim, não descarta as possibilidades de haver um constante “aperfeiçoamento”, até porque considera que a associação tem apenas “os meios possíveis para o combate a incêndios”.

Mais de quatro mil bombeiros, homens e mulheres, trabalham diariamente nas mais de 40 associações humanitárias espalhadas pelo distrito. Na Trofa, durante a fase Charlie, considerada a mais complicada (meses de Julho, Agosto e Setembro), estarão em permanência no quartel dos Bombeiros Voluntários da Trofa 10 elementos, apoiados por dois carros e ainda durante oito horas diárias a Equipa de Intervenção Permanente (EIP), composta por cinco homens. Os soldados da paz serão ainda auxiliados pela equipa de Protecção Civil da Câmara Municipal da Trofa e pelas Brigadas Móveis.

E porque apenas “três por cento dos incêndios têm ignição natural”, Portugal terá que estar especialmente atento para que se possa diminuir este flagelo. Não fazer fogueiras, nem queimadas e alertar as entidades responsáveis ao mínimo sinal de fogo, são os principais conselhos.