As medidas de poupança que vão sendo implementadas em Portugal, ainda antes da aprovação do Orçamento de Estado para 2011, já indicam, inequivocamente, que o Norte do país e a Trofa em particular são prejudicados pela macrocefalia lisboeta.

As SCUT, uma boa trapalhada em três actos, é um bom exemplo. Para poupar dinheiro, o Estado acaba com três SCUT e põe os cidadãos a pagar. Todas no norte, claro, porque criaram critérios criteriosos, passe o pleonasmo, que isentaram de pagamento todas as SCUT do sul do país. Assim, a região do país mais fustigada pela crise económica é chamada a contribuir para a redução da despesa do Estado que, até 15 de Outubro, pagava às concessionárias das SCUT um valor pelo trânsito que por aí circulava.

Todas as outras SCUT no sul do país, segundo os tais critérios criteriosos, continuam isentas. Houve quem fizesse cálculos e colocou-os na internet: são mais de 1000 quilómetros de vias com características de auto-estrada, só na Grande Lisboa, de acordo com correio electrónico que recebi, que continuam isentos de portagens.

Para haver um mínimo de justiça, devia colocar-se todas as auto-estradas, sem excepção, a pagar portagens.

Para cúmulo, assaltados por um qualquer complexo de modernismo, implantaram um sistema complicado de cobrança porque pretenderam evitar as despesas com o sistema de cobrança. Ou seja: transferiram para os utentes as despesas de cobrança. Não podem pagar no local e têm de adquirir o sistema de pagamento com os gastos que implica deslocar-se aos CTT ou Payshop, com o gasto de tempo e dinheiro que isso implica, para poderem pagar, por vezes alguns cêntimos.

Considero que isso é inaceitável e constitui uma violência sobre os cidadãos.

Outra medida de poupança de Estado tem a ver com os investimentos necessários para a Trofa. Não estou a referir-me ao PIDDAC que, desde há muito, deixou de ser um documento para ser levado a sério.

As obras constam no PIDDAC e não se fazem (alguns investimentos constam muitos anos no PIDDAC sem se fazerem) e executam-se obras e fazem-se outros investimentos que nunca constaram no PIDDAC. É, hoje, um instrumento meramente político que não pode ser levado muito a sério.

Os investimentos previstos para a Trofa estão congelados, sabemos todos.

Estamos a sofrer, mais uma vez, uma grande injustiça.

Somos, talvez, o único concelho do país que não tem alternativas às antigas estradas nacionais. Os cidadãos, quer da Trofa, quer os que por aqui passam, não têm escolha possível e a auto-estrada não é solução para todas as situações, dependendo dos trajectos.

Vamos, por isso, continuar com o martírio que se vive há já muito tempo de ver a Trofa saturada de trânsito de viaturas pesadas, que por aqui passam, ou que para cá se dirigem porque não têm alternativas.

O metro é outra das grandes injustiças.

Contar a história do metro faz corar de vergonha. Desde constar no primeiro concurso até aos eternos adiamentos e agora ao congelamento actual, é revoltante.

Foram muitos rápidos quando se tratou de eliminar o comboio que, todos acreditámos que era um primeiro passo para a modernização dos transportes na Trofa.

Passados todos estes anos, quer-me parecer que ainda teremos muito que esperar.

E, vamos a ver se não aparece um qualquer técnico que nos diga que essa solução não é boa e que será necessário mais estudos que nos coloquem mais umas décadas à espera.

Pelo andar da carruagem……

 

Afonso Paixão