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Edição 727

Batota e despesismo: como o executivo de Sérgio Humberto viciou o resultado das 7 Maravilhas da Cultura Popular

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O espanto demonstrado por alguns dos meus conterrâneos, a propósito da batota despesista levada a cabo pelo executivo camarário, que, sabemos hoje, viciou o resultado da votação das 7 Maravilhas da Cultura Popular, causa-me alguma estranheza. Porque a batota e o despesismo, patrocinados pela sufocante factura fiscal que Sérgio Humberto impõe aos trofenses, sem a qual o seu número de ilusionismo financeiro cairia por terra, são uma constante do regime vigente. E são muitos, os exemplos de batota e do despesismo que marcam estes sete anos de governação da CM da Trofa. A eles voltarei em breve.

A história deste estranho caso de viciação de resultados e de má despesa pública é fácil de contar. Com a credibilidade deste executivo a rastejar pelas ruas da amargura, desde a tentativa de imposição de um aterro sanitário aos trofenses, negociado na penumbra e que só não se consumou porque o povo descobriu e protestou a tempo, para não falar nos julgamentos que envolvem Sérgio Humberto e Renato Pinto Ribeiro, ambos arguidos em casos gravíssimos, o primeiro no âmbito da Operação Éter, que investiga crimes de peculato, corrupção e abuso de poder, entre outros, o segundo no âmbito da utilização indevida de fundos camarários no caso do CD Trofense, que remete para o desvio de verbas destinadas às camadas jovens do clube da nossa Terra, que continuam a estudar num contentor sem condições, urgia encontrar uma manobra de diversão que retirasse o foco das alhadas em que presidente e restante entourage se iam envolvendo. E o concurso das 7 Maravilhas da Cultura Popular permitiu a manobra perfeita, caída do céu, que garantiu, ainda que por um curto espaço de tempo, um balão de oxigénio que permitiu ao executivo respirar.

Este executivo – e qualquer pessoa que acompanhe o seu percurso o sabe – é exímio a pôr em prática as melhores tácticas de propaganda, que, habitualmente, vemos ser empregues por regimes autoritários. O recurso recorrente ao discurso populista, o culto do chefe, as encenações para a fotografia, ora com o presidente da mangueira na mão a simular que está a limpar o chão da escola, ora do vereador a simular que está a limpar o rio, as fotos de campanha emocionalmente manipuladoras, com idosos e crianças, ao melhor estilo estalinista, a criação artificial de um inimigo comum (não dele mas da Trofa, porque, como qualquer líder que se julga absoluto, tende a confundir-se com o território que governa), ou, por outras palavras, quem se opõe ao presidente, a quem a narrativa se refere como “aqueles que não gostam da Trofa”, e quem o apoia, que são, claro está, “aqueles que gostam da Trofa”, são alguns dos muitos exemplos que poderiam ser enunciados. A demagogia e o populismo já chegaram ao ponto de, em plena Assembleia Municipal, Sérgio Humberto referir que “daria jeito” se Marcelo Rebelo de Sousa fosse à China “visitar o coronavirus”. Trump não diria melhor.

Estamos, portanto, perante um profissional do populismo, capaz de ombrear com André Ventura. Um populista que precisava, desesperadamente, de mobilizar a população e retirar da ordem do dia o aterro de Covelas e os processos judiciais que o envolvem a si e a outros sob sua alçada. E a eleição dos Santeiros, que trazia consigo a vantagem extra de poder cavalgar a onda da fé e da devoção, num concelho de raízes profundamente católicas, caiu-lhe, literalmente, do céu. Pelo que era preciso apostar todas as fichas. Era preciso inundar as redes do município e dos oficiais do regime com o tema, era preciso promovê-lo até à exaustão , era preciso tirar o incómodo autarca do Coronado do caminho e era imperativo que a vitória não escapasse. E como Sérgio Humberto e restante corte não acreditavam nessa possibilidade, decidiram usar quase 75 mil euros para viciar os resultados, arrastando os Santeiros, gente digna e de enorme talento, para o lamaçal político, manchando o seu bom nome e o bom nome da Trofa, que, uma vez mais, é alvo de chacota e notícia pelos piores motivos em grande parte da imprensa nacional.

