Os partidos com assento na Assembleia Municipal da Trofa aprovaram por unanimidade uma moção, proposta pelo Partido Social Democrata, na qual exigem do governo o cumprimentos das promessas feitas e da construção imediata da Linha de Metro até à Trofa. A sessão ficou ainda marcada pela suspensão de mandato de José Gregório, eleito nas listas do Partido Socialista, invocando "razões de ordem política e moral", deixando no ar alegadas divergências com o partido.

  Apesar de estar ainda a milhares de centímetros de chegar à Trofa, a Linha de Metro já fez correr muitos metros de tinta. O recente anúncio de que o Metro só chegará à Trofa em 2009 fez com que os partidos com assento na Assembleia Municipal da Trofa, aprovaram por unanimidade uma moção para "mais uma vez alertar o Governo do nosso País que as entidades que até ao momento fizeram e fazem ainda parte deste processo, sempre nos afirmaram e garantiram que a Linha do  Metro do Porto até à Trofa é uma prioridade absoluta, dizem-no os responsáveis da Empresa Metro do Porto e di-lo com clareza a Junta Metropolitana do Porto. "A posição é de manter o compromisso de concluir a 1ª fase da rede, com prioridade pela ligação à Trofa.", pode ler-se na moção.

Na moção os eleitos apontam várias razões e argumentos para exigir do Governo de José Socrates a construção dos 10 quilómetros de via em falta cujo projecto em via dupla foi apresentado em Março de 2003 ao Ministério das Obras Publicas e que representa uma investimento 80 por cento mais baixo que o efectuado na linha da Povoa.

No seio do próprio Partido Socialista á divergências relativamente à calendarização do investimento já que o Governo prevê a Linha do metro até à Trofa só em 2009 enquanto a deputada Joana Lima, que desempenha ainda funções de vereadora pelo PS na Camara Municipal e é presidente da Comissão Politica Concelhia da Trofa, em declarações ao NT discorda de mais este adiamento. A deputada considera que "já andamos a ver esta obra adiada há muito tempo, e não posso concordar com esta posição", frisou.

Joana Lima relembrou que "os trofenses estão há muito a ser sacrificados já que lhe foi retirado o comboio e foi-lhes prometido que a curto prazo seria substituído pelo metro mas até agora apenas se tem assistido a mais adiamentos". A deputada salientou ainda que "esta situação já atravessou vários governos, inclusive do PSD, que não resolveram" a questão e diz estar esperançada que seja "o Governo de José Sócrates a colocar um ponto final nesta situação".

José Gregório abandonou Assembleia

O Socialista José Gregório, eleito nas listas do Partido Socialista na últimas eleições autárquicas apresentou a suspensão de mandato na ultima sessão da Assembleia Municipal "por razões de ordem política e moral, dado o estado das coisas terem atingido um ponto que me impossibilita de pactuar por mais tempo com a situação, colidindo esta com a minha formação e convicções de forma grave e inultrapassável nas actuais circunstâncias". Gregório não quis entrar em pormenores e escusou-se a explicar as razões concretas do abandono, limitando-se a dizer que " há 38 anos, no regime salazarista era bastante fácil lutar a favor da democracia, hoje torna-se muito mais difícil pois o adversário, e até o inimigo, está subtilmente disfarçado atrás do que se chama democracia".

Contactada pelo NT para comentar esta saída, a líder da concelhia da Trofa, Joana Lima, limitou-se a dizer que "não comento a suspensão de mandato já que cada elemento é eleito para um mandato individual que apenas diz respeito a cada pessoa", frisou.