Clube Trofense de Automóveis Antigos promoveu exposição e desfile de automóveis e motas antigos. A iniciativa surgiu integrada na 4ª edição da Super Especial da Trofa.

Há quem lhes chame joias de quatro rodas e muitos chegam mesmo a ser verdadeiras raridades. No domingo, o Parque Nossa Senhora das Dores encheu-se de automóveis e motas antigos, numa exposição promovida pelo Clube Trofense de Automóveis Antigos (CTAA).

Para cada um dos amantes da história sobre rodas, cada exemplar é único, desde os modelos mais banais às verdadeiras peças dignas de museu.

Carlos Antão conduzia um Ford Escort de 1976, de quatro portas, e o carro chamava a atenção por onde passava, graças às dezenas de autocolantes colados no interior e exterior e também às malas antigas e ao garrafão presos no tejadilho. Os autocolantes podem ser de qualquer coisa, mas Carlos Antão dá preferência aos que estão relacionados com “o universo automóvel”. Outro pormenor interessante, são os selos colados no vidro para-brisas, referente ao ano do carro (1976) e ao seguinte.

Já José Ribeiro é de S. Mamede do Coronado e fez questão de mostrar o seu Mini, “com 38 anos” e que foi “totalmente restaurado, incluindo o motor, que foi todo reparado”. “Gastei algum dinheiro, mas está impecável”, confirmou orgulhoso.

Se os muitos visitantes encontraram alguns carros mais comuns, outros há que são verdadeiros pedaços de história, como um Plymouth de 1947. António Silva tem o carro “há 40 anos”. “Isto foi uma troca com outro carro que eu tinha e como gostei deste fiquei com ele e restaurei-o para mim. É um carro seguro, anda bem e gasta muita gasolina”, gracejou.

Mas nem só de quatro rodas se faz a história dos veículos motorizados. João Castro participou na exposição com uma V4 SS Turismo de 1968, que restaurou. “Quando era pequeno, as motas que haviam eram todas assim, e para fazer um restauro demora-se muito tempo e gasta-se muito dinheiro, mas é um gosto que uma pessoa tem”, confessou.

Carlos Sampaio surgiu no Parque Nossa Senhora das Dores equipado a rigor e “montado” numa Lambretta de 1955. Para além das duas rodas, este aficionado gosta também de carros antigos e de ralis, mas o “bom tempo” de domingo fez com que optasse pela mítica mota.

Também os mais novos gostam do universo dos automóveis e motas clássicas. Carlos Henrique acompanhou o pai, Carlos Sampaio, e confessou que gosta “mais de carros”, porque “são muito fixes”. O menino confessou que aprendeu a “gostar destes carros com o pai” e “quando for grande” também quer ter clássicos.

A Exposição de Automóveis e Motas Antigos foi organizada pelo CTAA, integrada na quarta edição da Super Especial da Trofa.

As inscrições eram limitadas e a exposição contou com cerca de 150 veículos, apreciados por centenas de entusiastas que passaram no Parque Nossa Senhora das Dores: “É sempre um prazer ver que os entusiastas aderem a este tipo de iniciativas. Tivemos de limitar as inscrições e alguns dos interessados não puderam participar”, reiterou o presidente do CTAA, Jorge Curval.

A Trofa é uma terra de entusiastas e aficionados pelo automobilismo, que, no caso dos clássicos é, muitas vezes, mais do que um simples passatempo. “A paixão pelos automóveis antigos começa com cada um de nós e a Trofa tem uma tradição que muita gente desconhecia. Nas décadas de 60 e 70, esta terra teve amantes do automobilismo. Há cerca de dez anos, um grupo de entusiastas do automóvel aperceberam-se disso, foram granjeando outros e formou-se o Clube, que por um lado foi uma forma de se fazer homenagem à tradição e, por outro, conseguiu congregar todos os esforços” numa associação. Desta forma, os proprietários podem “demonstrar o seu orgulho e a sua vaidade com os clássicos” em encontros como este.

Atualmente, o Clube conta com aproximadamente 200 sócios, o que “equivale a muito mais do que duas centenas de automóveis, porque existem sócios que têm vários veículos”. “Os automóveis e as motas antigos têm orientações de mercado, mas muitas vezes aquilo que no mercado tem um determinado valor, para o proprietário esse mesmo valor pode multiplicar-se infinitamente, porque há sempre uma história ligada ao carro ou à mota”, acrescentou.

Quem quiser conhecer melhor o clube pode contactar os responsáveis ou visitar a sede no Edifício Ferreirinha, que está aberta aos sábados à tarde.

 

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