Muitas foram as pessoas que acederam ao convite do grupo Bike4Life e participaram no passeio solidário, na manhã de domingo, 6 de julho, que tinha como intuito angariar bens alimentares para entregar aos Vicentinos de Santiago e S. Martinho de Bougado.

Nas inscrições, os participantes podiam optar por um Raid de BTT de 25 quilómetros, um passeio de BTT ou uma caminhada de 10 quilómetros. O valor da inscrição tinha um custo mínimo de dois bens alimentares. No total participaram “cerca de 200 pessoas”, que aliaram o desporto à solidariedade, tendo sido possível angariar “500 quilos de bens alimentares”.

Segundo Hélder Castro, do grupo Bike4Life, o Passeio Solidário “surgiu de uma simples forma”, tendo o grupo chegado “à conclusão que vale a pena fazer tudo para ajudar”. Miguel Santos acrescentou que o evento “correu muito bem”, tendo o “feedback dos participantes sido bastante positivo”. “Toda a gente realçou que através de apenas dois géneros alimentares conseguiram usufruir de uma prova fantástica, muito bem organizada e conheceram mais e melhor os terrenos da Trofa”, completou.

Também Henrique Santos, do grupo de betetistas, contou que o Bike4Life está “a trabalhar” numa próxima iniciativa. Mas antes, vão “por em cima da mesa o que correu bem e mal” e “se calhar no próximo ano” vão dinamizar a 2.ª edição do Passeio Solidário, em que “as associações poderão ser outras ou, poderão ser as mesmas e outras”. “São questões que vamos ter que falar entre todos e decidirmos entre todos”, explicou.

Já Hélder Castro reforçou que “sem dúvida nenhuma que os Vicentinos mereceram e merecem toda a ajuda possível”, sendo que “se num próximo evento surgir a oportunidade de os ajudar outra vez, será feito com certeza”.

Os 500 quilos de bens alimentares foram divididos, tendo sido entregues 250 quilos aos Vicentinos de Santiago e aos de S. Martinho de Bougado. A entrega dos bens foi feita simbolicamente no palco da ExpoTrofa no domingo à noite.

Para Jaime Gomes, dos Vicentinos de S. Martinho de Bougado, esta é “uma ajuda muito preciosa, porque os Vicentinos têm um trabalho muito difícil na rua, nas casas, nas pessoas que não têm dinheiro para pagar a luz, o gás e a renda”. “Nem que seja só um quilo. Os 250 quilos numa semana desaparecem, mas depois temos que comprar óleo que falta, o leite. Tudo o que as pessoas possam dar podem ter a consciência absoluta que fazemos o nosso melhor, damos sempre o nosso máximo para que as pessoas sejam bem servidas. Tudo o que nos é dado também seja bem distribuído”, referiu.

“Ultimamente”, os Vicentinos de S. Martinho de Bougado têm recebido “contactos de ajudas de muitas pessoas”, em que os membros vão a “casa das pessoas para conhecer realmente qual é o problema”. “Vamos conhecer a pessoa e esta também tem que evoluir e mostrar que tem vontade em querer melhorar, desenvolver e trabalhar para não precisar da ajuda de ninguém. Há muita gente que se começa a habituar que os Vicentinos têm dinheiro e os vão ajudar”, demonstrou, contando que têm “muita gente” a os ajudar e quando “precisam de alguma coisa ou até de dinheiro têm muitas firmas” que “dão por amor, por conhecerem o trabalho e terem confiança” nos Vicentinos.

Também José Vasconcelos, dos Vicentinos de Santiago de Bougado, asseverou que esta é “uma boa ajuda”, sendo que “todas as iniciativas que conseguem fazer é uma boa ajuda preciosa”. “Os 250 quilos, que fosse dez, cinco, um pacote, dois ou qualquer alimento, faz sempre a diferença. Para quem esteve presente, como eu estive, a acompanhar e a participar é uma alegria ver esta juventude toda a participar e a colaborar e a alegria que sentem a colaborar. Dá-nos ânimo, porque sabemos que o futuro tem que ser diferente e vai ser diferente, porque vemos os jovens empenhadíssimos”, salientou.

Todos os meses, os Vicentinos de Santiago sentem “sempre uma dificuldade”, porque têm “um universo muito grande de famílias que ajudam”, conseguindo ajudá-las, porque o “trabalho Vicentino não é dar de comer às pessoas, nem pagar faturas”, mas sim “visitá-las e acompanhá-las na solidão”. “Quando visitamos as pessoas, como um amigo que entra para conversar, verificamos que são pessoas que ou não têm comida ou não têm como pagar as suas faturas. Não ficamos insensíveis a isso e movimentamo-nos para ajudar essas pessoas. Por isso é que os Vicentinos são muito procurados e requisitados, porque são os vicentinos que estão no terreno e só assim é que se consegue ver a realidade das pessoas”, concluiu.