Há quinze dias escrevi aqui que o resultado das eleições europeias era uma incógnita. Defendi, então, que o resultado não deveria ser extrapolado para as legislativas, mas que, em caso de vitória do PSD, seria possível encarar as próximas eleições com outra perspectiva…Com a perspectiva de que é possível mudar para melhor.

Apesar da prevista taxa de abstenção, o resultado eleitoral é mais expressivo do que esperava. Primeiro porque a vitória do PSD foi clara, depois pelo resultado do Bloco de Esquerda (BE). Além de expressiva, a vitória do PSD foi generalizada, pois venceu em 13 distritos. Por outro lado, o BE foi a terceira força partidária, à frente da CDU, triplicando o número de deputados europeus obtido nas últimas eleições europeias.

O PS tem uma derrota inesperada, até para os líderes deste Partido. Dá que pensar o alheamento dos seus dirigentes sobre a realidade do país, sobre o sentimento da nossa população, sobre as dificuldades que todos vivemos.

A dinâmica eleitoral para as legislativas é outra, como reconheceu o Senhor Primeiro Ministro. Agora, está tudo mais difícil para o PS. Agora, os portugueses já acalentam a esperança de que as coisas podem melhorar. Agora, o PSD é encarado como alternativa ao actual governo PS.

Vão ser três meses de incógnita? Talvez. Tudo depende da actuação do governo, da evolução da economia, das propostas da oposição, e dos factores imponderáveis que podem decidir as eleições em qualquer parte do mundo.

Uma coisa é certa, ganhando ou não as próximas eleições, o PSD é visto como potencial vencedor, tal qual o PS.

Outro dado a registar, é o tipo de campanha realizado pelo PS. A meu ver, Vital Moreira teve um comportamento reprovável quando tentou colar o BPN ao PSD. Tentou misturar alhos com bugalhos, usando uma linguagem trauliteira e rasteira. Tentou denegrir o seu opositor directo sem qualquer fundamento. Edite Estrela levantou insinuações sobre Ilda Figueiredo da CDU. Foi feio e revelou falta de inteligência política! Os portugueses reprovaram.

 

Espero que os “políticos” do nosso Concelho reflictam e não continuem com esse tipo de comportamento. Os trofenses já reprovaram em vários momentos destes dez anos de Concelho essa forma de estar na política.

O PSD, para concluir o que falta para vencer as eleições legislativas, deve continuar na política de proximidade ouvindo os portugueses e apresentar propostas sérias e claras que resolvam os problemas do país e das pessoas.

Tiago Vasconcelos