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Agrupamento 94 da Trofa conta com mais de cem jovens. Objectivo da nova direcção é abrir a nova sede às outras associações do concelho.

Desengane-se quem pensa que o escutismo era coisa do passado. Este movimento levantado por Baden Powell “está vivo e recomenda-se”. Esta é a convicção de Albano Barbosa, chefe do Agrupamento 94 de S. Martinho de Bougado, Trofa, que assumiu o cargo a 26 de Novembro de 2009 e este ano conta com uma “legião” de mais de cem jovens dos seis aos 22 anos. Divididos em quatro secções, seguem o lema do “aprender fazendo”, do qual tentam chegar à meta final: assumir-se um homens novos.

Aqueles que se desprendem de actos corriqueiros e banais, como dormir na própria cama ou tomar banho na banheira de casa, para enfrentar um mundo mais aberto e ligado à natureza a partir dos acampamentos. Estes são o símbolo maior do escutismo que o Agrupamento 94 segue quase religiosamente: “Quando fazemos um acampamento, não vamos fazer só um fim-de-semana de lazer. Uma coisa que acontece e que muitas vezes os jovens nem reparam tem a ver com o desprendimento do dia-a-dia e de coisas supérfluas que dão preguiça mental”, afirmou Albano Barbosa.

Às vezes, é um “choque” para alguns jovens quando entram no mundo do escutismo, mas a verdade é que com o tempo “a dinâmica reflecte-se”. Cada um deles tem a sua evolução, autonomia e uma quota-parte de responsabilidade, pois em cada grupo existem os guias, os tesoureiros, os guardas de material e até os relações públicas. É uma organização social que se forma através de um método centenário, que “quase todos os anos é renovado”.

A ideia do escutismo actual é servir de “contraponto” à oferta que dão aos jovens: “Hoje em dia é muito fácil pertencermos a uma associação. Acaba-se por praticar preços muito baixos, depois os pais têm uma condição financeira diferente da que tinham antes e as associações acabam por ser análogas naquilo que fornecem. Nós formamos um homem novo, mais social, mais sensível…mais humano”, garante o responsável.

Os mais pequenos, dos seis aos dez anos, sabem quem é o pai do escutismo, Baden Powell, mas traçam o seu caminho escutista a partir do Livro da Selva. Quais pesquisadores, conhecem a vida de Mogly e todo o contexto e filosofia do livro original.

Nova sede aberta às associações do concelho

Eleitos para um mandato de três anos, Albano Barbosa e os restantes dirigentes decidiram traçar como um dos principais objectivos a mudança do Agrupamento para a “nova casa”, a sede com mais de mil metros que, desde 2000, se encontra em construção e que há mais de um ano não sofre intervenções.

A ideia é “a curto prazo”, cerca de 12 meses, mudar de instalações, já que as actuais, segundo o responsável “são extremamente precárias”. Financeiramente é “quase impossível” concluir a obra (só a fase de pedreiro exige mais 97 mil euros), pelo que o objectivo é fechar o edifício e “abri-lo” às outras associações do concelho. “Pretendemos que seja um espaço para todos, porque é um pouco egoísta da nossa parte se formos só nós a usufruir. Temos balneários para quem quiser utilizar, uma sala polivalente muito grande onde qualquer associação pode fazer um jantar, uma reunião ou uma apresentação. E não vamos cobrar nada como é lógico. Queríamos que tivesse utilização permanente”, afirmou Albano Barbosa.

Limpar Portugal está no plano de actividades

As actividades do Agrupamento multiplicam-se ao longo do ano, desde os tradicionais acampamentos, passando pelo cantar das janeiras, à participação nas tasquinhas da ExpoTrofa ou então a vender pães-de-ló na Páscoa. São estas iniciativas que proporcionam a angariação de fundos para o grande projecto do Agrupamento, a sede, e para a grande caminhada anual, que é votada pelas secções.

Até Junho comemora-se o 75º aniversário do Agrupamento, com várias actividades que incluem um acampamento de encerramento das comemorações, no qual serão convidados mais agrupamentos da região, e o lançamento do livro alusivo à data, com a publicação de 75 fotografias.

Para este ano, o grupo também tem no plano de actividades a participação no megaprojecto nacional “Limpar Portugal”, a 20 de Março. “Nós limpamos Portugal muitas vezes, mas vamos limpar em conjunto com outras associações. A ideia é muito boa e espero, quanto mais não seja, que fique na cabeça das pessoas que limpar é importante”, sublinhou Albano Barbosa.

Escuteira voluntária em África

Do Agrupamento surgem verdadeiros exemplos do escutismo. O que dizer de Helena Areal, há 12 anos ligada a este movimento e que, actualmente, pensa integrar-se numa organização para fazer voluntariado num país africano.

Agora com a insígnia da ligação, em que apoia a secção dos pioneiros, Helena Areal afirma que “muita coisa mudou” desde que entrou para o Agrupamento 94. “O tal desprendimento de que não nos apercebemos, mas que vai acontecendo, faz-nos dar valor a outras coisas como os valores e a forma de fazer as coisas. Seguimos o lema de aprender fazendo. Aprender até fazer melhor, até chegarmos ao homem novo, desenvolvendo um conjunto de valores, de trabalho em equipa, respeito pelos outros, querer deixar o mundo um pouco melhor do que encontramos”, referiu.

Nos acampamentos gosta de “estar com as pessoas, de não estar em casa, estar na tenda e sentir a natureza mais próxima”.