Os Bombeiros Voluntários da Trofa serão “ressarcidos das despesas” com o material destruído durante o combate aos incêndios. Esta é a garantia dada pelo Governo Civil do Porto.

“Todas as despesas relacionadas com os incêndios florestais são pagas pela Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC), após o período dos incêndios o corpo de Bombeiros da Trofa irá ser ressarcido das despesas referidas mediante a apresentação de factura”. Foi desta forma que a Governadora Civil do Porto, Isabel Santos, assegurou que os Bombeiros da Trofa podem ser reembolsados pelas despesas com a reparação e aquisição de material para substituir o que foi danificado recentemente no combate a incêndios, não só na Trofa, como em vários concelhos da região.

A governadora civil do Porto explicou que “os prejuízos são reportados através de relatório elaborado pela Corporação, onde consta a lista do material destruído bem como as causas da destruição”. Depois de apresentado este relatório e as referidas facturas, os Bombeiros da Trofa vão receber o valor despendido com a recuperação do material danificado ou com a aquisição de equipamento de substituição.

A governadora civil avançou também que “existem verbas a disponibilizar, a nível nacional, através dos Programas Operacionais Regionais (POR) do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional), encontrando-se a CCDR-N (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte) sensibilizada para desenvolver as acções tendentes à abertura de candidaturas (para aquisição de equipamentos e viaturas), as quais estarão sujeitas ao regime de concurso internacional”. Paralelamente, o Ministério da Administração Interna – tendo em conta as dificuldades surgidas com a candidatura para aquisição de 95 viaturas desencadeada em 2008, a nível nacional, pela ANPC e que visa a distribuição de cinco viaturas por distrito – encontra-se a ultimar uma proposta de alteração ao regulamento das candidaturas ao POVT (Plano Operacional Temático Valorização do Território) para apresentação junto da União Europeia.

Maria Isabel Santos fez questão de sublinhar que “o Verão 2010 tem sido especialmente exigente para todos os agentes de protecção civil e em especial para as corporações de bombeiros voluntários do distrito do Porto”. “Não nos temos cansado de acentuar, nas diversas deslocações às frentes de combate, o excelente trabalho desenvolvido pelos homens e mulheres que, diariamente, dão o melhor de si próprios em defesa de um bem comum como é a floresta”, atestou.

 

Associação em processo de reestruturação administrativa

Perante isto, Pedro Ortiga, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa (AHBVT), já fez saber que “a Associação está a desenvolver os processos administrativos conducentes à recuperação dessas despesas, tendo inclusive, e desde o início deste ano, iniciado uma reestruturação administrativa que vai garantir uma maior percentagem de recuperação destas despesas de todo expressivas”. O responsável realça, ainda, que “estas despesas, de acordo com a circular da ANPC, serão disponibilizadas apenas em Novembro, implicando capacidades de tesouraria da Associação expressivas”. Acrescem a esta situação “os custos de combustíveis e com alimentação (almoços, jantares e reforços alimentares), que, embora reembolsáveis, nalguns casos não o são integralmente, face aos custos reais existentes”.

Quanto às verbas a disponibilizar, a nível nacional, através dos POR do QREN, Pedro Ortiga afirma que a Direcção da AHBVT “mantém um acompanhamento atento às propostas de alterações de regulamento apresentadas, na expectativa que estas possam permitir uma candidatura com sucesso” por parte da mesma. “Refira-se que, relativamente às viaturas de combate a incêndio florestal, as quatro existentes já ultrapassaram todas o tempo de vida útil previsto pelo próprio ANPC, acarretando custos de manutenção elevados e pondo por vezes em causa a operacionalidade das mesmas”, acrescentou Pedro Ortiga.

Concordando com a Governadora Civil sobre a severidade desta época de fogos, o presidente da AHBVT acrescentou, no entanto, que “o mês de Agosto, no concelho da Trofa, registou um número de incêndios superior ao de 2009, um ano em que já tinham sido registados números bastante superiores a épocas anteriores”. “Este problema deve levar à reflexão de todos os que intervêm, não só na área de combate, como na prevenção e na actuação, para situações de ilegalidade perante as nossas florestas”, sugeriu. “Felizmente”, a corporação da Trofa “tem permitido que o dispositivo montado funcione, com a actuação de cerca de uma centena de homens em várias ocorrências diárias, muitas vezes em horas coincidentes”.

Pedro Ortiga aproveitou a oportunidade para deixar “um bem-haja para todos os que lutam até à exaustão por um património florestal, lesando fortemente os próprios e as suas famílias sem retirarem algo que possa compensar tal esforço”.