“Património à prova de água” é o nome da exposição que está patente na Casa da Cultura da Trofa, até ao dia 28 de abril. 

As azenhas e os açudes existentes nas margens do rio Ave, nos concelhos da Trofa e Vila Nova de Famalicão, são os protagonistas da exposição “Património à prova de água”, que está patente na Casa da Cultura da Trofa.

A inauguração foi na sextafeira, dia 30 de março, e contou com a presença dos idosos da Santa Casa da Misericórdia que, alegremente, recordaram o tempo em que as azenhas ainda funcionavam.

Bruno Matos, arquiteto trofense, é o responsável por esta mostra, que surgiu de uma investigação para o mestrado em Metodologias de Intervenção no Património Arquitectónico. Depois de agradecer o apoio prestado pelas autarquias da Trofa e Vila Nova de Famalicão, ao longo da sua investigação, Bruno Matos salientou a importância de “registar o património da região e ter um registo não só fotográfico, mas técnico de todo o património constituído pelas 15 azenhas e nove núcleos do rio Ave”. 

Durante o estudo, que teve a duração de três anos, o arquiteto trofense fez “levantamentos topográficos dos edifícios e dos açudes”, focalizando a sua pesquisa na época de verão, quando os açudes estavam à vista, para que fosse possível “obter um rigor técnico”. Depois do êxito que a exposição teve em Vila Nova de Famalicão, Bruno Matos está com boas expectativas em relação a esta, que contou com a presença de um interessado grupo de idosos, na inauguração. “A expectativa é alta. Acho que a população está envolvida, reconhece este património e está interessada em reviver as origens deste património”, declarou. 

Aliada à exposição, a autarquia promoveu na manhã de sábado, dia 31, uma caminhada pelo Percurso Molinológico do Ave, onde os participantes percorreram cerca de nove quilómetros. A Casa da Cultura foi o ponto de partida para a descoberta das azenhas e açudes existentes no concelho, onde cerca de 80 pessoas marcaram presença numa descoberta pela história da Azenha da Barca, da Azenha de Sam, da Azenha de Bairros e da Azenha da Vigenta.

“O percurso tem o carácter de sensibilizar a população e de a envolver numa causa e reconhecimento do património. É importante aliar o desporto à cultura e fazermos um percurso com a comunidade pelos lugares, respondendo a todas as questões que possam existir, ao mesmo tempo que esclarecemos sobre a funcionalidade destes edifícios e a importância que tinham na região”, afirmou Bruno Matos.

Para Assis Serra Neves, vereador do pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Trofa, esta divulgação é importante, frisando que com a caminhada é possível ver in loco “algumas azenhas que ainda estão em funcionamento e outras mais antigas”. O autarca destacou a participação das crianças trofenses com desenhos das azenhas e do grupo de idosos que participou na inauguração da exposição, que, na sua opinião, foi o que “mais delirou” com a exposição, por ser um regresso ao passado.

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