Presidente do Trofense anunciou as contas da época de 2014/2015, que foram aprovadas por maioria, com 11 abstenções.

Dos sócios presentes na Assembleia-geral do Clube Desportivo Trofense, no dia 15 de abril, 11 abstiveram-se na votação da conta de gerência da época 2014/2015, que apontam para um passivo de 7,5 milhões de euros. Com um ativo de 4,6 milhões de euros, o clube apresenta um saldo global de três milhões e 800 mil euros de dívida, que poderão chegar aos quatro milhões até ao fim desta temporada. A Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQ), que gere a equipa sénior, apresentou um prejuízo de 170 mil euros, melhorando os resultados da temporada anterior em cerca de 200 mil euros.
Os números foram apresentados por Paulo Melro, presidente da direção, que à semelhança da assembleia-geral realizada duas semanas antes, salientou a importância de haver uma solução que viabilize a sobrevivência da coletividade que, atualmente, “não é sustentável”. “Chegamos a um ponto em que nos questionamos como arranjar 300 euros para no dia seguinte pagarmos à polícia. Todos os fins de semana temos andado a inventar, ora paga a um, ora paga a outro, ora um empresta, ora outro adianta”, conta o dirigente, que não esconde que “há poucas receitas” e “a generalidade das despesas estão a acumular-se”. E o que “mais preocupa” é saber “como é que se vai chegar à próxima época”, sendo que os problemas agudizam-se a cada dia que passa. “Os jogadores vão jogar no domingo, porque têm tido um coração do tamanho do mundo, mas esta também não é uma situação sustentável no tempo, porque eles têm despesas para vir jogar. Está a ser uma luta muito difícil”, continuou.
Para haver uma solução, é expectável que o Plano Especial de Recuperação (PER) da SDUQ seja aprovado e, juntamente com o PER do clube, viabilize a amortização da dívida ao longo do tempo e que se cifraria numa taxa de esforço calculada por Paulo Melro de “20 a 25 mil euros por mês”. Isto só para cumprir os planos de pagamento de dívidas, ficando por somar o orçamento para garantir a próxima época desportiva. “As nossas fichas estão todas colocadas em alguém que tenha capacidade para assumir os planos”, salientou. Só que, para já, não há ninguém que assuma esse ônus e a incerteza continua a reinar.  
A possibilidade veiculada nos últimos dias de o Trofense se tornar um clube satélite do Rio Ave não passa disso mesmo, possibilidade. “Não há mais do que uma aproximação” ao clube vila-condense, disse Paulo Melro, que considera que a proposta “poderá ter substância depois de garantida a manutenção” da equipa sénior no Campeonato de Portugal.


Paulo Melro não tenciona recandidatar-se

O futuro do clube não parece ter como horizonte uma nova direção liderada por Paulo Melro, que solicitou ao presidente da Assembleia João Fernandes a marcação de eleições, mas sem intenções de se recandidatar, garantindo apenas “a assumir a responsabilidade até ao limite”.

Criação de novo clube não está a ser equacionada

Face a todos os problemas financeiros que cavam um buraco ainda mais fundo com o passar do tempo, a direção não equaciona a criação de uma nova associação para salvaguardar património. “Essa será sempre uma medida de fim de linha. Poderá ter funcionado para clubes que não têm património, mas se nós acabarmos vamos ficar sem estádio e sem complexo desportivo e não teremos condições para que essa tal outra associação possa surgir. A nossa responsabilidade é, perante os credores, encontrar soluções para lhes conseguir pagar”, frisou.