afonsopaixao 

Mudanças?

Terminadas as férias, para a maioria das pessoas, começa, para os partidos, o verdadeiro ano Político.

Final de Agosto foi já uma fase de grande actividade e prevê-se que vá em crescendo até meados de Outubro, altura em que se verifica o último acto eleitoral.

É possível que aconteça alguma alteração na composição da Assembleia da República porque me parece difícil que venha a acontecer uma maioria.

O PS tirou, porventura, alguma vantagem da crise económica, na sua fase inicial, mas, a evolução da crise, com o crescimento do desemprego, veio a ser prejudicado pelas suas consequências.

Apesar disso, penso que a alteração que poderá acontecer é a perda da maioria já que, na minha opinião, o Governo não sairá desgastado ao ponto de provocar ao Partido uma derrota em finais de Setembro.

A insatisfação instalada na sociedade não é suficiente para uma alternância do poder porque a Dra. Manuela Ferreira Leite ainda não convenceu os eleitores.

Por sua vez, o Eng. José Sócrates tem presença em campanha e nos próprios debates, o que será uma vantagem.

A grande preocupação será a duração do governo que resultar do acto eleitoral. Há quem prognostique um governo para dois anos por ausência duma maioria absoluta que o sustente e lhe dê estabilidade para os desafios que se colocarão.

A falta de estabilidade tem sido um factor negativo da democracia portuguesa.

Se é verdade que os governos maioritários são, tendencialmente, autoritários e, por vezes, autistas, também é verdade que, sem maioria, os governos gastam mais tempo a tentar segurar-se do que na governação propriamente dita.

Ideal seria um governo com maioria confortável sem os problemas de autoritarismo que caracterizam alguns governos.

Tudo depende da cultura democrática de quem alcançar o Poder e da sua capacidade de diálogo com os Partidos da oposição.

Talvez a solução, para o momento, e para a ausência duma maioria absoluta, seja a existência de acordos sobre os assuntos mais importantes porque o centrão cria uma maioria absolutíssima, quase intocável, sendo, por isso, pior que um Governo autoritário e arrogante.

Sou favorável a que se obtenha uma maioria: pesando as vantagens e os inconvenientes, o país sai beneficiado. É que, por muito maioritário que seja um partido no poder, haverá de ser sujeito a sufrágio e as sondagens não deixarão de fornecer indicadores que os aconselhem a moderar-se.

Setembro será um mês muito importante no rumo que o país vai levar.

Afonso Paixão