Reparem que este é o mesmo Sérgio Humberto, coadjuvado pelo mesmo grupo de pessoas, que, numa recente Assembleia Municipal, consideraram a proposta do Partido Socialista, para apoiar as famílias trofenses durante a pandemia, de despesista, populista e demagógica. Uma proposta em linha com aquelas que, aplicadas noutros concelhos, foram alvo de elogio das Nações Unidas, como é o caso do concelho vizinho de Famalicão, governando pelos exactos mesmos partidos que governam a Trofa. Ou seja, na lógica deste executivo, apoiar famílias trofenses em dificuldades com reduções temporárias de impostos é populismo e demagogia. Gastar 75 mil euros do erário público para viciar o concurso das 7 Maravilhas da Cultura Popular, num momento em que tantos trofenses passam por sérias dificuldades, sem saber como pagar as contas do mês seguinte, é um bom investimento. Nada que surpreenda, para quem já demonstrou não ter qualquer problema em usar recursos públicos para promover a sua imagem ou a sua rede de amigos e companheiros de partido. Apenas a batota e o despesismo do costume.

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Memórias e Histórias da Trofa: Pragas e epidemias a proteção divina

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Vivemos um período da nossa história, onde a indefinição e sobretudo o sobressalto penetram no nosso pensamento e não nos permitem ainda imaginar o tão desejado regresso à normalidade.

Os dias passaram a semanas e as semanas passaram a meses, sem que a situação atual e também a futura parece que tenha sido completamente percebida pelas comunidades, com demasiadas perguntas e receios e poucas respostas. Até possível assumir que exige mais ruído que respostas concretas.

Um pequeno exercício de introspeção permite perceber se em 2020, ainda existem dúvidas, receios e os famosos “vendedores da banha da cobra”, não esquecendo que ao longo da humanidade, o ser humano teve de se deparar com estes mesmos problemas. A comunicação nesta fase da história vive um momento de grande prosperidade e agora imaginem que sem essa comunicação como se poderia viver e combater uma epidemia, mas, foi isso que aconteceu sobretudo na entrada da idade moderna.

O ser humano, naturalmente quando se vê sem respostas nos seus conhecimentos e nos vários níveis do seu mundo, opta sempre pelo caminho mais fácil que é o apelo ao divino, com claras ideias de apoio extramundano.

Atingindo esse patamar de procura de proteção divina, surgem as construções religiosas com S. Roque a ganhar claramente vantagem que se irá traduzir numa maior aceitação da comunidade para se justificar um investimento avultado em tempos de dificuldades e amargura.

Os surtos epidémicos conforme descrito anteriormente ocorreram em vários momentos da história e obviamente as construções são distribuídas no tempo e eis que em S. Mamede do Coronado os sinais de devoção pelo divino faziam-se manifestar no século XVI, concretamente em anos próximos a 1560, sendo construída a desaparecida Capela de S. Roque pelos motivos nomeados anteriormente.

Relativamente ao Coronado iria-se mesmo instituir uma confraria de adoração aquele Santo, demonstrando os sentimentos que iriam nascer naquela comunidade.

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Sendo necessário perceber se haveria mais construções daquele género no território do concelho da Trofa.

Relativamente a outras construções, existe também a capela em honra a S. Roque em Alvarelhos, que terá tido a sua construção no século XVII, ligeiramente mais tarde da construção realizada no Coronado, em que nos seus primeiros anos iria-se manter na esfera do público, sendo possível demonstrar que essa mesma devoção era claramente espontânea e genuína, concretizada pelas suas gentes.

A capela em Alvarelhos ainda subsiste aos tempos e é um sinal inequívoco da devoção de uma comunidade, devoção essa que era dos poucos pontos de união, sobretudo, aquela união que sai restabelecida após os momentos de grandes dificuldades.

