quant
Fique ligado
atanagildolobo atanagildolobo

Ano 2008

Assim foram este ano as festas são-joaninas em Guidões

Publicado

em

 Não sou muito de festas, confesso. Há muitos anos, quando ainda era rapaz, gostava de dar umas voltas a pé pelo S. João de Guidões acompanhando o meu pai que parava amiúde conversando com amigos e conhecidos. Os "santos" da cascata assustavam-me. Pareciam-me enormes e mal encarados, ameaçadores mesmo. Só me ria com o burro e o moleiro e considerava uma verdadeira obra de engenharia a sofisticada azenha miniatura. Na semana que passou realizaram-se mais uma vez as festas de S. João Baptista, em Guidões.

  Não sei se por nostalgia, se são os anos que vão pesando, acabei por correr diversas vezes o recinto das festas e participar em algumas das suas iniciativas. Na generalidade acho que correram bem. Claro que surgem sempre coisas desagradáveis e supérfluas. Normalmente são os políticos que as estragam. Ou melhor, os políticos da má política. Em Guidões, na procissão, em lugar de destaque, lá iam. Claro que concordo que os Srs. Presidentes da Câmara e da Junta, como dignos representantes dos poderes institucionais, uma vez convidados, estejam presentes. Agora já tenho sérias dúvidas em relação a outros membros do dito bloco central. Das duas, uma. Ou a comissão de festas os convidou e aí não terá sido transparente, democrática, cristã, pois deveria ter convidado representantes de todos os partidos. Ou fizeram-se convidar sem serem convidados e "usurparam" os lugares. Seja como for era notório o velho dandismo, aquele exibicionismo antiquado. A política balofa, oca, sem conteúdo. Política de fotografia. Mas, poderiam dizer, não tão má como a politica socrática que concretiza o contrário do que promete. É certo, a primeira é quase inofensiva e a segunda perniciosa. O mal está em que uma outra são as duas faces da mesma moeda. São o oposto das duas jovens mordomas de Guidões, elegantemente vestidas por costureira da terra, que passando por anónima, será com certeza uma das melhores do mundo. São o contrário daqueles deliciosos espectáculos promovidos pela Banda de Música de Moreira da Maia nas festas são-joaninas, que nos presenteou com música lisa, sem borbulhas, como refere António Cartaxo. Foi um regalo ouvir a abertura 1812 de Tchaikovsky, evocativa da derrota da aventura imperial napoleónica, com aquelas simbioses entre acordes da marselhesa e os cânticos patrióticos russos. Um deleite escutar a música metamorfoseada dos Xutos & Pontapés. Uma profunda alegria constatar que mais de 50% da constituição da banda é composta por gente nova. Não fosse Moreira da Maia terra de especial relevância para mim. Para além da banda com mais de 50 anos de existência, é a terra da cooperativa dos pedreiros, cooperativa de consumo que promoveu o associativismo e sobreviveu durante anos, criada antes do 25 de Abril, da qual o meu pai foi um dos dirigentes e da qual recebi um prémio de 100$00, que ainda conservo, por ter passado no exame da 4.ª classe. As duas lindas mordomas e a costureira que as vestiu de forma tão delicada, as bandas de música e as cooperativas são o oposto daquela política fútil, instantânea, artificial. Nas primeiras há naturalidade, espontaneidade, carácter. Nas segundas assentam pilares de formação humana, autênticas pedagogias do civismo, universidades da educação.

Pela primeira vez nas festas de S. João houve marchas populares. Lá desfilaram Vilar, Outeiro, Póvoa e Bicho. Muita gente admirava as vestimentas, os laços, as lantejoulas, o colorido, as coreografias, a música. No entanto, não foram esses detalhes que me enterneceram, mas antes o empenho, o calor, a obra realizada e amostrada, fruto de um trabalho onde todos participaram, sobretudo os jovens. Foi este o meu regozijo. Admirar o resultado de um trabalho colectivo e participativo em que o herói é o todo, a inter-ajuda, a vontade indomável da unidade. É assim que gosto de ver o nosso povo. Unido. E quando assim é, o resultado é sempre positivo, muitas vezes transcendente.

