O Restaurante Braguinhas, em Santiago de Bougado, foi o local escolhido para o jantar de apoio à candidatura de António Costa à liderança do Partido Socialista, que decorreu na sexta-feira, 19 de setembro.

Foi ao som do Grupo Etnográfico de Santiago de Bougado que António Costa chegou ao restaurante, onde mais de 250 pessoas o esperavam para mostrar que estão ao seu lado para vencer António José Seguro nas eleições primárias de 28 de setembro.

Devolver a “confiança” aos portugueses é o objetivo de Costa. “Confiança” foi, de resto, um dos vocábulos mais repetidos no discurso do candidato que garante liderar uma candidatura que visa “responder positivamente ao apelo que os portugueses lançaram de o PS se afirmar como uma alternativa sólida” contra o atual Governo.

Para Costa, em Portugal “tem faltado uma resposta ao impasse em que tem estado o Governo sem soluções”, numa clara alusão à atuação do opositor nas eleições internas. “Voltei a ver na cara dos socialistas, quer dos militantes quer dos simpatizantes, um brilhozinho nos olhos e a confiança que o PS voltou para fazer a mudança que é necessária em Portugal”, frisou.

Sem apresentar propostas concretas, porque já defendeu que “compromissos” só daqui por um ano, o socialista considera que “é preciso que os portugueses voltem a acreditar que o país tem futuro”, defendendo a “pacificação da sociedade portuguesa”. “Temos que tranquilizar quem vive das suas pensões, que as vai ter garantidas e estabilizadas. Temos de dar um sinal claro a quem vive do seu trabalho, que os salários vão ser valorizados e que vamos voltar a dignificar o trabalho e por isso é fundamental a atualização do salário mínimo nacional. Temos de dar aos empresários confiança no futuro, dizendo-lhes que temos de estabilizar o sistema financeiro, para que tenham acesso ao crédito, e o sistema fiscal, porque não há quem possa investir sem saber o que vai pagar ao final do ano ao fisco, cujas regras têm sido alteradas a cada ano”, argumentou.

António Costa rejeita as acusações de “liderar uma campanha de uma certa Lisboa”, contrapondo o que sentiu na campanha feita no Norte. “Já percorri três vezes cada um dos distritos, Bragança, Vila Real, Viana do Castelo, Braga e, sobretudo o Porto, e sempre senti que o Norte está com esta candidatura e que aqui vamos ganhar as eleições primárias”, sustentou.

Numa operação de charme aos apoiantes, António Costa apelou “à união” depois das primárias e legislativas para “recuperar para o PS a Câmara Municipal da Trofa”. “Essa é uma luta que nos tem de unir a todos”, asseverou.

Costa é o “farol da esperança” dos apoiantes

Militantes e simpatizantes da Trofa defendem que só António Costa será capaz de recuperar a soberania política ao PS. João Fernandes tem no candidato o rosto da “responsabilidade” para garantir “o futuro com um país melhor” e elogiou a postura “serena” diante dos “ataques sujos de que tem sido alvo, não dos atuais adversários políticos, mas daqueles que dentro do PS não querem perceber que a mentira, a demagogia e o populismo têm perna curta e que não é possível enganar toda a gente a vida toda”.

Já Carlos Portela, da secção socialista de Santiago de Bougado, no discurso de apoio a Costa, não deixou de dar uma “alfinetada” aos camaradas da fação contrária, a nível concelhio. “Num terreno difícil como a Trofa, onde por vezes a democracia tanto a nível autárquico como de forma precipitada a nível interna parece ser, permanentemente, tutelada, cá estamos sem peias e sem medos para afirmar termos em ti (António Costa) o farol da nossa esperança”, atirou.

Além de militantes trofenses, houve quem viajasse de concelhos vizinhos para apoiar António Costa. Para Manuel Pizarro, é longa a linha que separa as candidaturas. De um lado, diz, “está uma oposição adulta, consciente em relação à vida política e que honra a história do PS”, do outro “há uma campanha constante de ataques pessoais, de divisionismo, que junta o PS ao discurso da direita para dividir o país”.

Pizarro utilizou até uma metáfora para definir o desagrado de António José Seguro pelo avanço de Costa: “Num certo desespero, o ainda secretário-geral do PS resolve portar-se como aqueles meninos que levam a bola para a escola e quando alguém marca um golo contra a equipa onde ele joga, ele rouba a bola e nunca mais ninguém pode jogar. No nosso partido, a bola é de todos os militantes e simpatizantes e nós temos o direito a escolher o capitão de equipa que queremos levar o PS para a vitória”.

Os dois candidatos às primárias do PS já passaram pela Trofa. Domingo é o dia D para o partido, que conhecerá quem vai liderar a candidatura socialista às legislativas de 2015.