Há cerca de 20 anos, aquando da passagem para o século XXI, uma das maiores preocupações da sociedade era o avanço tecnológico que ira robotizar a indústria.

Os robôs iriam substituir o homem nas suas tarefas, automatizando todos os processos produtivos das empresas, reduzindo drasticamente o número de funcionários e gerando desemprego. Estamos a entrar no ano 2020 e segundo o Gabinete Europeu de Estatísticas (Eurostat) a taxa de desemprego na UE atinge o valor mais baixo (6,3%) desde o ano 2000 (em Portugal, ronda os 6,6%).

Perante este cenário, questionamo-nos se a indústria não evoluiu e não se robotizou como seria esperado, continuando a existir muitos postos de trabalho convencionais? Para responder à pergunta, é necessário compreender a evolução das taxas de emprego nas últimas décadas referentes ao setor primário, secundário e terciário. Os postos de trabalho em Portugal encontram-se nomeadamente no setor secundário (transformação) e setor terciário (serviços)

O setor secundário, onde se encontra a indústria transformadora, em geral tem mantido ao longo dos últimos anos o número de postos de trabalho apesar do enorme aumento tecnológico dos seus processos produtivos. O que significa que a robotização/automatização não reduziu o número de postos de trabalho. Os robôs substituíram sim o homem nas tarefas mais pesadas e repetitivas, gerando novos postos de trabalho que exigem maior nível de qualificação.

Amplamente implementado no concelho da Trofa, o setor da metalurgia e metalomecânica, que neste momento é o setor mais exportador no país (representa cerca de 18%) e que se prevê que atinja os 20 mil milhões de euros no final de 2019. Mesmo assim, neste que é um dos setores que mais se robotizou/automatizou nos últimos anos é reconhecida carência de mão-de-obra qualificada como o principal elemento que poderá afetar o seu contínuo crescimento no futuro.

Para o futuro das empresas, o fator-chave da mudança não está apenas centrado nos equipamentos ou nos espaços, mas no elemento diferenciador que é a mão-de-obra qualificada.

Segundo o INE, a maior taxa de desempregados em Portugal verifica-se na faixa etária dos 18 aos 25 anos. Daqui podemos concluir que muitos destes jovens certamente concluíram o 12.º ano de escolaridade no ensino oficial e não prosseguiram os estudos. Ou seja, o ensino secundário não prepara os jovens para o mercado de trabalho e com o elevado nível de produção das empresas estas não têm “tempo” nem condições de formar na própria empresa os trabalhadores sem qualificações. Desta forma torna-se imprescindível a aposta na formação profissional, requalificação profissional e formação continua.

O CENFIM completa, a 15 de janeiro de 2020, 35 anos de existência a formar e qualificar pessoas, realizando formação de longa duração, através da formação de jovens pelo sistema de aprendizagem (APZ), requalificação/educação e formação de adultos de outros setores (EFAs), formação de especialização tecnológica (CET’s), formação modular certificada, formação à medida para empresas e reconhecimento e validação de competências (RVCC escolar e profissional).

A aposta dos nossos jovens deverá partir pela formação em cursos de Aprendizagem (de dupla qualificação que permite obter uma qualificação profissional e a equivalência ao 12.º ano). Esta modalidade de formação, erradamente, no passado foi associada a uma aprendizagem alternativa para os alunos “que não tinham capacidade, ou que não gostavam da escola, ou que não tinham hipóteses de ir para o ensino superior”. Pelo contrário, tem permitido a muitos jovens qualificarem-se e adquirirem competências em saídas profissionais com elevada empregabilidade contribuindo para a competitividade das empresas.

Muitos dos formandos que passaram pela formação profissional seguiram para o ensino superior e reconhecem que a formação profissional lhes deu imensas bases e competências que conjugados com os estudos na área da engenharia os tornaram profissionais de referência nas empresas.