Por fim, paralela à festa, decorreu a exposição de fotografia sobre as memórias de Guidões. Naqueles 4 dias não sei quantas vezes apreciei a exposição. Mas foram muitas, por largo tempo e com muitos comentários. A primeira coisa que ressalta é a antiga beleza rural e natural de Guidões. A terra transformada pela acção suada e sacrificada do povo, bem representada no grupo de fotografias do inicio do século XX da casa Lopes. A foto da inauguração da escola do Cerro em 1926, doada aos guidoenses por verdadeiros beneméritos que foram Joaquim F.F. Lopes e sua mulher D.Rita, que mereciam bem uma homenagem de reconhecimento. As fotografias de 1959, evocativas da missa nova de António F. Santos, homem nascido e feito na nossa terra ordenado padre, também me tocaram sobremaneira. Primeiro, é notório a organização dessa festa reflectir, tal como hoje nas marchas, um espírito colectivo, empreendedor; em segundo, porque na comissão organizadora, entre diversas pessoas por quem nutri estima, amizade e consideração encontrei o Sr. Agostinho Ferreira Lopes, felizmente ainda entre nós, e encontrei o meu pai; por fim, reparei na fotografia com o grande pano a atravessar a rua junto à antiga "venda do Silveira". Dizia : « Eu fiz o Céu e a Terra; mas a ti ó Padre / Dou-te o poder de mudar a Terra num Céu Resplandecente.» Frase de Evangelização, de Cristianismo puro. Façamos o Céu na Terra. Tenho muito orgulho no facto de meu pai fazer parte dessa comissão e de não ser alheio a esta frase que, datada de 1959, é bastante arrojada, simbólica e revolucionária. Também me agitaram as fotografias do teatro, sensivelmente da mesma altura, finais dos anos 50, grande trabalho colectivo de cultura e recreio com a representação do "auto da barca do inferno" de mestre Gil Vicente, onde igualmente o trabalho e empenho de meu pai se mostraram relevantes. As fotos de uma outra peça onde aparecem o meu saudoso Domingos Costa, o amigo António Mindela e o meu grande amigo e camarada Arnaldo Manelo. As fotos do reforço da linha eléctrica realizado pela comissão de moradores de Vilar são testemunho de que, mesmo sem dinheiro, nada é impossível perante a força inquebrantável, organizada e unida do povo. A fotografia da sessão de esclarecimento após o 25 de Abril. Tão doce. Sala cheia, a abarrotar. Povo interessado. A ânsia da mudança. A liberdade. A igualdade. A esperança… e o querer…e o sonho…que prossegue hoje pois, como consta do legado de Sidónio Muralha, «…não há mordaças, nem ameaças, nem algemas / que possam perturbar a nossa caminhada / onde cada poema é uma bandeira desfraldada / e os poetas são os próprios versos dos poemas.» Venha a Guidões ver quem duvidar destas linhas, que a exposição está aberta todos os domingos, até 27 de Julho, junto à Igreja. Assim foram este ano as festas são-joaninas em Guidões.

 

Atanagildo Lobo

Publicidade
Continuar a ler...
Publicidade
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

Ano 2008

Cinco mulheres atropeladas, duas em estado grave

Publicado

em

Por

 

 Dois feridos graves e três ligeiros é o balanço de um acidente de viação, esta segunda-feira, junto à empresa Ricon, em Ribeirão. O condutor do veículo terá ligado ao sogro a pedir auxílio, abandonando depois o local do sinistro, visivelmente transtornado. As mulheres já não correm risco de vida.

 José Marcelino nem queria acreditar no que viu quando regressou de uma tarde de pescaria. “Quando me aproximei do meu carro, que tinha ficado estacionado no sentido Ribeirão/EN14, vi que estava virado em sentido contrário e só quando cheguei perto da viatura me apercebi do que tinha acontecido. Tinha o carro com a parte lateral esquerda completamente desfeita”, adiantou ao NT, José Marcelino ainda mal refeito do susto.

O proprietário do Opel Vectra ainda estava incrédulo com os contornos deste acidente. “Ouvi sirenes enquanto estava a pescar mas como tinha o meu carro bem estacionado nunca pensei que a minha viatura estivesse envolvida”, adiantou.

O palco do acidente foi a Avenida da Indústria, perto da empresa têxtil Ricon, envolvendo três viaturas ligeiras e, segundo o NT conseguiu apurar, resultou de “uma colisão lateral entre dois ligeiros seguida de despiste e atropelamento de cinco peões”, adiantou fonte da Brigada de Trânsito de Braga, que esteve no local.

Alegadamente, as duas viaturas seguiam no mesmo sentido: “Uma das viaturas ia estacionar e a outra tocou-lhe, despistou-se e atropelou as pessoas que iam na berma, batendo ainda numa terceira viatura que estava estacionada. De acordo com a Brigada, trata-se de uma zona sem passeio, mas os peões “circulavam do lado correcto da estrada, com o trânsito de frente”. Os veículos seguiam no sentido poente-nascente, em direcção à EN14.

