É bi-campeão nacional de ciclocrosse e reside na Trofa. Celestino Pinho foi também o vencedor da primeira edição da Taça de Portugal e já venceu uma prova na Galiza, Espanha.

Sabia que o vencedor das duas edições do campeonato nacional e da primeira Taça de Portugal de ciclocrosse reside na Trofa? Pois é, Celestino Pinho não passa despercebido em S. Mamede do Coronado, quando todas as manhãs sai de casa na sua bicicleta para treinar. As pessoas sabem que é ciclista, mas a maioria desconhece que está perante um profissional, que é bicampeão nacional de ciclocrosse.

A viver no concelho da Trofa há três anos, Celestino Pinho, natural de Avintes, Vila Nova de Gaia, está ligado ao ciclismo desde os oito anos. Começou no BTT, na equipa BiciCastro, passando para a “estrada” no Ramalde, onde ficou dois anos.

Prosseguiu na Barbot-Torrié onde esteve sete ou oito anos e chegou a profissional, passando também pelo Paredes até ao Louletano, onde chegou a ser colega de equipa de Daniel Silva, outro ciclista trofense que
atualmente corre no Boavista. Como profissional participou em sete edições da Volta a Portugal e nessa fase deixou de lado o ciclocrosse: “A primeira vez que fiz ciclocrosse foi, mais ou menos, há dez anos, fiz um bom ano e uma época inteira. Depois deixei de fazer, porque tinha muitas corridas e chegava ao inverno (época do ciclocrosse) e não queria andar de bicicleta, mas descansar. Mas, no ano que estive no Paredes, encontrei lá um amigo, Zavala, que também era um aficionado pelo crosse, que me incentivou para tornar a fazer e aceitei o convite. A partir daí, pratiquei todos os anos”, contou, em entrevista ao NT.

Com 28 anos, o atleta é uma referência na modalidade e, no dia 15 de janeiro, revalidou o título nacional na categoria de elite, na Quinta Loureiro Velho, em Fermentões, terminando a prova com 58 segundos de vantagem sobre o 2º classificado, Tiago Ferreira. Uma semana antes, a 8 de janeiro, tinha conquistado a primeira edição da Taça de Portugal, em Vila do Conde.

Considerado o “melhor especialista português” em ciclocrosse, Celestinho Pinho admitiu que o troféu que mais gozo lhe deu foi o conquistado na Taça Galega, em Espanha, há dois anos. “Foi uma época em que havia muita concorrência e fiquei muito feliz”, referiu. Esta época, voltou a participar na prova, mas terminou em 2º lugar.

Há diferenças que distanciam as competições de estrada do ciclocrosse: “É necessário um treino muito específico e com mais séries. É preciso treinar muito o montar e desmontar da bicicleta, correr a pé e fazer uma espécie de corta-mato”. Celestino Pinho treina três dias por semana, entre quatro a cinco horas, e recupera nos restantes até ao dia da corrida.

Na época passada, os grandes oponentes – maioritariamente oriundos do BTT – como Tiago Ferreira ou Mário Costa, começaram a dar mostras de querer dar luta no campeonato nacional, o que obrigou Celestino a “arrepiar caminho”. “Tive de trabalhar mais. Em vez de treinar três horas, passei para quatro e cinco horas diárias. Eu penso que se eles trabalhassem da mesma maneira que eu para o crosse, seriam melhores que eu, porque são ciclistas de BTT, estão habituados à técnica e eu sou um ciclista de estrada”, contou.

Costuma treinar no Parque da Cidade do Porto, que “tem muitas condições e é um sítio excelente”. Para garantir o sucesso, Celestino também conta com  uma ajuda preciosa nas “boxes”. O seu cunhado, Afonso Azevedo (antigo ciclista profissional trofense), é, em tom de brincadeira, o seu “mecânico”, auxiliando-o nas questões logísticas e durante a partida, quando é necessário “lavar a bicicleta e colocar óleo”. Depois de participar em dez corridas, Celestino Pinho vai encostar as três bicicletas que possui e descansar até à próxima época.

Como objetivo, o atleta tem “fazer corridas mais importantes”. “Há provas, aqui tão perto, que se tivesse mais condições e o apoio da Federação, podia fazê-las, perfeitamente. Gostava de fazer corridas internacionais, mas a que mais me fascinava era o Mundial, mas sem o apoio da Federação é complicado”, explicou. Garante que, hoje em dia, o ciclismo “não compensa”, porque a modalidade “está a atravessar muitas dificuldades”, mas admite continuar a ser “um vício”. “Continuamos a trabalhar e a lutar, porque gostamos e habituámo-nos à vida de ciclista. Temos sempre aquela esperança que vá melhorar, mas não está fácil”, desabafou. Celestino Pinho não tem nenhum ídolo, mas confessa que admira alguns atletas belgas, que “são muito bons”.

Agora, já sabe, se um dia vir passar um ciclista bem equipado, pode sempre estar perante o único bi-campeão nacional de ciclocrosse. E decore o nome, Celestino Pinho, porque promete ainda dar muito que falar.

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