Um “número para a comunicação social” e uma “precipitação”. Foi desta forma que António Pontes, vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa e vereador, classificou as posições tomadas pelos vereadores do Partido Socialista que, na passada quarta-feira, abandonaram a reunião de Câmara, na altura da votação dos pontos relativos à contracção de empréstimos.

“É uma precipitação evidente”, afirmou António Pontes relativamente à posição dos vereadores socialistas em abandonar a reunião de Câmara no momento da votação de dois empréstimos que a Câmara Municipal da Trofa quer contrair para fazer face a dificuldades de tesouraria, no valor de um milhão de euros e um outro no valor de três milhões para comprar alguns imóveis.

Antonio pontesNo entanto, ressalvou que os vereadores não solicitaram “de uma forma antecipada, esclarecimentos ao Sr. Presidente, nomeadamente algum documento ou alguma coisa que quisessem saber e que podiam ter feito e não o fizeram. Em segundo lugar, o que também nos parece a nós é que, muito honestamente, o que está na base desta saída da reunião prende-se apenas, e única e exclusivamente com tentar fazer um número para a comunicação social”.

António Pontes vai mais longe e afirma que “neste caso concreto, os vereadores socialistas deveriam ter levado mais a sério a responsabilidade do cargo que ocupam aqui na Câmara que é o de serem vereadores. Acho que tomaram posições que foram um pouco levianas e que não honram o desempenho deste cargo”.

O primeiro ponto em que os membros socialistas abandonaram a sala foi o ponto número cinco relativamente ao empréstimo para resolver problemas de tesouraria. “Há uma situação que está aqui claramente identificada que é dificuldades de tesouraria e operação de empréstimo que é para ocorrer a essas dificuldades de tesouraria, que é uma operação de empréstimo a curto prazo, pelo prazo de um ano. Acho que aqui a questão que se prende é basicamente uma posição política que todos os vereadores têm de ter sobre a matéria”, adiantou.

Relativamente ao ponto sete da Ordem de Trabalhos “que é a adjudicação de contratação do respectivo empréstimo, corresponde a uma folha A4 que vem numa informação dos serviços que é distribuída também aos senhores vereadores, em que a única coisa que está para análise é olhar para as propostas que entretanto chegaram à Câmara e ver qual delas é que apresenta as melhores condições”.

“Depois noutro ponto, que também não votaram, temos uma folha A4 onde estão elencados os investimentos que é para fazer face a estes três milhões de euros. Tem, desde pavimentações de ruas, tem a aquisição de um imóvel para ampliação e alargamento da escola E.B 2,3 Napoleão Sousa Marques, Escola da Trofa, a aquisição de um imóvel da Quinta dos Aidos que é para nós sedearmos aí o espaço de acolhimento núcleo-museológico e centro interpretativo relativamente ao Castro de Alvarelhos. Depois tem um conjunto de quatro artigos que corresponde, de grosso modo, àquela unidade fabril que é a Ráfia, em que o objectivo é destinar esse spread à construção da nossa biblioteca municipal e mais algumas valências que naturalmente ainda estamos a pensar”, explicou.

Apesar de terem sido dados cerca de 20 minutos, por Bernardino Vasconcelos, para os vereadores socialistas poderem discutir os pontos, os vereadores preferiram abandonar a reunião.

António Pontes referiu ainda que teria sido impossível enviar a informação apresentada na reunião, visto que “as propostas no âmbito deste processo tinham chegado no dia anterior à câmara ( o dia limite era dia 2 de Dezembro). Isto para dizer que o sr. presidente da câmara só pôde dar esta informação no dia 3, que era o dia da reunião”.

O vice-presidente acrescentou ainda “uma incoerência” porque no último ponto da ordem de trabalhos, “o presidente apresentou na própria reunião uma proposta para a atribuição de um subsídio à parte social, e estamos a falar de um subsídio de cerca de 284 mil euros, ou seja um valor com bastante significado”, e os vereadores votaram favoravelmente.

Recorde-se que, relativamente a este assunto, a vereadora afirmou, na passada quarta-feira, ao NT que “esta já não é a primeira vez que o Sr. presidente leva à reunião de Câmara para serem votados assuntos sem nos fornecer a informação para que possamos estudar e decidir em consciência”.

De acordo com a autarca, os vereadores socialistas abandonaram a sala onde decorria a reunião no momento da votação dos empréstimos, alegando que “já tínhamos avisado o Sr. presidente que se voltasse a não nos ceder atempadamente a informação, que abandonaríamos a sala e não votaríamos esses pontos”, reiterou.