“Se há alguma coisa simbólica que a Trofa possa ter e que faça parte da sua identidade é este ofício e a Arte Sacra, que é uma bandeira deste concelho”. As palavras foram proferidas por Napoleão Ribeiro, do Gabinete do Património Cultural da Câmara Municipal da Trofa, a propósito do primeiro encontro “O Centro de Produção de Arte Sacra do Vale do Coronado”, que decorreu em março de 2017, na Quinta do Comendador, em São Mamede do Coronado.

A afirmação ajuda a explicar, então, a candidatura desta arte ao concurso 7 Maravilhas da Cultura Popular, que decorre até 5 de setembro, dia da final onde serão anunciados os sete vencedores.

A próxima fase decorre até junho, mês em que serão anunciados os sete candidatos por distrito. No Porto, os santeiros de S. Mamede competem com as rendas de bilros (Vila do Conde), procissão da Senhora da Aparecida (Lousada), cortejo das flores (Felgueiras), filigrana de Gondomar, festas do Senhor de Matosinhos, lenda do Bom Jesus de Matosinhos, feira dos Capões (Paços de Ferreira), endoenças Entre-os-Rios (Penafiel), Bugiada e Mouriscada de Sobrado (Valongo), Rusgas ao Senhor da Pedra (Vila Nova de Gaia), jogo da péla (Vila do Conde), Cavalhada (Penafiel), noite dos carrapatos (Amarante) e Barro Negro (Amarante).

Desta arte que fez de S. Mamede do Coronado um dos maiores centros produtores de imaginária religiosa em Portugal, durante o século XX, destacam-se individualidades como José Ferreira Thedim, que esculpiu, em 1920, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que se encontra na Capelinha das Aparições.

Em 1947, Thedim elaborou uma segunda imagem – a Virgem Peregrina que está colocada na Basílica de Fátima – com melhoramentos relativamente à primeira -, de acordo com as indicações da irmã Lúcia.

Da arte sacra nasceram outros artistas, como Alberto Carneiro, Alberto Vinhas, Manuel Santos, Boaventura Matos, Alberto Vieira de Sá, Fernando Duarte, Jorge Brás, Augusto Ferreira, Zacarias Tedim, Mamede Bianchi Thedim, Manuel Moreira e Altino Oliveira.