O Conde de S. Bento é uma figura ilustre e de destaque no Concelho de Santo Tirso.

  O bicentenário do seu nascimento não poderia passar despercebido. Para assinalar o momento, a Câmara Municipal de Santo Tirso, em parceria com a Irmandade e Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso, organizaram um programa comemorativo sobre o bicentenário do nascimento do notável Conde de S. Bento. Estas comemorações, iniciadas no passado dia 28 de Agosto, em Vila das Aves, encerram, em Santo Tirso, no próximo dia 28 de Setembro. 

PROGRAMA 

10h00  Conferências sobre o Conde de S. Bento – Parte I

            Museu Municipal Abade Pedrosa

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    . Prof. Dr. Jorge Alves – “A emigração oitocentista para o Brasil, o caso de Santo Tirso”

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    . Prof. Miguel Monteiro – “O Conde de S. Bento no Museu da Emigração e das Comunidades”  

 

14h30  Conferências sobre o Conde de S. Bento – Parte II

            Museu Municipal Abade Pedrosa

     . Dr. Nuno Olaio – “Os brasileiros de torna-viagem de Santo Tirso”

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    . Dr. Padre Francisco Carvalho Correia – “O Conde de S. Bento,

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    o mapa geográfico e sóciocultural da cidade de Santo Tirso”

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    . Dr. Henrique Fernandes Rodrigues – “Imagens da emigração oitocentista: uma análise às cartas do destino”. 

16h30  Visita Guiada à Exposição “O Conde de S. Bento e o seu Legado”,

     Centro Cultural de Vila das Aves 

 

21h30  Concerto com o Coral da Misericórdia de Santo Tirso e o Ensemble Vocal Pró Musica  

            Igreja Matriz de Santo Tirso 

 

Neste dia estará disponível a medalha comemorativa, da autoria de Avelino Leite, lançada a 28 de Agosto no Centro Cultural de Vila das Aves, onde também está patente, até 28 de Setembro, a exposição documental “O Conde de S. Bento e o seu Legado”. 
 

O Conde de S. Bento

Manuel José Ribeiro nasceu em 28 de Agosto de 1807, na Quinta de Poldrães, em S. Miguel das Aves. Perseverante, tentou, pela primeira vez, aos onze anos emigrar para o Brasil. Iniciou a sua vida profissional no comércio, com o apoio de compatriotas como José Bento da Silva. Em 1837 estabeleceu-se por conta própria, constituindo nas décadas seguintes uma assinalável fortuna. Após várias viagens à Europa, decidiu regressar a Portugal, fixando-se, a partir de 1874, em Santo Tirso. No Brasil deixou à frente dos seus negócios o sobrinho José Luís de Andrade. Em Portugal, a actividade benemérita cedo lhe granjeou louvores e reconhecimento público. Em 1875 foi agraciado com a comenda de Nossa Senhora da Conceição e, em 1881 e 1886, recebeu, respectivamente, os títulos de Visconde e Conde de S. Bento. 

O Conde de S. Bento deixou marcas indeléveis na vila e concelho de Santo Tirso, que ainda hoje persistem, como prova da visão estratégica que as suas acções revelaram, testemunhando uma actuação que em muito ultrapassou a do comum brasileiro endinheirado. A sua acção compreendeu a realização de várias obras de caridade, bem como, o apoio a inúmeras instituições locais, regionais e na sua pátria de emigração, o Brasil. O Conde distribuiu a sua generosidade por várias instituições do Norte do país, nomeadamente na cidade do Porto (Santa Casa da Misericórdia, Ordens de S. Francisco e da Trindade), e em Matosinhos, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Braga e muitos outros lugares. No Brasil apoiou instituições de Stª. Maria de Belém do Pará (Colégio de Nª.Sª do Amparo e a Real Sociedade Portuguesa Beneficente e o Hospital dos Lázaros de Tucunduba). 

Em Santo Tirso procurou melhorar as condições de vida dos seus conterrâneos, propiciando a construção de um hospital, apoiando a construção de escolas em vários locais do concelho, assim como projectos de cariz social e cultural. Entre outros, incentivou a constituição da Santa Casa da Misericórdia, a formação de um Montepio Tirsense, e a criação de uma corporação de bombeiros voluntários. A nível cultural apoiou a Sociedade Dramática Garrett, a criação da Banda do Conde de S. Bento, a qual se apresentava todos os domingos ao público no coreto da antiga Praça 29 de Março (actual Praça Conde de S. Bento, em Santo Tirso). A acção filantrópica deste brasileiro teve ainda repercussão no património edificado do concelho, contribuindo para as obras de recuperação de vários templos (entre outros, a Igreja de S. Miguel das Aves, Igreja de Areias e a Igreja Matriz de Santo Tirso). Em 1882 adquire o antigo Mosteiro de S. Bento e as suas quintas. Nesta época impulsiona e apoia, um conjunto de obras de grande relevância para a sua comunidade como a escola primária (1886) e o hospital de Santo Tirso (1891). O Conde de S. Bento cedeu ainda terrenos para a urbanização da vila de Santo Tirso, assim como para a construção do Parque D. Maria II.  

A 28 de Agosto de 1892 foi alvo do reconhecimento público, com a inauguração da sua estátua em Santo Tirso, pelas entidades oficiais do concelho, pelos seus amigos, de aquém e além mar (Brasil), e pela Irmandade e Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso. O Conde de S. Bento viria a falecer no ano seguinte, a 26 de Março. 

A obra do Conde de S. Bento continuaria a ganhar raízes através do seu legado testamentário, executado pelo sobrinho José Luís de Andrade, ele próprio brasileiro de torna-viagem. Em 1894 José Luís de Andrade celebrou um acordo com a Irmandade e Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso, legando os bens do Conde com a obrigação de se cumprir o seu legado, concretizando duas obras de grande relevo: a construção de um Asilo Agrícola (actualmente conhecido como Escola Agrícola) assim como a criação de uma fábrica que empregasse cinquenta pessoas da freguesia de Santo Tirso (concurso ganho em 1896 pela antiga Fábrica de Fiação e Tecidos de Santo Tirso).