Na última Assembleia Municipal foi analisado o relatório de prestação de contas da Câmara Municipal da Trofa relativas ao ano de 2005.

Tratava-se da análise às contas do último ano do mandato 2001/2005.

Sem olhar para os números todos nós desvendamos facilmente as promessas feitas e não cumpridas por quem gere a Câmara da Trofa. Todos nós podemos até recordar que o PSD escreveu no seu programa eleitoral que “Em 2004 deverão estar concluídas as obras de construção da variante ferroviária que, finalmente, afastará o atravessamento da via férrea do centro urbano da Trofa” e ainda que “Em 2005, 90% da população do concelho terá abastecimento de água ao domicílio em qualidade e quantidade.” Obviamente que tudo isto não foi cumprido!

toga_passe_peq.jpgMas, a análise dos números constantes no relatório de prestação de contas do ano de 2005 da Câmara mostra-nos aspectos da maior gravidade que apenas comprovam a falência da gestão PSD e do Dr. Bernardino Vasconcelos à frente desta autarquia.

– A Câmara aumentou no ano de 2005 o seu passivo em 2,86 milhões de euros, ou seja o passivo da Câmara teve um crescimento de mais de meio milhão de contos sem que tal se reflectisse em obras concretas financiadas por esta Câmara.

Com este aumento superior a 20%, o passivo da Câmara da Trofa é já da ordem dos 3 milhões de contos!

A gestão do PSD é por isso responsável por um endividamento equivalente a 400 euros por trofense!

– A taxa de execução da receita é de 61,7% e a taxa de execução da receita de capital de 38,4%, portanto bem menos de metade do prometido.

Deduzimos aqui que a Câmara empolou a previsão de receitas para poder sustentar as promessas, a demagogia e o eleitoralismo em ano de eleições autárquicas.

Chegam a ser escandalosas as taxas de execução da receita em algumas rubricas como por exemplo:

– III Quadro Comunitário de Apoio 7,8%

– Transferências do Ministério da Saúde 37,5%

– Cooperação técnica e financeira da Administração Central 21,1%

– Quanto aos investimentos a situação é semelhante.

A Taxa de execução das despesas é de 61,4%.

Se percorrermos estas rubricas podemos perceber melhor onde é que a Câmara prometeu investir e não investiu:

– execução do investimento 50, 38%

– bens de domínio público 39,59%

– viadutos e arruamentos 31,35%

– bens de património histórico, artístico e cultural 0%

e podíamos continuar pelo relatório fora…

A estratégia de empolar as receitas quando se elabora orçamentos para sustentar as promessas, agradar a todos e até conseguir votos ou elogios de presidentes de Junta de Freguesia da oposição é uma táctica antiga mas pouco séria!

Naturalmente que não encontro outro caminho que não passe por reprovar esta gestão. No entanto, na oposição nem todos pensam assim!

Até no PS as coisas parecem não ser vistas desta forma.

Sendo verdade que os vereadores e alguns membros da Assembleia Municipal votaram contra, não deixa de ser curioso que os dois presidentes de junta do PS tenham abandonado a reunião da Assembleia Municipal antes da votação, mesmo depois de terem sido desafiados pela CDU a reprovarem esta política!

Será que os presidentes de junta do PS estão de acordo com esta política do PSD?

Ou têm medo se perder as migalhas que a Câmara lhes vai transferindo?

Jaime Toga