“É preciso subir o preço do leite ao produtor!”. É este o título do comunicado da APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal, presidida pelo bougadense Jorge Oliveira.

Numa já habitual comunicação de final de ano, a associação releva o papel dos “produtores de leite” para que “houvesse alimento na mesa dos portugueses” numa época marcada pelas “dificuldades inerentes à pandemia da Covid-19”.

Apesar do esforço, o setor considera que continua a ser vítima de “injustiça”, refletida no valor do leite. “Este foi mais um ano com o preço do leite abaixo da média europeia. Em outubro, tivemos em Portugal um preço médio de 30,4 cêntimos por quilograma de leite, cerca de 4,6 cêntimos abaixo do preço médio comunitário. Foi o quarto pior preço entre os 27 estados-membros”, salienta a APROLEP, que sustenta o desagrado com o facto de os produtores comprarem “combustíveis, adubos e rações a um preço equivalente aos colegas europeus”.

Face a este cenário, a APROLEP refere que só é possível manter a produção do leite com recurso “ao crédito”, ao “adiamento de investimentos”, à aquisição de máquinas “em segunda mão” ou ao recurso ao “sacrifício pessoal de agricultores e familiares, que abdicam de receber uma justa remuneração pelo seu trabalho”.

“Para agravar, além da subida anunciada do salário mínimo e dos aumentos habituais da energia e dos restantes custos de produção, ocorreu nos últimos meses uma subida significativa no preço das matérias-primas e cereais usados no fabrico das rações, necessárias para equilibrar o bolo alimentar das vacas, baseada no milho e erva que produzimos nos nossos campos. Apesar da ração comprada ser, em média, apenas 20 por cento da quantidade total de alimento ingerida por uma vaca, representa cerca de 50 por cento dos custos de uma vacaria”, acrescentou a associação.

E o futuro não conforta os agricultores, preocupados com a decisão do Ministério da Agricultura em relação ao período de transição 2021-2022, da qual estimam perdas de “12 por cento” na ajuda ao rendimento do setor, e à reforma da PAC (Política Agrícola Comum) até 2027, “com a anunciada redução das ajudas do atual Regime de Pagamento Base, devido à convergência a 100 por cento em 2026 nas áreas de cultivo destinadas à produção de leite”.

“Os produtores preferiam poder dispensar os subsídios e receber um preço justo pelo leite produzido, mas até que isso aconteça as ajudas serão essenciais para a sobrevivência do setor”, sublinha a APROLEP, que espera agora por “formas de mitigar a redução das ajudas, nomeadamente através do reforço substancial do pagamento ligado e da adoção de eco-regimes adaptados ao setor, que permitam um futuro mais eficiente e ecológico na produção de leite, compensando os agricultores pelos serviços que prestam na defesa do ambiente e no combate às alterações climáticas”.