Possivelmente, nos próximos meses ou até mesmo semanas será possível voltar a ver sinais da população, semelhantes ao aqui relatados, atendendo ao continuo caminhar desta pandemia que parece não ter fim à vista… ainda dizem que a história não se repete…

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PS anuncia recurso aos tribunais depois de declarações de Sérgio Humberto

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“Falsas” e “muito graves”. Foi assim que a comissão política concelhia do PS se pronunciou sobre as declarações proferidas na Assembleia Municipal de 30 de setembro, pelo presidente da Câmara Municipal, Sérgio Humberto, que visaram o líder concelhio socialista.

Em conferência de imprensa realizada a 9 de outubro, Amadeu Dias, elementos da comissão política concelhia e João Teixeira da Cruz, outro dos visados nas declarações do autarca, refutaram as acusações relacionadas com empregos na Câmara Municipal da Trofa em troca da aceitação a candidaturas aos órgãos do Município.

“Na última Assembleia Municipal, ficou claro que o senhor presidente de Câmara, numa tentativa de exercício de vidência, tentou anunciar que o PS Trofa andava a prometer empregos em troca da aceitação de integração nas listas do partido para as eleições autárquicas. Eu estou, perfeitamente, à vontade para dizer que o PS está, evidentemente, organizado e a reunir, vai fazendo os contactos que tem de fazer, mas nada do que o presidente de Câmara disse corresponde à verdade”, contestou Amadeu Dias.

A este respeito, o líder concelhio socialista referiu ainda que “talvez por ter sido assessor no município da Trofa no tempo do presidente da Câmara, Bernardino Vasconcelos, e com isso ter usufruído de um emprego com condições únicas, Sérgio Humberto confunda a sua prática com a retidão que os dirigentes do PS Trofa possuem”. “Exemplo da sua má conduta são os empregos com que alguns dirigentes da JSD têm sido presenteados durante os mandatos de Sérgio Humberto, nomeadamente a Presidente da JSD e seu Vice, entre outros. Aqui sim, podemos verificar uma efetiva relação de interesse”, acrescentou.

Perante o que dizem tratar-se de “ataques difamatórios constantes”, Amadeu Dias e a restante estrutura concelhia do PS consideram que chegou o momento de dizer “basta” e que, agora, só há um caminho a seguir: “Recorrer ao tribunal”.

“O Partido Socialista vai avançar com as devidas diligências, porque não podemos aceitar que continuem a ser ditas, no órgão máximo do concelho da Trofa, calúnias e difamações, com o único objetivo de tentar desestabilizar”, sublinhou o líder da concelhia.

Noutro plano, o PS da Trofa critica também a postura da presidente da Assembleia Municipal, Isabel Cruz, na condução dos trabalhos da Assembleia Municipal e a decisão de manter as sessões à distância. “É necessário que se faça o desconfinamento da democracia na Trofa. Não é plausível que a Câmara faça iniciativas, por exemplo, a inauguração do polo do Coronado, com inúmeros convidados, e que o órgão máximo que representa os trofenses e o lugar próprio para se discutir os interesses dos trofenses continue confinado”.

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Amadeu Dias critica a “leviandade” com que “o presidente da Câmara e todos os elementos eleitos do PSD usufruem da palavra da forma e no momento que querem” e a forma como a Assembleia Municipal se tem tornado palco “do boato e do diz que disse”. “Não se pode permitir que digam tudo o que querem, inclusive insultar, e que o PS, sempre que tenta a sua defesa da honra, como o presidente da Junta o fez de forma impecável, haja tantos cortes pelo caminho”, sustentou..

Amadeu Dias referiu ainda que as referências, que considera “abusivas”, relativas ao grau de parentesco que tem com a ex-presidente da Câmara Municipal da Trofa, Joana Lima, é outra forma encontrada por Sérgio Humberto para fugir ao esclarecimento de assuntos importantes para o concelho.

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