Em setembro de 2005 os membros da fábrica da igreja de Alvarelhos publicaram um comunicado repudiando um cartaz dos candidatos à junta de freguesia de Alvarelhos pelo CDS-PP por nele estar impresso com destaque a imagem da igreja de Alvarelhos.
Em 2017 a igreja surge azulada em tudo o que é cartaz da coligação mas, desta vez, a bênção do pároco parece garantida. Aliás, não só a igreja azulada é usada e abusada como material de propaganda, como o próprio pároco se transformou num mandatário político-eclesial da candidatura do PSD/CDS. Há pouco mais de uma semana, o pároco entendeu usar o seu espaço de opinião num boletim de informação da câmara municipal para louvar autarcas do PSD/CDS. Num tom bajulador, injustificado, serviçal! Quem mandatou o padre, o pároco José Ramos, para tal incumbência? Porque é usado o seu lugar na Igreja, servo de Deus, para tal serviço partidário?
Um padre, para ser padre, assume os votos de castidade, de pobreza. Considero injusto que não abdique de usar o seu lugar como padre para mostrar o seu partido. Agitar a sua bandeira do PSD/CDS em nome da igreja ofende os católicos. Os tempos da proximidade promíscua da igreja com a política ficaram com “a outra senhora”. Em 2005 a ofensa foi generalizada. Em 2017 desapareceram os indignados que ficam unidos ao seu interesse partidário e cerram fileiras contra a derrota que se começa a antever. “A Deus o que é de Deus, a César o que é de César”. Assim terminava o comunicado de 2005. Assim reafirmo aqui neste artigo. Porque a nossa igreja não é azul nem laranja. A nossa igreja é da cor da fé dos alvarelhenses!

André Silva