As crianças e jovens em Perigo! Tanto se fala deste problema, do problema das crianças e jovens em Perigo, mas tantas vezes sem verdadeira consciência da profundidade da dimensão do que é “Ser” uma criança e jovem em Perigo.

Crianças e jovens sozinhas, perdidas, desorientadas, tantas e tantas vezes a afundarem-se e a estenderem os braços para os adultos à sua volta, apelando a um abraço, a uma orientação, a uma luz ao fundo do seu túnel, apelando tão só a uma vida em que é tratado no respeito pelos seus direitos e por quem saiba educá-las para a exigência dos seus deveres. Apelando para alguém a quem possa chamar “mãe”, “pai”, ou apenas “minha pessoa. Minha! Que cuida de mim. Que me quer. Que gosta de mim”.

Na ASAS, tudo fazemos para sermos essa “Pessoa”. Porque na ASAS todas as crianças e jovens contam e são defendidas, educadas, cuidadas e amadas, como nossas. Mas queremos sê-lo de forma temporária, porque elas merecem ser únicas e especiais para uma família que o seja de forma definitiva, cuidadora e “A deles”.

Em Portugal, são 7553 as crianças em acolhimento residencial. Na ASAS vivem 58. Já viveram 410.

Com todos eles aprendemos, crescemos. E é muito bom podermos dizer que fizemos parte da sua vida.

Nesta Época Natalícia reconhecemos a importância de todas as Pessoas que fazem da ASAS o que é hoje – uma casa, uma amiga, “aquela pessoa” para muitas crianças e jovens e adultos.

Assim, Obrigado!

Dizemos. E assim nos obrigamos a perpetuar o legado de quem deixa tais contributos, de quem produz tal bem comum, de quem tão inesquecível se torna que assim nos faz agradecer, homenageando os atos que ansiamos tornar maiores ainda ao longo do futuro que nos espera. Homenageamos, agradecemos.

Agradecemos a quem há 27 anos atrás acreditou, arrancou e nos deixou voar alto. Agradecemos o beijo ao deitar, o abraço de acolhimento, os gestos que se imortalizaram na recordação das nossas crianças, passando das dificuldades da vida às memórias que não se apagam; as palavras ditas com um amor maior, voz eterna das paredes de uma casa para um universo de emoções; as palavras de carinho, porque cabem mais de mil a cada segundo de vida que cá em casa se passa. Os gestos que cortam o silêncio trazido da maré compassada de vidas difíceis, saídos dos corações de quem à ASAS se dedicou, os gestos que conduziram à mudança, de famílias, pessoas sozinhas, de bairros, de comunidades.

Os gestos feitos atos, convertidos em horas de trabalho; feitas as diretas que aconchegavam, acompanhavam em hospitais ou afagavam o choro; muitas vezes noite dentro para preparar momentos únicos; feitos vozes enrouquecidas no final de um debate em Tribunal onde a crença de uma equipa se fez remate certeiro; feitos sorriso luminoso de novas famílias reconstruídas.

Gestos feitos por quem percorre quilómetros, de sorriso luminoso, porta em porta, oferecendo alento e presença. Os gestos suados, gritados, chorados, agradecemos todos. Agradecemos a quem os imaginou, a quem os ordenou, a quem os praticou e a quem deles beneficiou. Os gestos de doação e reflexão de todos os que a nossa ASAS ajudam.

E dizendo obrigado, a todos os que nos últimos 27 anos moldaram o curso das nossas vidas, obrigamo-nos, obrigamo-nos a perpetuar contributos, amplificar ações, fazer crescer sementes e futuros, atos que obrigam a homenagem, homenagem que obriga a futuros atos, atos nossos para continuar caminho, o caminho que até aqui outros abriram por nós. Obrigada a todos os parceiros, voluntários e outros amigos.

Obrigado à equipa que sabe perpetuar o trabalho da ASAS, identificando o que é realmente necessário. Que sabe que trabalhar as questões da autonomia, para e com os jovens é um ato de Amor. E a comunidade ASAS fá-lo. E continua a fazer.

Obrigado! Um Santo e Feliz Natal. E um ano cheio de gestos que possam ajudar a melhorar o mundo. Principalmente das crianças e jovens em perigo.