Ao NT, a delegação da Trofa da Cruz Vermelha dá conta de que os pedidos crescentes de ajuda surgem de pessoas e famílias “que perderam rendimento por ação da pandemia associada à Covid- 19, ou por perda de emprego, ou fruto de outras situações, designadamente layoff”.

Há, segundo a instituição, “um número significativo de estrangeiros”, principalmente imigrantes oriundos do Brasil e da Venezuela, que por se encontrarem à data do início da pandemia em situações já de grande precariedade laboral, foram os primeiros a ser alvo de um processo de despedimento por parte das empresas nas quais laboravam.

Mas esta crise afetou também famílias que, antes, nunca tinham pedido apoio e por serem também afetadas ao nível dos rendimentos, acabaram, regra geral, sinalizados por outras entidades e encaminhados para a Cruz Vermelha para beneficiarem das respostas sociais, a saber, o apoio alimentar de emergência ou o Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (POAPMC).

O primeiro consiste numa ajuda pontual, através da doação de um cabaz composto por vários produtos, entre artigos alimentares essenciais e artigos de higiene.

Já o POAPMC, tutelado pelo Instituto de Segurança Social é uma resposta de caráter mais regular, com a atribuição de um cabaz mensal a agregados sinalizados pelas instituições mencionadas e que cumpram os requisitos. Este cabaz composto por arroz, massa, leite, congelados (peixe e vegetais), tostas, bolachas, cereais, entre outros, permite suprir a carência alimentar dos agregados integrados.

“Esta resposta tem vindo a sofrer um aumento, pois antes da pandemia, encontravam-se integradas 225 pessoas e, neste momento, são já 260. No entanto, a partir já do próximo mês, esta entidade teve orientações por parte do Instituto da Segurança Social para se proceder a um aumento até aos 337 elementos e a partir de agosto deste ano até aos 450 beneficiários, duplicando o número inicial”, explicou a delegação.

Bens alimentares em falta

A delegação da Cruz Vermelha assegura o apoio alimentar de emergência através da recolha de géneros, principalmente em peditórios realizados nos supermercados, que, devido à pandemia, não podem agora ser realizados. Em contracorrente, os pedidos de apoio aumentaram, pelo que, atualmente, estes bens escasseiam. Por isso, a instituição apela “à comunidade, e designadamente às empresas, para a necessidade de colaborarem” com a “doação de bens que permitam satisfazer as necessidades desses agregados que, diariamente, chegam a este serviço”.