O acidente terá acontecido às 12.50 horas quando as vítimas, com idades entre os 30 e os 45 anos, regressavam ao trabalho após a hora de almoço. Segundo o NT conseguiu apurar, duas das mulheres são residentes na Trofa e as outras três serão de Ribeirão.

As vítimas foram transportadas para o Hospital S. Marcos em Braga e para o Centro Hospitalar do Médio Ave, unidade de Famalicão.

A mulher de 34 anos de idade, residente na cidade da Trofa, está estável e internada em Braga e segundo um familiar contactado pelo NT, “sofreu fracturas nas duas pernas, num braço e na bacia, apresentando ainda costelas partidas com perfuração dos pulmões, mas não corre riscos de vida”, adiantou. A vítima esteve consciente e contou aos familiares como tudo aconteceu: “Estava a chover, o veículo seguia em direcção à EN 14, estava a ultrapassar um outro que se encontrava parado, acabando por embater no veículo, abalroando ainda uma segunda viatura, e acabou por colher as cinco funcionárias da Ricon”.

Publicidade

Outra das vítimas, que se encontra internada no Hospital de S. Marcos, apresenta lesões na coluna.

O condutor do veículo, que ficou “transtornado com o acidente”, abandonou o local “com medo que lhe batessem”, segundo confirmou a esposa, garantindo que ele ia entregar-se às autoridades.

Continuar a ler...

Ano 2008

Campeonato nacional é objectivo a alcançar

Publicado

em

Por

Juniores do Trofense lideram campeonato

 Todas as equipas dos diferentes escalões do Clube Desportivo Trofense aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital.

 O frio que se sente no Complexo de Paradela nesta altura do ano não é obstáculo para os jovens que integram os escalões do Clube Desportivo Trofense. O sonho de um dia chegar ao patamar mais alto do futebol faz com que os poucos graus centígrados sejam esquecidos e a bola torna-se no único acessório de valor para os pequenos craques em altura de treinos e jogos.

Com a nova direcção liderada por Rui Silva, o departamento de futebol do Trofense modificou estratégias e delineou novas metas, numa clara aposta na formação para conferir ao clube expressividade na captação de jovens talentos. Todas as equipas dos diferentes escalões aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital, com quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, Paços de Ferreira. Todos alimentam o sonho de qualquer jovem no seu lugar: serem chamados para integrar o plantel sénior da equipa.

Jorge Gonçalves é o treinador da equipa há três anos. Já tinha integrado o departamento de formação noutra altura e depois de um período em que experimentou outros clubes decidiu “aceitar o convite do coordenador Jorge Maia” para abraçar um projecto de quatro anos, que está “a correr conforme o planeado”, afirmou em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

Os dois primeiros anos serviram para “criar condições para tornar a equipa competitiva”, no sentido de atingir a subida aos nacionais. “Esse é o patamar onde os jogadores poderão evoluir melhor”, referiu.

O projecto não abrangeu apenas o escalão júnior e os resultados de um trabalho “árduo” começam a notar-se: “Neste momento, nas camadas jovens, os juniores estão em primeiro lugar, os juvenis estão em terceiro lugar a um ponto do segundo, os iniciados estão em segundo lugar e os infantis ocupam o terceiro lugar”.

Publicidade

Actualmente a ocupar, confortavelmente a liderança, os jogadores desfrutam do sucesso “confiantes no seu valor”. No entanto, há necessidade de “equilibrar as mentalidades para que eles não se deslumbrem”, adiantou Jorge Gonçalves que reforçou o facto dos feitos de hoje “serem fruto de um trabalho de três anos”.

O técnico considera que os resultados positivos são fruto da sintonia entre o departamento de formação e a direcção do clube e sabe que Tulipa, treinador da equipa sénior, está atento ao trabalho desenvolvido pelos juniores. “Existe uma grande comunicação entre o departamento e a equipa técnica profissional. Sei que (Tulipa) já veio ver um ou dois jogos da equipa e alguns juniores têm ido treinar com os seniores com alguma regularidade. Integraram, aliás, o jogo da Liga Intercalar e fizeram uma boa figura, com um excelente desempenho”, acrescentou.

O treinador acredita nas capacidades dos jovens para poderem fazer parte do plantel sénior, mas não esquece que “existem muitos outros factores, como estar no sítio certo no momento certo, a posição do jogador ou se o treinador estiver mais necessitado e também há o aspecto da coragem para o fazer”.

  (mais…)

Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também